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Memoriais

Monumentos aos Combatentes, Memoriais e Campas

 

Monumentos aos Combatentes e Campas

(Listagens e imagens de memoriais e campas de antigos combatentes)

 

Em memória daqueles que tombaram em defesa de Portugal na Guerra do Ultramar

 

Cabo Verde, Índia, Macau, São Tomé e Príncipe e Timor

       

 

Para visualização do conteúdo clique em cada um dos sublinhados que se seguem

 

Listagem dos mortos naturais de

Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Índia, Timor e Macau

 

 

Cabo Verde

 

Carlos Augusto Pissarra Santos Silva

 

Capitão do Quadro Especial de Oficiais, n.º 00111762

 

Comandante da

 

Companhia de Artilharia 2631

 

Batalhão de Artilharia 2898

«UNIDOS VENCEREMOS»

 

Moçambique: 21Nov1969 a 09Abr1971 (data do falecimento)

 

EM MEMÓRIA, HONRA E GLÓRIA DO

CAPITÃO DO QUADRO ESPECIAL DE OFICIAIS

CARLOS AUGUSTO PISSARRA SANTOS SILVA

I - IDENTIFICAÇÃO DO MILITAR

É com profundo respeito, honra e dever de memória que evocamos o Capitão do Quadro Especial de Oficiais, n.º 00111762, CARLOS AUGUSTO PISSARRA SANTOS SILVA.

Militar de inexcedível valor, tombou em combate no dia 09 de Abril de 1971, na região de Vila Cabral, Província Ultramarina de Moçambique, em consequência de ferimentos em combate, em defesa do Solo Pátrio.

O seu nome inscreve-se, para sempre, no livro de ouro dos que tudo deram por Portugal.

II - NATURALIDADE E ORIGEM FAMILIAR

Nasceu na freguesia de Nossa Senhora da Ajuda, concelho da Ilha do Fogo, na Província Ultramarina de Cabo Verde.

Filho de Filipe dos Santos Silva e de Ana Horta Pissarra Santos Silva.

De estado civil solteiro, levou consigo para a guerra a simplicidade dos homens íntegros e o amor incondicional à Pátria que o viu nascer.

III - UNIDADE MOBILIZADORA – O BERÇO DE AÇO

Foi mobilizado pelo Grupo de Artilharia Contra Aeronaves 2 – GACA 2 – Torres Novas.

Unidade de elite da Artilharia Portuguesa, cujo Brasão de Armas ostenta com orgulho os lemas que forjaram gerações de artilheiros:

«O CÉU, A TERRA E AS ONDAS ATROANDO»
«EFICÁCIA! FOGO!»
«SÓ PARA A VITÓRIA»

Do GACA 2 herdou o rigor, a disciplina de fogo e a determinação inquebrável de bem servir.

IV - A PARTIDA PARA O ULTRAMAR – O COMANDO DA CART 2631

Integrado no Batalhão de Artilharia N.º 2898, cuja divisa era «UNIDOS VENCEREMOS», assumiu o comando da Companhia de Artilharia 2631.

O BArt 2898 foi mobilizado pelo Grupo de Artilharia Contra Aeronaves 2 - GACA 2 - Torres Novas, e o seu comando foi exercido sucessivamente pelos seguintes oficiais:

O Comandante do Batalhão foi o TCor Art Júlio Veiga Simão, sucedido no comando pelo Maj Art Joaquim Esteves Virtuoso.

Nas funções de 2.º Comandante sucederam-se, ao longo da comissão, o Maj Art Joaquim Esteves Virtuoso, o Maj Grad Art António Soares Fernandes e o Cap Art Joaquim Luís Dias Antunes Ferreira.

Na Companhia de Comando e Serviços - CCS - sucederam-se o Cap Art Joaquim Luís Dias Antunes Ferreira e o Cap Mil Claudino Trinta Ribeiro.

