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Monumentos aos Combatentes e Campas

Em memória daqueles que tombaram em defesa de

Portugal na Guerra do Ultramar

 

Vila Franca do Campo

 

Para visualização dos conteúdos clique nos sublinhados exitentes a seguir

 

Listagem dos mortos naturais do concelho de Vila Franca do Campo

 

Vila Franca do Campo

 

Emanuel Aires Pacheco de Melo

 

Furriel Mil.º Atirador, n.º 00429867

 

Companhia de Caçadores 2620

 

Batalhão de Caçadores 2894

«AUDÁCIA PARA VENCER»

 

Moçambique: 23Nov1969 a 19Jul1970 (data do falecimento)

 

Cruz de Guerra de 4.ª classe

(A título póstumo)

 

Em Memória e Homenagem ao

Furriel Mil.º Emanuel Aires Pacheco de Melo

1. Identificação e Origem

Emanuel Aires Pacheco de Melo nasceu na Freguesia e Concelho de Vila Franca do Campo, Ilha de São Miguel, Açores, filho de José de Melo e de Georgina do Rosário Pacheco.

Era solteiro, com o número de identificação militar 00429867. Cumpriu o seu dever militar como Furriel Miliciano Atirador, da Arma de Infantaria. A sua Unidade Mobilizadora era o Batalhão de Caçadores N.º 10, de Chaves.

Está inumado no Cemitério de Santo Amaro, em Vila Franca do Campo.

2. Percurso Militar e Mobilização para o Ultramar

No dia 31 de Outubro de 1969, na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, em Lisboa, embarcou no NTT ‘Vera Cruz’, integrado num grupo de combate da Companhia de Caçadores 2620 (CCac2620) do Batalhão de Caçadores 2894 (BCac2894) «AUDÁCIA PARA VENCER».

Após viagem marítima, desembarcou em Mocímboa da Praia, distrito de Cabo Delgado, em Moçambique, no dia 23 de Novembro de 1969, para cumprir comissão de serviço no Teatro de Operações de Moçambique.

3. Teatro de Operações – A Actividade da CCac2620 até 19Jul1970

A CCaç 2620 desembarcou em Mocimboa da Praia e foi colocada em Negomano, onde rendeu a CCav 2377/BCav 2848.

De Nov69 a Fev71, efectuou em permanência patrulhamentos e nomadizações, nomeadamente as operações: "Gaivota" (margem sul do rio Rovuma), "Andando" (entre os vales dos rios Ninga e Ligiére), "Inspeccionar" (vale do rio Ninga), "Gavião 2" (Nassombe) e "Descendo" (Negomano).

Esta actividade intensa foi o contexto operacional em que o Furriel Melo se distinguiu até ao seu sacrifício em 19 de Julho de 1970, durante a Operação "Gavião". A Companhia só viria a ser rendida em Negomano em Fevereiro de 1971.

4. O Comando da Subunidade

À data da sua morte, a CCac2620/BCac2894 «AUDÁCIA PARA VENCER» era comandada pelo Capitão Miliciano Carlos Alberto da Silva Pereirinha, que testemunhou e propôs o reconhecimento do seu valor.

5. Circunstâncias do Sacrifício

No dia 19 de Julho de 1970, durante a Operação "Gavião", na região de Negomano, o Furriel Melo foi vítima do accionamento de uma mina anti-pessoal, do qual resultou grave mutilação.

A ficha de serviço regista: Data do Falecimento 19 de Julho de 1970 (a) No Hospital Militar N.º 125, em Nampula (b) Causas da Morte: Ferimentos em combate - Accionamento de mina anti-pessoal.

6. O Louvor que Originou a Condecoração

Por despacho de 03 de Julho de 1971, o Comandante-Chefe das Forças Armadas de Moçambique louvou, a título póstumo, o Furriel Miliciano de Infantaria Emanuel Aires Pacheco de Melo. O louvor foi publicado na Ordem de Serviço n.º 61, de 31 de Julho de 1971, do QG/RMM:

Que, por seu despacho de 03Jul71, louvou, a título póstumo, o Furriel Miliciano de Infantaria, Emanuel Aires Pacheco de Melo, da CCac 2620/BCac 2894 – BC 10, pela forma abnegada como, durante a operação "Gavião", reagiu aos ferimentos causados pelo accionamento de mina anti-pessoal, em consequência dos quais sofreu grave mutilação. Apercebendo-se dos perigos que corriam os camaradas idos em seu auxílio, procurou mantê-los afastados e, corajosamente, tentava aplicar em si mesmo um torniquete quando foi retirado da sua crítica situação.

A constante vontade de bem cumprir, bem como a coragem e o desprezo pelo perigo, notórios na forma como comandou a sua Secção, ocupando sempre os lugares de maior risco, e a maneira corajosa como, auxiliado por um seu camarada, pôs a descoberto perigoso engenho explosivo, fazem considerar o Furriel Melo, um elemento cujos serviços devem ser considerados de muito mérito, prestigiantes para as Forças Armadas e que o tornam merecedor do público testemunho que este louvor lhe concede.

