Monumentos aos Combatentes,
Memoriais e Campas
Monumentos aos Combatentes e
Campas
(Listagens e imagens de memoriais e campas de antigos
combatentes)
Em
memória daqueles que tombaram em defesa
de
Portugal na Guerra do Ultramar
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cada um dos
sublinhados
Listagem dos mortos naturais do concelho
de
Murça

Freguesia de Jou
Jacinto de Jesus
Esteves

Soldado Atirador de Infantaria, n.º
10931671
Companhia de Caçadores
3466
«SEMPRE EXCELENTES E
VALOROSOS»
Moçambique: 04Nov1971 a 22Out1972 (data
do falecimento)
EM MEMÓRIA E HOMENAGEM
AO
SOLDADO JACINTO
DE JESUS ESTEVES
Soldado Atirador de Infantaria n.º 10931671 –
Companhia de Caçadores 3466
Falecido em Combate –
Tchirodzi, Moçambique – 22 de Outubro de 1972
1. IDENTIFICAÇÃO E
MEMÓRIA DO COMBATENTE
Jacinto de Jesus Esteves, Soldado
Atirador de Infantaria, com o número mecanográfico
10931671.
Faleceu ao serviço da Pátria no dia 22
de Outubro de 1972, na Região de Tchirodzi, Província
Ultramarina de Moçambique, em consequência de ferimentos
sofridos em combate. Causa da Morte: Ferimentos em
Combate.
O seu nome permanece inscrito, com
honra e saudade, na galeria dos que cumpriram até ao
último sacrifício o juramento de servir Portugal.
Repousa no Cemitério de Jou, sua terra
natal.
2. ORIGEM, FAMÍLIA E
RAÍZES
Natural do Lugar de Penabeice,
Freguesia de Jou, Concelho de Murça. Filho de Armindo
José e de Ana de Jesus Esteves.
Era casado com Maria Valdomira Almeida
Santos. Homem de origem humilde e trabalhadora do
interior transmontano, levou para a vida militar os
valores da sua terra: o sentido do dever, a resiliência
e a lealdade.
A sua ausência deixou luto na família,
na freguesia e em todos os que o conheceram, mas o seu
exemplo permanece como património moral da comunidade de
Jou.
3. ENQUADRAMENTO
MILITAR – A MOBILIZAÇÃO
Pertenceu
à Companhia de Caçadores 3466 – CCac 3466.
Subunidade
mobilizada pelo Batalhão de Caçadores 10 – BC10,
aquartelado em Chaves, herdeiro da divisa histórica
“SEMPRE EXCELENTES E VALOROSOS”.
Embora no quadro orgânico do Batalhão
de Caçadores 3865, a CCac 3466 foi preparada, instruída
e aprontada pelo BC10 para servir Portugal na Província
Ultramarina de Moçambique.
O seu Comandante de Companhia era o
Capitão Miliciano António Manuel dos Santos Reis, sob
cujo comando a subunidade cumpriu toda a sua comissão.
A Companhia usava por distintivo o
escudo com a corneta de Caçadores, os feixes de espigas
e a cabeça de águia, encimado pela divisa que foi o seu
lema de conduta: “SEMPRE EXCELENTES E VALOROSOS”.
4. PROJECÇÃO PARA O
ULTRAMAR
No dia 06 de Outubro de 1971, na Gare
Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, em Lisboa, o
Soldado Jacinto de Jesus Esteves embarcou, integrado num
grupo de combate da sua Companhia, a bordo do NTT ‘Niassa’,
rumo a África.
Após travessia marítima, desembarcou
no porto da cidade da Beira, em Moçambique, no dia 04 de
Novembro de 1971.
De
acordo com a ordem de operações, a CCac 3466 foi, à
chegada à Beira, retirada definitivamente do Batalhão de
Caçadores
3865.
Seguiu de imediato para o interior, para Marara, onde
foi colocada na dependência operacional do Comando
Operacional de Defesa de Cabora Bassa – CODCB, com sede
em Estima, cujo lema era “VIGILANTES E DECIDIDOS”.
5. ACTIVIDADE
OPERACIONAL ATÉ 22 DE OUTUBRO DE 1972
Em Março de 1972, mantendo a
subordinação operacional ao CODCB, a Companhia
instalou-se em Tchirodzi, que passou a ser a sua base
operacional e o teatro do sacrifício do Soldado Esteves.
Até à data da sua morte, a CCac 3466
desenvolveu intensa actividade operacional de
contraguerrilha, patrulhamentos, nomadizações e batidas
na zona mais sensível de Tete, caracterizada por terreno
difícil e contacto frequente com o inimigo.
Operou nas regiões de Marara,
Tchirodzi, Chissua, vales dos rios Mefidze, Tchirodzi,
Sanangoé, Nhancombe, margem direita do rio Zambeze e ao
longo da estratégica estrada Songo – Tete.
Neste período, participou, entre
outras, nas seguintes operações designadas pelo escalão
superior: Operação “Mosca 2”, Operação “Fauna”, Operação
“Flora”, Operação “Módulo”, Operação “Parábola”,
Operação “Marajá”, Operação “Fantástica 2, 4 e 5”,
Operação “Fidalgo 14”, Operação “Missiva 2 e 5” e
Operação “Renascimento”.
Foi neste contexto de operações
continuadas, de desgaste físico extremo, de isolamento e
de risco permanente, que o Soldado Jacinto de Jesus
Esteves cumpriu o seu dever como Atirador de Infantaria.
6. O DIA 22 DE OUTUBRO
DE 1972 – O SACRIFÍCIO SUPREMO
No dia 22 de Outubro de 1972, na
Região de Tchirodzi, no decurso de acção de combate
contra forças inimigas, o Soldado Atirador n.º 10931671
Jacinto de Jesus Esteves foi atingido mortalmente.
Tombou em combate, no cumprimento da
missão atribuída à sua Companhia, fiel ao juramento
prestado e solidário com os seus camaradas de armas. O
seu sacrifício ocorreu a menos de um ano após o
desembarque em Moçambique, no auge da actividade
operacional da CCac 3466 em Tchirodzi.
A sua morte foi sentida com profunda
consternação por toda a Companhia. Representa o preço
mais elevado pago por um soldado: a entrega da própria
vida ao serviço da Pátria.
7. HOMENAGEM E LEGADO
Passados mais de cinquenta anos, a
memória do Soldado Jacinto de Jesus Esteves permanece
viva.
Recordamo-lo não como um número de uma
estatística da Guerra do Ultramar, mas como um Homem, um
Transmontano, um Marido, um Filho, um Camarada que
partiu de Penabeice para defender, longe, uma terra que
era Portugal.
À sua Família, em especial à sua
esposa Maria Valdomira Almeida Santos, à Freguesia de
Jou e ao Concelho de Murça, prestamos o nosso respeito e
a nossa eterna gratidão.
Aos seus Camaradas da Companhia de
Caçadores 3466 e do Batalhão de Caçadores 10, que com
ele partilharam o pó de Tchirodzi e a dureza de Marara,
deixamos a certeza de que o seu sacrifício não foi em
vão e que o seu nome não será esquecido.
Que a sua alma descanse em paz. Que a
sua memória nos obrigue a honrar Portugal.
SEMPRE EXCELENTES E VALOROSOS!
Em honra do Soldado Atirador
Jacinto de Jesus Esteves – 10931671 – CCac 3466 / BC10 –
Falecido em Tchirodzi, Moçambique, a 22 de Outubro de
1972.
