1.
Identificação e Origem
Emanuel
Aires Pacheco de Melo nasceu na Freguesia e Concelho
de Vila Franca do Campo, Ilha de São Miguel, Açores,
filho de José de Melo e de Georgina do Rosário
Pacheco.
Era solteiro, com o número de
identificação militar 00429867. Cumpriu o seu dever
militar como Furriel Miliciano Atirador, da Arma de
Infantaria. A sua Unidade Mobilizadora era o
Batalhão de Caçadores N.º 10, de Chaves.
Está inumado no Cemitério de Santo
Amaro, em Vila Franca do Campo.
2.
Percurso Militar e Mobilização para o Ultramar
No
dia 31 de Outubro de 1969, na Gare Marítima da Rocha
do Conde de Óbidos, em Lisboa, embarcou no NTT ‘Vera
Cruz’,
integrado
num grupo de combate da Companhia de Caçadores 2620
(CCac2620) do Batalhão de Caçadores 2894 (BCac2894)
«AUDÁCIA PARA VENCER».
Após viagem marítima, desembarcou
em Mocímboa da Praia, distrito de Cabo Delgado, em
Moçambique, no dia 23 de Novembro de 1969, para
cumprir comissão de serviço no Teatro de Operações
de Moçambique.
3.
Teatro de Operações – A Actividade da CCac2620 até
19Jul1970
A
CCaç 2620 desembarcou em Mocimboa da Praia e foi
colocada em Negomano, onde rendeu a CCav 2377/BCav
2848.
De
Nov69 a Fev71, efectuou em permanência
patrulhamentos e nomadizações, nomeadamente as
operações: "Gaivota" (margem sul do rio Rovuma),
"Andando" (entre os vales dos rios Ninga e Ligiére),
"Inspeccionar" (vale do rio Ninga), "Gavião 2"
(Nassombe) e "Descendo" (Negomano).
Esta actividade intensa foi o
contexto operacional em que o Furriel Melo se
distinguiu até ao seu sacrifício em 19 de Julho de
1970, durante a Operação "Gavião". A Companhia só
viria a ser rendida em Negomano em Fevereiro de
1971.
4. O
Comando da Subunidade
À data da sua morte, a
CCac2620/BCac2894 «AUDÁCIA PARA VENCER» era
comandada pelo Capitão Miliciano Carlos Alberto da
Silva Pereirinha, que testemunhou e propôs o
reconhecimento do seu valor.
5.
Circunstâncias do Sacrifício
No dia 19 de Julho de 1970,
durante a Operação "Gavião", na região de Negomano,
o Furriel Melo foi vítima do accionamento de uma
mina anti-pessoal, do qual resultou grave mutilação.
A ficha de serviço regista: Data
do Falecimento 19 de Julho de 1970 (a) No Hospital
Militar N.º 125, em Nampula (b) Causas da Morte:
Ferimentos em combate - Accionamento de mina
anti-pessoal.
6. O
Louvor que Originou a Condecoração
Por despacho de 03 de Julho de
1971, o Comandante-Chefe das Forças Armadas de
Moçambique louvou, a título póstumo, o Furriel
Miliciano de Infantaria Emanuel Aires Pacheco de
Melo. O louvor foi publicado na Ordem de Serviço n.º
61, de 31 de Julho de 1971, do QG/RMM:
Que, por seu despacho de
03Jul71, louvou, a título póstumo, o Furriel
Miliciano de Infantaria, Emanuel Aires Pacheco de
Melo, da CCac 2620/BCac 2894 – BC 10, pela forma
abnegada como, durante a operação "Gavião", reagiu
aos ferimentos causados pelo accionamento de mina
anti-pessoal, em consequência dos quais sofreu grave
mutilação. Apercebendo-se dos perigos que corriam os
camaradas idos em seu auxílio, procurou mantê-los
afastados e, corajosamente, tentava aplicar em si
mesmo um torniquete quando foi retirado da sua
crítica situação.
A constante vontade de bem
cumprir, bem como a coragem e o
desprezo
pelo perigo, notórios na forma como comandou a sua
Secção, ocupando sempre os lugares de maior risco, e
a maneira corajosa como, auxiliado por um seu
camarada, pôs a descoberto perigoso engenho
explosivo, fazem considerar o Furriel Melo, um
elemento cujos serviços devem ser considerados de
muito mérito, prestigiantes para as Forças Armadas e
que o tornam merecedor do público testemunho que
este louvor lhe concede.
7. A
Condecoração – Cruz de Guerra de 4.ª Classe, a
Título Póstumo
Foi agraciado com a Cruz de Guerra
de 4.ª classe, a título póstumo, nos termos do
artigo 12.º do Regulamento da Medalha Militar,
promulgado pelo Decreto n.º 35 667, de 28 de Maio de
1946, por despacho do Comandante-Chefe das Forças
Armadas de Moçambique, de 24 de Agosto de 1971.