7. A Condecoração – Cruz de Guerra de 4.ª Classe, a Título Póstumo

Foi agraciado com a Cruz de Guerra de 4.ª classe, a título póstumo, nos termos do artigo 12.º do Regulamento da Medalha Militar, promulgado pelo Decreto n.º 35 667, de 28 de Maio de 1946, por despacho do Comandante-Chefe das Forças Armadas de Moçambique, de 24 de Agosto de 1971.

Despacho publicado na Ordem do Exército n.º 35 – 3.ª série, de 1971.

8. A Imposição Solene da Condecoração – 10 de Junho de 1972

No dia 10 de Junho de 1972, perante as Forças Armadas Portuguesas reunidas em parada na Praça Gonçalves Zarco, em Ponta Delgada, o Comando Territorial Independente dos Açores promoveu as cerimónias do Dia de Portugal.

A cerimónia foi presidida pelo Governador do Distrito Autónomo, Coronel Basílio de Oliveira Seguro, acompanhado do Governador Militar, General Dias Costa.

Nessa parada solene, foi imposta a Cruz de Guerra de 4.ª classe, a título póstumo, ao Furriel Miliciano Emanuel Aires Pacheco de Melo. A condecoração foi recebida por seu pai, o Senhor José de Melo, de Vila Franca do Campo.

Comemorações do Dia de Portugal - Ponta Delgada, 10Jun1972.

Imposição de condecorações. Para visualizar quem são os outros condecorados - clique aqui


9. O Monumento aos Combatentes Mortos no Ultramar – 10Jun1994

Vinte e dois anos depois, a sua terra natal prestou-lhe a mais duradoura homenagem.

Conforme notícia publicada na Revista "Combatente" de Junho de 1994, no dia 10 de Junho de 1994, Dia de Portugal, em Vila Franca do Campo, primeira capital da Ilha de S. Miguel, foi inaugurado um monumento em memória dos Combatentes do Ultramar, onde estão inscritos os nomes dos naturais do Concelho que caíram no campo da Honra.

Este monumento foi da iniciativa do Presidente da Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, José Estevam Pacheco de Melo, ele também combatente, com o apoio da edilidade. Foi colocado no bairro mais moderno da Vila e junto de uma rua com o nome "Combatentes do Ultramar", tendo sido idealizado pelo próprio Presidente da Câmara, utilizando uma pedra de basalto negro abundante nestas ilhas.

A cerimónia de inauguração foi presidida pelo Presidente do Governo Regional, Dr. Mota Amaral, estando presentes o General Comandante Operacional, os Comandantes Naval e Militar, membros do governo, autoridades autárquicas e militares e o Presidente do Núcleo Regional da Liga dos Combatentes.

Após o descerramento do Monumento, com as devidas Honras Militares, foram depostas coroas de flores, tendo o Presidente da Câmara proferido uma breve e significativa alocução. Seguidamente as autoridades presentes apresentaram cumprimentos aos familiares dos Combatentes que tombaram no cumprimento do dever no Ultramar.

Na rocha de basalto onde estão inscritos os nomes, para além do de Emanuel Aires Pacheco de Melo, constam os de: José Maria Furtado, José Jacinto Rodrigues, António dos Santos Pacheco, João Natalino Vales, João Manuel Simas Amaral, António Mota Martins, José Medeiros Machado, João Manuel Santos e Mariano José Rebelo.

Nota: Naquele memorial faltam os nomes de 3 militares naturais de Vila Franca do Campo

Como então foi dito pelo Presidente da Câmara, que aquela rocha, pedaço das rochas que moldaram o carácter de todos os ilhéus, e sobre as quais viveram, seja a homenagem singela de todos os habitantes desta velha URBE – VILA FRANCA, e lembre às gerações de hoje e de amanhã, que os Caminhos da Paz, da Concórdia e do Amor, são os que desejamos para os nossos filhos, e para aqueles que nos hão-de seguir.

10. Memória e Homenagem Final

O nome do Furriel Melo está, assim, perpetuado de três formas: no Cemitério de Santo Amaro, onde repousa; na Praça Gonçalves Zarco, onde o seu pai recebeu a sua Cruz de Guerra em 1972; e no Monumento de Basalto Negro de Vila Franca do Campo, inaugurado em 1994, onde o seu nome figura entre os filhos da terra que deram a vida por Portugal.

A Liga dos Combatentes continua a honrá-lo anualmente, como aconteceu no Dia de Finados de 2020, junto ao seu jazigo, em Vila Franca do Campo, com deposição de coroa de flores e prece.

Honra e Glória. Paz à sua Alma. A sua coragem permanece viva no coração dos seus irmãos de armas.

 

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