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Listagem dos mortos naturais do concelho de Porto

 

 

Campanhã

 

"Pouco se fala hoje em dia nestas coisas mas é bom que para preservação do nosso orgulho como Portugueses, elas não se esqueçam" 

 

Barata da Silva, Vice-Comodoro

 

Luís Manuel Ramos de Carvalho

 

Alferes Miliciano Atirador e de Operações Especiais  

 

Comandante de um grupo de combate da

 

Companhia de Caçadores 1502

 

Batalhão de Caçadores 1878

«CONDUTA NOBRE E BRAVA»

 

Moçambique: 06Fev1966 a 04Nov1967 (data do falecimento)  

Em Memória e Homenagem ao

Alferes Miliciano Luís Manuel Ramos Carvalho

Falecido em combate em Moçambique, a 04 de Novembro de 1967

Condecorado com Cruz de Guerra de 1.ª classe, a título póstumo

1. Identificação e Origem

Luís Manuel Ramos de Carvalho, Alferes Miliciano Atirador e de Operações Especiais, número 05275163.

Natural da freguesia de Campanhã, concelho do Porto, filho de Hernâni Ferreira Carvalho e de Elisa Tavares Nogueira Ramos Carvalho.

Era casado com Maria Emília Mano Cerqueira de Carvalho.

Mobilizado pelo Regimento de Infantaria 16 - Évora, para servir a Pátria na Província Ultramarina de Moçambique.

Encontra-se sepultado no Cemitério de Agramonte, no Porto.

2. Enquadramento da Unidade

Integrou a Companhia de Caçadores 1502 do Batalhão de Caçadores 1878 (Regimento de Infantaria 16 – Évoa) como comandante de um grupo de combate, unidade cuja divisa era "Nobre e Brava".

O Batalhão era comandado pelo Tenente-Coronel de Infantaria Manuel da Conceição Matos Silva, e a Companhia de Caçadores 1502 pelo Capitão de Infantaria José de Almeida Nolasco Pinto.

A unidade embarcou no NTT ‘Vera Cruz’ a 12 de Janeiro de 1966 e desembarcou na Beira a 6 de Fevereiro de 1966, ficando colocada em Mocuba, onde rendeu o Batalhão de Cavalaria 571.

3. Percurso Operacional

A Companhia de Caçadores 1502 desembarcou na Beira e foi colocada em Morrumbala, onde rendeu a Companhia de Cavalaria 569.

Estabeleceu um destacamento de pelotão em Namuanza, até 11 de Junho de 1966.

De 11 de Agosto a 01 de Novembro de 1966 reforçou, com 1 pelotão, a Companhia de Caçadores de Milange.

De Fevereiro de 1966 a Janeiro de 1967, efectuou patrulhamentos e contacto com a população prestando-lhe assistência medicamentosa.

Em Janeiro de 1967 foi transferida, por troca com a Companhia de Cavalaria 1508 do Batalhão de Cavalaria 1880, de Morrumbala para Miteda. De 14 de Janeiro a 17 de Maio de 1967 guarneceu Nangololo com 1 pelotão.

De Janeiro a Novembro de 1967, submetida a intensa actividade operacional, efectuou abertura de itinerários, escoltas a colunas logísticas, patrulhamentos e nomadizações, nomeadamente as operações "Lá Vai Aço" (entre Cunamadudo e monte Sigingombe) e "Corta-Mato" (região de Damussa). Tomou parte nas operações "Castanha", "Martelada", "Trolha", "Hiena", "Polvo", "Leão Bravo", "Leão Manhoso" e "Coruja".

4. O Sacrifício - 04 de Novembro de 1967

No dia 04 de Novembro de 1967, comandando o seu Pelotão numa patrulha em zona de terrorismo intenso no Planalto dos Macondes, região de Miteda, foi accionada uma armadilha inimiga.

Ao ouvir o estampido do detonador, deu o alarme e recusou abrigar-se sem se certificar que todo o pessoal estava abrigado, preocupando-se com a segurança dos outros em prejuízo da sua própria.

Atingido gravemente por estilhaços, faleceu horas depois na enfermaria do Sector "B", em Mueda, vítima de ferimentos em combate.

Mesmo mortalmente ferido, manteve extraordinária calma e serenidade, insistindo para que fossem primeiro socorridos os restantes feridos, de menor gravidade.