Despacho publicado na Ordem do
Exército n.º 35 – 3.ª série, de 1971.
8. A
Imposição Solene da Condecoração – 10 de Junho de
1972
No dia 10 de Junho de 1972,
perante as Forças Armadas Portuguesas reunidas em
parada na Praça Gonçalves Zarco, em Ponta Delgada, o
Comando Territorial Independente dos Açores promoveu
as cerimónias do Dia de Portugal.
A cerimónia foi presidida pelo
Governador do Distrito Autónomo, Coronel Basílio de
Oliveira Seguro, acompanhado do Governador Militar,
General Dias Costa.
Nessa parada solene, foi imposta a
Cruz de Guerra de 4.ª classe, a título póstumo, ao
Furriel Miliciano Emanuel Aires Pacheco de Melo. A
condecoração foi recebida por seu pai, o Senhor José
de Melo, de Vila Franca do Campo.

Comemorações do Dia de Portugal -
Ponta Delgada, 10Jun1972.
Imposição de condecorações. Para
visualizar quem são os outros condecorados -
clique aqui
9. O Monumento aos Combatentes Mortos no Ultramar –
10Jun1994
Vinte e dois anos depois, a sua
terra natal prestou-lhe a mais duradoura homenagem.
Conforme notícia
publicada na Revista "Combatente" de Junho de 1994,
no dia 10 de Junho de 1994, Dia de Portugal, em Vila
Franca do Campo, primeira capital da Ilha de S.
Miguel, foi inaugurado um monumento em memória dos
Combatentes do Ultramar, onde estão inscritos os
nomes dos naturais do Concelho que caíram no campo
da Honra.
Este monumento foi da iniciativa
do Presidente da Câmara Municipal de Vila Franca do
Campo, José Estevam Pacheco de Melo, ele também
combatente, com o apoio da edilidade. Foi colocado
no bairro mais moderno da Vila e junto de uma rua
com o nome "Combatentes do Ultramar", tendo sido
idealizado pelo próprio Presidente da Câmara,
utilizando uma pedra de basalto negro abundante
nestas ilhas.
A cerimónia de inauguração foi
presidida pelo Presidente do Governo Regional, Dr.
Mota Amaral, estando presentes o General Comandante
Operacional, os Comandantes Naval e Militar, membros
do governo, autoridades autárquicas e militares e o
Presidente do Núcleo Regional da Liga dos
Combatentes.
Após o descerramento do Monumento,
com as devidas Honras Militares, foram depostas
coroas de flores, tendo o Presidente da Câmara
proferido uma breve e significativa alocução.
Seguidamente as autoridades presentes apresentaram
cumprimentos aos familiares dos Combatentes que
tombaram no cumprimento do dever no Ultramar.
Na rocha de basalto onde estão
inscritos os nomes, para além do de Emanuel Aires
Pacheco de Melo, constam os de: José Maria Furtado,
José Jacinto Rodrigues, António dos Santos Pacheco,
João Natalino Vales, João Manuel Simas Amaral,
António Mota Martins, José Medeiros Machado, João
Manuel Santos e Mariano José Rebelo.
Nota:
Naquele memorial faltam os nomes de 3 militares
naturais de Vila Franca do Campo
Como então foi dito pelo
Presidente da Câmara, que aquela rocha, pedaço das
rochas que moldaram o carácter de todos os ilhéus, e
sobre as quais viveram, seja a homenagem singela de
todos os habitantes desta velha URBE – VILA FRANCA,
e lembre às gerações de hoje e de amanhã, que os
Caminhos da Paz, da Concórdia e do Amor, são os que
desejamos para os nossos filhos, e para aqueles que
nos hão-de seguir.
10.
Memória e Homenagem Final
O nome do Furriel Melo está,
assim, perpetuado de três formas: no Cemitério de
Santo Amaro, onde repousa; na Praça Gonçalves Zarco,
onde o seu pai recebeu a sua Cruz de Guerra em 1972;
e no Monumento de Basalto Negro de Vila Franca do
Campo, inaugurado em 1994, onde o seu nome figura
entre os filhos da terra que deram a vida por
Portugal.
A Liga dos Combatentes continua a
honrá-lo anualmente, como aconteceu no Dia de
Finados de 2020, junto ao seu jazigo, em Vila Franca
do Campo, com deposição de coroa de flores e prece.




Honra e Glória. Paz à sua Alma. A
sua coragem permanece viva no coração dos seus
irmãos de armas.
