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Monumentos aos Combatentes, Memoriais e Campas

 

Monumentos aos Combatentes e Campas

(Listagens e imagens de memoriais e campas de antigos combatentes)

 

Em memória daqueles que tombaram em defesa de Portugal na Guerra do Ultramar

 

Moura

 

Para visualização dos conteúdos clique em cada um dos sublinhados

 

Listagem dos mortos naturais do concelho de Moura

 

 

Safara

 

Joaquim Pato Campaniço

 

Soldado Campanha 10,5 n.º 690/60

 

Companhia de Artilharia 118

(Bateria 118ª)

«... MAIS AFINANDO A FAMA PORTUGUESA»

 

Angola: 12Jun a 16Out1961 (data do falecimento)

Em Memória e Homenagem ao

Soldado Campanha 10,5 Joaquim Pato Campaniço - N.º 690/60 - CArt 118 (Btr118ª)

1. Quem era e de onde vinha

Joaquim Pato Campaniço nasceu na freguesia de Safara, concelho de Moura, filho de António Inácio Campaniço e de Mariana Patrício Pato.

Era solteiro. Soldado de Campanha 10,5, com o número 690/60, pertencia à Companhia de Artilharia N.º 118, mobilizada pela Escola Prática de Artilharia em Vendas Novas, como unidade de reforço à guarnição normal da Região Militar de Angola.

Como a quase totalidade das praças dos Pelotões de Atiradores da Bateria 118, fora recrutado na área de Vendas Novas, o que explica a forte ligação afectiva entre a unidade e a população civil.

Na cerimónia de despedida de 02 de Junho de 1961, as senhoras de Vendas Novas ofereceram a cada militar uma medalha de Nossa Senhora de Fátima.

As Senhoras de Vendas Novas a oferecer uma medalha de N. Senhora de Fátima a cada militar da Bateria 118, na Cerimónia de despedida na EPA

 

O Comandante da EPA, Coronel José António dos Santos Monteiro,

entrega o Guião da EPA ao Capitão Silva Correia, Comandante da Bateria de Artilharia 118

 

Missa na Capela da EPA (Escola Prática de Artilharia),

com o Guião oferecido pelo povo de Vendas Novas

O seu local de operações foi registado como Bessa Monteiro. A causa da sua morte: ferimentos em combate, em 16 de Outubro de 1961.

Repousa hoje no Cemitério de Safara, na sua terra natal.

2. A sua Bateria

A Bateria 118ª foi a única unidade mobilizada e aprontada pela Escola Prática de Artilharia durante toda a Guerra do Ultramar.

Foi criada pela Ordem de Serviço n.º 106 de 03 de Maio de 1961 como "Bateria de Artilharia tipo Companhia de Caçadores", sob o comando do Capitão de Artilharia José Vítor Manuel da Silva Correia.

O seu guião, semelhante ao da EPA com a designação "118ª" bordada a ouro por senhoras de Vendas Novas, ostentava em fundo vermelho os canhões cruzados e a divisa "… MAIS AFINANDO A FAMA PORTUGUESA", divisa que se mantém no brasão da EPA.

Embarcou no paquete Vera Cruz a 03 de Junho de 1961 e chegou a Luanda a 12 de Junho. Após recepção de armamento e viaturas, seguiu para o Norte em 22 de Junho de 1961, escoltada pelos Dragões de Luanda, e chegou a Ambrizete em 26 de Junho.

A sua zona de acção era um quadrilátero com cerca de 120 km ao longo da costa e 120 km para o interior, abrangendo Ambrizete, Tomboco, Bessa Monteiro e a Fazenda Loge, na travessia do Rio Loge, rio com mais de 100 metros de largura e infestado de crocodilos.

3. O seu Pelotão e o seu Comandante

O Soldado Campaniço integrava o 1.º Pelotão.

O seu Comandante de Pelotão era o Alferes de Artilharia José Fernando Jorge Duque, oficial do quadro permanente, listado em primeiro lugar entre os quatro comandantes de pelotão nomeados na OS 106 - a par dos Aspirantes Milicianos José Luís Duarte Silva, Mário Araújo de Abreu Brandão e Mário Ferreira Neves. Foi ele quem efectuou o reconhecimento do cais da Rocha Conde de Óbidos para o embarque e quem, mais tarde, se tornaria autor da história da Bateria 118.

Com o agravamento da situação operacional, o comando da Bateria entendeu que não havia condições para manter a rotação mensal de pelotões e o 1.º Pelotão permaneceu indefinidamente em Bessa Monteiro a partir de finais de Julho de 1961.

Ali viveu meses de grande volatilidade: sanzalas esvaziadas durante a noite, populações levadas para campos de treino da UPA/FNLA em Kinkusu no Congo, ataques nocturnos, escassez de fundos que obrigou à emissão de papel-moeda carimbado pela Bateria, e um mês inteiro em regime de sobrevivência à base de bananas colhidas nas florestas envolventes por impossibilidade de receber colunas de Ambrizete.

4. O dia 16 de Outubro de 1961 em Quiximba

Em 16 de Outubro de 1961, o 1.º Pelotão do Alferes Jorge Duque efectuou uma coluna de reabastecimento de Bessa Monteiro para Ambrizete.

Ao atravessar a povoação abandonada de Quiximba, a cerca de 30 km a oeste de Bessa Monteiro, a coluna sofreu uma violenta emboscada com armas ligeiras, algumas já automáticas.

Foi a primeira vez que o inimigo adoptou o tiro de posição, com guerrilheiros postados sobre árvores para obter melhores campos de tiro.

Enquanto municiava o lança-granadas foguete de 89 mm, arma colectiva do Pelotão, o Soldado Joaquim Pato Campaniço foi atingido mortalmente.

A reacção do Pelotão, passada a surpresa inicial, foi eficaz e causou várias baixas ao inimigo, que se viram cair das árvores. Essa táctica não voltou a ser empregue naquele subsector.

Aquele dia marcou a Bateria 118. Foi o culminar de dois meses de agravamento contínuo, que incluíra o ataque de mais de quatro horas ao destacamento do Zongo na noite de 27/28 de Agosto, as flagelações nocturnas de Bessa Monteiro e a destruição das Fazendas S. Pedro e Marfins e Almeida, com três trabalhadores chacinados.

5. A memória gravada em Moura

O nome de Joaquim Pato Campaniço não ficou apenas no cemitério de Safara e na memória da Bateria 118.

Consta na listagem oficial dos mortos naturais do concelho de Moura do sítio dedicado aos Monumentos aos Combatentes, Memoriais e Campas.

Foi integrado na homenagem prestada pelo Município de Moura aos jovens do concelho que perderam a vida na Guerra do Ultramar, cujo novo memorial foi inaugurado a 9 de Abril de 2021, no Largo dos Quartéis, dando continuidade às homenagens anteriores de 24 de Junho de 2009 aos 29 mortos do concelho e de 27 de Abril de 2013.

Ali, entre os nomes dos conterrâneos, figura para as gerações futuras o Soldado Campanha 10,5 Joaquim Pato Campaniço, n.º 690/60, filho de António Inácio Campaniço e de Mariana Patrícia Pato, da CArt 118 - mobilizada pela EPA, Vendas Novas - falecido em Bessa Monteiro a 16 de Outubro de 1961, vítima de ferimentos em combate.

Mais afinando a fama portuguesa, em Quiximba, no dia 16 de Outubro de 1961.

Paz à sua Alma

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A 118ª ou Companhia de Artilharia 118

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