5. Louvor e Condecoração

Por Portaria de 30 de Julho de 1968, publicada na Ordem do Exército n.º 16 - 2ª série de 1968, foi condecorado a título póstumo com a Medalha da Cruz de Guerra de 1.ª Classe:

Alferes Miliciano de Infantaria
LUÍS MANUEL RAMOS CARVALHO
 

CCac 1502/BCac 1878 - RI 16
MOÇAMBIQUE


1.ª CLASSE (Título póstumo)


Transcrição da Portaria publicada na OE n.º 16 - 2.ª série, de 1968.


Por Portaria de 30 de Julho de 1968:


Condecorado, a título póstumo, com a Cruz de Guerra de 1.ª classe, ao abrigo dos artigos 9.º e 10.º do Regulamento da Medalha Militar, de 28 de Maio de 1946, por serviços prestados em acções de combate na Província de Moçambique, o Alferes Miliciano de Infantaria, Luís Manuel Ramos Carvalho, da Companhia de Caçadores n.º 1508/Batalhão de Caçadores n.º 1878 — Regimento de Infantaria n.º 16.


Transcrição do louvor que originou a condecoração.


(Por Portaria da mesma data, publicada naquela OE):


Louvado, a título póstumo, o Alferes Miliciano de Infantaria, Luís Manuel Ramos Carvalho, da Companhia de Caçadores n.º 1503/Batalhão de Caçadores n.º 1878 — Regimento de Infantaria n.º 16, pela forma valorosa e meritória como sempre comandou o seu Grupo de Combate, em operações, escoltas e patrulhamentos durante os vinte e um meses que serviu em comissão em Moçambique.

 

Dotado de decisão, coragem e noção do dever invulgares, sempre marchou na frente do seu Pelotão, especialmente em situações em que se previa maior perigo, incutindo, pelo seu exemplo, coragem e agressividade, entusiasmo, desprezo pelo perigo e espírito de missão ao seu pessoal.

 

Muito leal para com os superiores e subordinados, dotado de excelente sentido de justiça, animado de extraordinário espírito de camaradagem, voluntarioso, sempre disposto e sempre pronto para o desempenho de qualquer missão, contagiava o pessoal do seu Pelotão, que muito o estimava e considerava.

 

No dia 04 de Novembro de 1967, comandando o seu Pelotão numa das muitas patrulhas que realizou em zona de terrorismo intenso, no planalto dos Macondes, foi accionada uma armadilha inimiga. Com a coragem e abnegação que sempre o caracterizavam, ao ouvir o estampido do detonador, deu o alarme e não se quis abrigar sem se certificar de que todo o pessoal estava abrigado, preocupando-se com a segurança dos outros em prejuízo da sua própria.

 

Tendo sido atingido gravemente por estilhaços de que veio a falecer horas depois, deu provas de invulgar coragem moral, mantendo extraordinária calma e serenidade, menosprezando os seus próprios ferimentos e insistindo para que fossem primeiro socorridos os restantes feridos, que eram de menos gravidade, embora estivesse mortalmente ferido, a todos impressionando com a sua atitude.


Pelas qualidades que revelou durante a sua actuação na Região Militar de Moçambique, e principalmente pelo seu comportamento nesta acção, em que perdeu a vida, classificou-se o Alferes Ramos de Carvalho como um oficial muito corajoso e valoroso, sendo os serviços que prestou de muito mérito e muito brilho para o Exército e para a Nação.

 

Tal louvor é igualmente citado na publicação do Jornal do Exército n.º 110, de Fevereiro de 1969, pág. 56, sob o título "Honra e Glória":

 

 

6. Legado - O Memorial da Cidade do Porto

O seu nome encontra-se gravado para a eternidade no Memorial aos Combatentes do Ultramar em homenagem aos naturais do Porto, erigido na freguesia de Lordelo do Ouro, no Porto, mesmo ao lado da Capela do Senhor e da Senhora da Ajuda, na Rua da Senhora da Ajuda.

Projetado pelo arquiteto Rodrigo Brito e inaugurado em 2021, por iniciativa da Associação para o Monumento de Homenagem aos Militares do Porto que Combateram no Ultramar com o apoio da Câmara Municipal do Porto, o memorial consiste numa praça hexagonal que acolhe o espaço de homenagem.

A praça é composta por cinco lápides e oito bancos, todos revestidos a granito, onde estão inscritos os nomes dos militares da cidade do Porto que combateram e tombaram na Guerra do Ultramar entre 1961 e 1974.

Ali, entre os seus camaradas do Porto, o Alferes Luís Manuel Ramos Carvalho continua presente na Cidade que o viu nascer, como testemunho vivo de "Conduta Nobre e Brava".

Paz à sua Alma.

 

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