Na Companhia de Artilharia 2631, cujo comando importa especialmente evocar, sucederam-se no comando da subunidade, ao longo de toda a comissão de serviço em Moçambique, os seguintes oficiais:

Primeiro Comandante, e Comandante que a levou para o Ultramar, o Cap Mil Carlos Augusto Pissarra Santos Silva, tombado em combate em 09 de Abril de 1971. Foi sucedido no comando da Companhia pelo Cap Mil Carlos Alberto Pais de Almeida e, posteriormente, pelo Cap Mil António Augusto Manso Francisco.

No dia 31 de Outubro de 1969, na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, em Lisboa, embarcou no NTT ‘Vera Cruz’, como comandante da Companhia de Artilharia 2631 do Batalhão de Artilharia 2898, rumo ao porto marítimo de Nacala, onde desembarcou no dia 21 de Novembro de 1969.

O seu distintivo, que todos os seus homens usaram com orgulho ao peito, era o do BArt 2898: fundo azul, com águia dourada de asas abertas, encimado por BART. 2898 e CART 2631, e a divisa UNIDOS VENCEREMOS.

V - ENQUADRAMENTO OPERACIONAL NO TEATRO DE MOÇAMBIQUE

Desembarcado em Nacala, o BArt 2898 rendeu em Valadim, distrito do Niassa, no subsector AVL, o BArt 2847 – cuja divisa era «QUEM OUSA VENCE» e cujo estandarte ostentava o gato preto sobre a espiral vermelha.

As suas companhias foram colocadas respectivamente em Muembe, Nova Viseu e Valadim, integradas no dispositivo do Batalhão: CArt 2630 em Muembe, CArt 2631 em Nova Viseu e CArt 2632 em Valadim.

A zona era de subversão violenta. A actividade do Inimigo manifestava-se através de implantação de minas nos itinerários, armadilhas, emboscadas, flagelações e ataques aos aquartelamentos.

Durante dois anos de permanência, a actividade operacional do Batalhão consistiu em abertura de itinerários, escoltas a colunas logísticas, patrulhamentos, nomadizações e emboscadas, numa vasta e inóspita região do Niassa.

VI - ACTIVIDADE OPERACIONAL DA COMPANHIA DE ARTILHARIA 2631 – NOVA VISEU E LUATIZE

A CArt 2631, sob o seu comando inicial, rendeu em Nova Viseu a CArt 2374/BArt 2847.

De 23 de Fevereiro de 1970 a 09 de Novembro de 1971, guarneceu Luatize com 1 pelotão, garantindo presença e segurança numa das áreas mais sensíveis do subsector.

De Novembro de 1969 até ao final da comissão, executou, entre outras, as seguintes operações, muitas delas em zona de intenso contacto com o inimigo:

Operação "Águia Branca 5" no vale do rio Lussanhando; Operação "Zás-Tráz" a Sul de Nova Viseu; Operações "Tipália 20", "Gémeos 61, 63 e 65", "Gato 53", "Câncio 70", "Honorato 70", "Lebre 10", "Alfama 10", "Anona 31" e "Alentejo 26" em regiões não especificadas da sua zona de acção. Participou ainda na operação "Jaguar 7".

Foi rendida em Nova Viseu, em Novembro de 1971, pela CCaç 3470/BCaç 3867, já sem o seu primeiro e mais emblemático comandante.

VII - O DIA DO SACRIFÍCIO – 09 DE ABRIL DE 1971 – OPERAÇÃO «ÁGATA 31»

No dia 09 de Abril de 1971, na região de Vila Cabral, comandando a sua Companhia na Operação «Ágata 31», o Capitão Santos Silva ocupava, como sempre o fazia, o posto de maior risco.

Dava o exemplo à frente dos seus homens. Durante a progressão, accionou uma mina inimiga que lhe veio a causar ferimentos mortais.

Mesmo gravemente ferido, nos últimos instantes de vida, com serena energia debaixo de fogo, conseguiu ainda reunir as forças que lhe restavam para dar instruções relativas à segurança da Companhia.

