
1.º Cabo Atirador n.º 10685867
Companhia de
Caçadores 2366
«PERIQUITO ATREVIDO»
Batalhão de Caçadores 2845
«SEMPRE EXCELENTES E VALOROSOS»
Guiné: 06Mai a
06Dez1968 (data do falecimento)
Em Memória e
Homenagem ao
1.º Cabo Atirador n.º 10685867
Manuel Campos da Silva
CCac 2366 «PERIQUITO ATREVIDO»
BCac 2845 - «SEMPRE EXCELENTES E
VALOROSOS»
Falecido em Serviço da
Pátria - 06 de Dezembro de 1968
I - Identificação
e Origens
O 1.º Cabo Atirador n.º 10685867,
Manuel Campos da Silva, era natural da freguesia de
Vilarinho das Cambas, concelho de Vila Nova de
Famalicão,
filho
de José Fernandes da Silva e de Maria das Dores da
Costa Campos.
Era casado com Maria José da Silva
Pinheiro. Cumpria o seu dever militar como
mobilizado pelo Batalhão de Caçadores n.º 10 –
CHAVES,
Unidade
Mobilizadora do Batalhão de Caçadores n.º 2845.
Faleceu no dia 06 de Dezembro de
1968, no Hospital Militar 241 (HM241 – Bissau), em
consequência de ferimentos em combate ocorridos no
dia anterior, 05 de Dezembro de 1968, no subsector
de Jolmete. Encontra-se sepultado no Cemitério
Paroquial de São Martinho de Bougado, concelho de
Santo Tirso.
II - A Mobilização
e a Partida para a Guiné
No
dia 01 de Maio de 1968, na Gare Marítima da Rocha do
Conde de Óbidos, em Lisboa, embarcou no Navio de
Transporte de Tropas ‘Niassa’, integrado num grupo
de combate da
Companhia
de Caçadores 2366 (CCac2366) do Batalhão de
Caçadores 2845 (BCac2845).
A CCac 2366, cujo lema era «PERIQUITO
ATREVIDO» - como bem mostra o seu distintivo,
com o periquito empunhando a metralhadora - e o BCac
2845, cuja divisa era «Sempre Excelentes e
Valorosos», desembarcaram no estuário do Geba,
em Bissau, no dia 06 de Maio de 1968, para iniciar a
sua comissão na Guiné.
A CCac 2366 era comandada pelo
Capitão Miliciano de Artilharia Fernando Lourenço
Barbeitos.
III -
Enquadramento Operacional no Teatro de Operações
Em
07 de Maio de 1968, rendendo o BCaç 1911, o BCac
2845 assumiu a responsabilidade do Sector O1-A, a
partir de 04 de Outubro de 1968 designado por Sector
O5, com sede em Teixeira Pinto.
A
sua zona de acção abrangia os subsectores de Cacheu,
Có, Jolmete e Teixeira Pinto e, a partir de 29 de
Abril de 1969, o subsector de Pelundo, então criado.
Em 01 de Dezembro de 1968, a zona de acção foi
reduzida do subsector de Có,
transferido
para a zona de acção do BCav 1915.
A CCac 2366 «PERIQUITO ATREVIDO»
seguiu em 06 de Maio de 1968 para Teixeira Pinto, a
fim de efectuar o treino operacional e,
seguidamente, reforçar o dispositivo e manobra do
seu Batalhão. Em 05 de Junho de 1968, por troca com
a CCaç 1622, assumiu a responsabilidade do subsector
de Jolmete, onde o 1.º Cabo Campos da Silva viria a
tombar.
IV - Actividade
Operacional até à Data do Sacrifício
De Junho a Dezembro de 1968, o 1.º
Cabo Campos da Silva esteve sempre presente nas
operações em que tomou parte o seu Grupo de Combate.
O Batalhão desenvolveu intensa
actividade operacional de patrulhamentos, escoltas e
emboscadas, com vista à neutralização do esforço
inimigo em atingir o “Chão Manjaco” e à destruição
das bases inimigas existentes na sua zona.
Simultaneamente, exerceu uma constante acção
psicossocial sobre as populações, promovendo o seu
desenvolvimento e o melhoramento das suas condições.
Pelos resultados obtidos ou pela sua
duração, efectivos e importância das áreas batidas,
destacam-se as operações “Acetileno”, “Apalpar” e
“Alpista”, entre outras.
