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Memoriais

José Joaquim Pereira da Silva, Capitão Mil.º de Artilharia

"Pouco se fala hoje em dia nestas coisas mas é bom que para preservação
do nosso orgulho como Portugueses, elas não se esqueçam
"

Barata da Silva, Vice-Comodoro

HONRA E GLÓRIA  

 

José Joaquim Pereira da Silva

 

Capitão Mil.º de Artilharia, n.º 06303365

 

Comandante da

 

Companhia de Artilharia 2717

«O IMPOSSÍVEL NÃO EXISTE»

«OS AMERICANOS.

 

Moçambique: 18Jun a 15Ago1970 (data do falecimento)

Cruz de Guerra de 1.ª classe
(Título póstumo)

MEMÓRIA E HOMENAGEM AO CAPITÃO MILICIANO DE ARTILHARIA JOSÉ JOAQUIM PEREIRA DA SILVA

CArt 2717 «OS AMERICANOS» - «O IMPOSSÍVEL NÃO EXISTE» / BArt 2918 «OS MONTANHESES»

1. Identificação

José Joaquim Pereira da Silva, Capitão Miliciano de Artilharia, Número 06303365.

Natural da Freguesia da Sé, Concelho de Lamego, filho de Francisco Pereira da Silva e de Clara de Jesus Pereira da Silva, casado com Maria Clementina Gonçalves.

Unidade: Companhia de Artilharia 2717 / Batalhão de Artilharia 2918.

Unidade Mobilizadora: Grupo de Artilharia Contra Aeronaves 2 – Torres Novas.

Local de Sepultura: Cemitério de Santa Cruz – Lamego.

2. Origem e Mobilização

Foi mobilizado pelo GACA 2 – Torres Novas para servir Portugal na Província Ultramarina de Moçambique como comandante da Companhia de Artilharia 2717.

A Companhia tinha por divisa «O IMPOSSÍVEL NÃO EXISTE» e por alcunha «OS AMERICANOS», inserida no Batalhão de Artilharia 2918 «OS MONTANHESES», com a mesma divisa. O distintivo da CArt 2717 ostentava dois canhões cruzados sobre fundo vermelho, encimados pela divisa, distintivo que se tornou símbolo de união dos seus homens.

Assumiu o comando desde a formação em Torres Novas, sendo o primeiro de três comandantes que a Companhia viria a ter durante a comissão, conforme consta da ficha da unidade: Capitão Miliciano José Joaquim Pereira da Silva, Capitão de Infantaria Cesário António da Silva e Costa e Capitão Miliciano Fernando Rodrigues.

3. Partida e Chegada a Moçambique

No dia 20 de Maio de 1970, na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, em Lisboa, embarcou no NTT ‘Niassa’, como comandante da Companhia de Artilharia 2717, rumo ao porto marítimo de Porto Amélia, onde desembarcou no dia 18 de Junho de 1970.

Pertencendo ao Quadro Orgânico do BArt 2918, ao passar por Nacala a 17 de Junho de 1970, foi retirada definitivamente daquela unidade (que ali desembarcou), seguindo viagem para Porto Amélia, onde desembarcou a 18 de Junho de 1970.

Foi colocada em Nancatari, onde rendeu a Companhia de Caçadores 2450, ficando sob o comando do Batalhão de Caçadores 15, sedeado em Mueda (subsector BMU).

4. Actividade Operacional da Companhia até à data do seu falecimento

Desde a chegada a Nancatari até 15 de Agosto de 1970, sob o seu comando, a Companhia efectuou acções nas regiões de Nancatari, Mote, dos rios Nido, Opa, Mueda e Homba, montes Litundo e vale de Miteda, com missão prioritária de abertura de itinerários e escoltas a colunas logísticas de Muirite para Mueda.

Neste curtíssimo período de menos de dois meses no terreno, a Companhia iniciou as operações: “Diamante”, “Diamante II”, “Relâmpago 1”, “Paliçada”, “Poente”, “Serpente”, “Relevo”, “Labuta”, “Labor – 1.ª fase”, “Labirinto – 1.ª fase”, “Laçada”, “Lição”, “Lacrau”, “Liro 1”, “Lisura 3”, “Labrusca 2” e “Labro”.

Participou ainda em: “Bloco 6” (na região dos rios Nandana e Nido), “Obra Nova” (zona do rio Homba) e “Osga 10” (segurança aos trabalhos de engenharia no itinerário Mueda – Nancatari).

Cedeu dois pelotões de reforço à Companhia de Cavalaria 2398 do Batalhão de Cavalaria 2850, para a operação “Nó Górdio”, efectuada na região de Mueda, de 01 de Julho a 03 de Agosto de 1970, a maior operação realizada no Norte de Moçambique.