Tombou como vivera: a comandar, a proteger os seus homens, a cumprir Portugal até ao último alento.

VIII - DA CONDECORAÇÃO – CRUZ DE GUERRA DE 1.ª CLASSE A TÍTULO PÓSTUMO

Pelo seu extraordinário valor, foi condecorado, a título póstumo, com a Medalha da Cruz de Guerra de 1.ª Classe.

Transcreve-se, na íntegra, o teor da concessão, conforme Portaria publicada na OE n.º 11 – 2.ª série, de 1972:

Por Portaria de 12 de Maio de 1972:

Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro da Defesa Nacional condecorar, por proposta do Comandante-Chefe das Forças Armadas de Moçambique, o Capitão do Quadro Especial de Oficiais, Carlos Augusto Pissarra Santos Silva, da Companhia de Artilharia 2631, do Batalhão de Artilharia 2898, com a medalha de Cruz de Guerra de 1.ª classe, (a título póstumo), ao abrigo dos artigos 14.º, 15.º, 16.º e 63.º do Regulamento da Medalha Militar, de 20 de Dezembro de 1971.

Transcrição do louvor que originou a condecoração. (Por Portaria da mesma data, publicada naquele OE):

Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro da Defesa Nacional, louvar, a título póstumo, com base em proposta do Comandante da Região Militar de Moçambique, o Capitão do Quadro Especial de Oficiais, Carlos Augusto Pissarra Santos Silva, da Companhia de Artilharia n.º 2631, do Batalhão de Artilharia n.º 2898 – GACA 2, porque, durante mais de vinte meses no comando daquela Companhia, dezasseis dos quais em zona de intensa actividade inimiga, desempenhou com notável eficiência as suas funções, demonstrando ser um oficial dotado de invulgar competência profissional e aptidão para o comando de tropas em operações.

Inteiramente devotado ao cumprimento das missões que lhe foram cometidas, imprimiu-lhes, na execução, o seu elevado espírito de determinação, dinamismo e excepcional adaptabilidade às contigências da campanha.

Tendo comandado várias operações, em todas elas dava o exemplo, ocupando os postos de maior risco, como mais uma vez demonstrou na operação «Ágata 31», durante a qual accionou uma mina que lhe veio a causar a morte, tendo, contudo, antes de expirar, conseguido reunir energias para dar instruções relativas à segurança da Companhia.

Possuidor de invulgar capacidade de trabalho, alto sentido do dever, excepcional entusiasmo e extrema dedicação, a par das suas elevadas virtudes militares e morais, entre as quais se salientam o seu muito amor à profissão, o seu carácter íntegro e a sua generosidade, creditou-se o Capitão Santos Silva como um oficial distinto, que muito honrou o Exército, tendo jus ao agradecimento da Pátria pela coragem, decisão, sangue-frio e serena energia debaixo de fogo que demonstrou em todas as acções de combate.

IX - SEPULTURA E MEMÓRIA PERENE

O seu corpo repousa no cemitério da freguesia de Gonçalo, no concelho da Guarda, onde a Pátria o acolheu.

Ali, longe do Niassa onde tombou, mas perto do coração de Portugal que jurou defender, permanece como símbolo eterno do dever cumprido.

X - HONRA, GLÓRIA E JURAMENTO

Capitão Carlos Augusto Pissarra Santos Silva!

A tua Companhia não te esquece. O teu Batalhão não te esquece. O teu GACA 2 não te esquece.

Foste Comandante que dava o exemplo nos postos de maior risco. Foste Oficial de invulgar competência e de excepcional amor à profissão.

O teu sangue, derramado em Vila Cabral, fecundou a História da Artilharia Portuguesa.

Que a tua memória viva para sempre nos quartéis, nas formaturas, no coração dos teus camaradas de armas e na alma da Nação.

PORTUGAL NÃO ESQUECE OS SEUS HERÓIS!

HONRA E GLÓRIA!

 

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