V - O Combate de
Jolmete e o Sacrifício Supremo
No dia 05 de Dezembro de 1968, o 1.º
Cabo Campos da Silva integrava uma escolta de
reabastecimento em Jolmete. A coluna foi apanhada
numa emboscada montada pelo Inimigo, em campo aberto
e debaixo de fogo intenso, ficando uma viatura
atingida e imobilizada na zona de morte.
Nesse momento crítico, correu para a
zona de morte da emboscada e, à frente da viatura
atingida, susteve com a sua bazuca um numeroso grupo
In
armado. Tendo o seu municiador sido gravemente
ferido logo no início da emboscada, ele próprio
colocou as granadas na arma, disparando em direcção
da mata e contra o adversário.
No auge da luta, quando no seio das
Nossas Tropas já se contavam alguns feridos graves,
também ele foi atingido mortalmente, vindo a falecer
no dia seguinte no HM 241, em Bissau.
Prostrado no solo, ainda moribundo,
insuflou aos seus camaradas, que se abeiraram dele,
ânimo e coragem para prosseguirem a luta.
VI - Condecoração
e Louvor a Título Póstumo - Transcrição Integral
Pelo seu valor foi agraciado e
louvado a título póstumo, conforme documentação
oficial:
1. Condecoração -
Cruz de Guerra de 4.ª Classe:
Transcrição do Despacho publicado
na OE n.º 4 – 3.ª série, de 1970.
Agraciado com a Cruz de Guerra de
4.ª classe, nos termos do artigo 12.º
do
Regulamento da Medalha Militar, promulgado pelo
Decreto n.º 35 667, de 28 de Maio de 1946, por
despacho do Comandante-Chefe das Forças Armadas da
Guiné, de 24 de Novembro de 1969:
A título póstumo, o 1.º Cabo n.º
10685867, Manuel Campos da Silva, da Companhia de
Caçadores n.º 2366/Batalhão de Caçadores n.º 2845 –
Batalhão de Caçadores n.º 10.
2. Louvor que
originou a condecoração:
Transcrição do louvor que originou
a condecoração.
(Publicado na OS n.º 40, de 25 de Setembro de 1969,
do QG/CTIG):
Louvado, a título
póstumo, o 1.º Cabo n.º 10685867, Manuel Campos da
Silva, da CCac 2366, porque em todas as operações em
que tomou parte, patenteou sempre raras qualidades
de combatente, com forte determinação, poder
agressivo, apego à luta, sangue frio e serenidade
sob fogo In, notável sentido de entreajuda e elevado
espirito de missão.
Numa escolta de
reabastecimento em 05 de Dezembro de 1968, em campo
aberto e debaixo de fogo intenso, correu para a zona
de morte da emboscada montada pelo In e, à frente de
uma viatura atingida e imobilizada pelo fogo,
susteve com a sua bazooka um numeroso grupo In
armado. Vendo gravemente ferido a seu lado o
municiador que o acompanhava, atingido logo no
início da emboscada, ele próprio colocou as granadas
na arma, disparando em direcção da mata e contra o
adversário. No auge da luta, quando no seio das NT
já se contavam alguns feridos graves, também ele foi
atingido mortalmente.
Prostrado no solo,
ainda moribundo, insuflou aos seus camaradas, que se
abeiraram dele, ânimo e coragem para prosseguirem a
luta.
O 1.º Cabo Campos
Silva esteve sempre presente nas operações em que
tomava parte o seu Grupo de Combate e pelas suas
qualidades de carácter era digno da estima e
consideração de todos, superiores e camaradas.
Com o seu nobre
exemplo e valoroso acto resultou brilho e honra para
as Forças Armadas e para a Nação.
VII - Legado e
Homenagem Final
O 1.º Cabo Manuel Campos da Silva
cumpriu integralmente o seu dever de soldado. Tombou
de arma na mão, em acto de supremo altruísmo e
coragem, protegendo os seus camaradas e a sua
coluna, honrando até ao último alento o lema da sua
Companhia.
Honrou a farda do BC 10 – Chaves,
honrou o lema «PERIQUITO ATREVIDO» da CCac
2366, honrou a divisa do BCac 2845 «Sempre
Excelentes e Valorosos», honrou o seu
Comandante, Capitão Fernando Lourenço Barbeitos, e
honrou sobretudo os seus camaradas de Jolmete.
Que a sua Cruz de Guerra de 4.ª
Classe, conquistada com sangue em Jolmete, nunca
seja esquecida. Que o seu nome perdure no rol dos
que deram a vida pela Pátria.
À Família, o nosso profundo respeito.
Ao 1.º Cabo Manuel Campos da Silva, a nossa eterna
continência.
Honra e Glória!