5. Circunstâncias do Falecimento

Faleceu no dia 15 de Agosto de 1970, entre a picada de Mueda – Nancatari e Mueda – Miteda, em Cabo Delgado, Moçambique, em consequência de ferimentos em combate.

O local da operação era de guerrilha violenta, em pleno Planalto dos Macondes, zona de intenso minagem e emboscadas. Tinha cerca de dois meses de comissão cumpridos.

6. Sucessão no Comando

Com o seu falecimento em combate, o comando da Companhia de Artilharia 2717 foi assumido pelo Capitão de Infantaria Cesário António da Silva e Costa, que deu continuidade à comissão até Fevereiro de 1972, altura em que a Companhia foi rendida em Nancatari pela Companhia de Artilharia 3501 do Batalhão de Artilharia 3876 e transferida para Entre Rios, onde rendeu a Companhia de Caçadores 2667 do Batalhão de Caçadores 2908, destacando um pelotão para Mutuali e cedendo dois pelotões à Companhia de Artilharia 2764 em Mandimba/Belém, já sob o Batalhão de Caçadores 19 em Nova Freixo (subsector DNF), até ser rendida em Julho de 1972 pela Companhia de Cavalaria 3320.

O terceiro comandante viria a ser o Capitão Miliciano Fernando Rodrigues.

7. Condecoração – Cruz de Guerra de 1.ª Classe, a título póstumo

Condecorado com a Cruz de Guerra de 1.ª Classe, a título póstumo, por Portaria de 28 de Setembro de 1971, publicada na Ordem do Exército n.º 19 – 2.ª série, de 1971.

Texto integral da atribuição:

Transcrição da Portaria publicada na OE n.º 19 – 2.ª série, de 1971.
Por Portaria de 28 de Setembro de 1971:

Condecorado com a Cruz de Guerra de 1.ª classe, a título póstumo, ao abrigo dos artigos 9.º e 10.º do Regulamento da Medalha Militar, de 28 de Maio de 1946, por serviços prestados em acções de combate na Província de Moçambique, o Capitão Miliciano de Artilharia, José Joaquim Pereira da Silva, da Companhia de Artilharia n.º 2717 – Grupo de Artilharia Contra Aeronaves n.º 2.

8. Louvor que originou a condecoração

Texto integral do louvor que originou a condecoração, por Portaria de 20 de Setembro de 1971, publicado naquela OE:

Louvado, a título póstumo, o Capitão Miliciano de Artilharia, José Joaquim Pereira da Silva, da Companhia de Artilharia n.º 2717/Batalhão de Artilharia n.º 2918 – Grupo de Artilharia Contra Aeronaves n.º 2, pela sua conduta na operação "Diamante II", na qual, evidenciando muito determinação e audácia na procura de contacto com o inimigo e ao tentar surpreendê-lo com um golpe de mão, actuou com excepcional bravura, lucidez e sangue-frio, e, já perante o nutrido fogo de reacção do adversário, quando procurava aumentar o fogo de apoio ao seu ataque por todos os meios ao seu alcance, não só orientando, mas também executando pessoalmente tiro de morteiro, fê-lo corajosa, decidida e muito activamente, até ter sido atingido de morte.

Actuando em zona de guerrilha violenta, perfeitamente conhecedor deste tipo de guerra, já antes desenvolvera intensa agressividade e espírito de missão, de que deu exemplo como bravo e como chefe.

Os problemas dos seus homens foram por ele intensamente vividos, procurando-lhes as mais variadas, hábeis e sempre clarividentes soluções, pronto a levar o auxílio onde necessário.

Constitui assim, e pela combatividade nunca diminuída, pelo perigo que sempre enfrentou com sangue-frio e serenidade, orgulho de camaradas e subordinados, que o recordam no número dos melhores daqueles que tombaram na defesa da integridade do território nacional e honraram as tradições do Exército Português.

9. Memória e Homenagem

O Capitão José Joaquim Pereira da Silva tombou à frente dos seus homens, no cumprimento da missão que lhe fora confiada, fiel à divisa da sua Companhia – «O IMPOSSÍVEL NÃO EXISTE».

Não chegou a completar três meses de comissão. A sua morte, logo no início da operação “Diamante II”, marcou profundamente a CArt 2717. Os seus subordinados recordá-lo-iam como um chefe que vivia intensamente os problemas dos seus homens, sempre pronto a levar o auxílio onde fosse necessário, com sangue-frio, serenidade e excepcional bravura.

É recordado no número dos melhores daqueles que tombaram na defesa da integridade do território nacional e que honraram as tradições do Exército Português.

O seu nome consta na Placa de Homenagem Aos Combatentes Mortos no Ultramar, do Concelho de Lamego, cravada desde 05 de Setembro de 2014 na base do Monumento aos Combatentes da Grande Guerra, erigido naquela cidade, onde figura como: José Joaquim Pereira da Silva - Cap - Moç - 15-08-70.

Paz à sua Alma.

 

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