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Monumentos aos Combatentes e Campas

Em memória daqueles que tombaram em defesa de

Portugal na Guerra do Ultramar

 

Freixo de Espada à Cinta

 

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Listagem dos mortos naturais do concelho de Freixo de Espada à Cinta

 

 

Freguesia de Freixo de Espada à Cinta

 

Manuel Brito Gaspar

 

Soldado Atirador de Infantaria, n.º 07697371

 

Companhia de Caçadores 3495

 

Batalhão de Caçadores 3874

«UBI GLORIA, OMNE PERICULUM DULCE»

 

Moçambique: 24Fev1972 a 28Fev1973 (data do falecimento)

 

EM MEMÓRIA E HOMENAGEM AO
SOLDADO ATIRADOR DE INFANTARIA MANUEL BRITO GASPAR
N.º 07697371

1. Identificação e Dados Biográficos

Manuel Brito Gaspar era Soldado Atirador de Infantaria, com o número mecanográfico 07697371.

Era natural da freguesia e concelho de Freixo de Espada à Cinta. Filho de António Lúcio Gaspar e de Maria da Assunção Brito, era casado com Cacilda Batista Antunes.

Tombou ao serviço da Pátria no dia 28 de Setembro de 1973, na região de M'Panze, distrito de Vila Pery, em Moçambique.

De acordo com a sua ficha militar, a causa da morte foram ferimentos em combate, em consequência da explosão de granada inimiga. O seu corpo jaz no Cemitério Paroquial de Oleiros.

Foi um dos jovens portugueses que, no cumprimento do dever militar, deu a vida longe da sua terra, deixando o nome inscrito na memória dos que com ele serviram.

2. Unidade de Mobilização e Unidade de Campanha

O Soldado Manuel Brito Gaspar foi mobilizado pelo Regimento de Infantaria 1 (RI1 - Amadora), unidade que ostenta o honroso lema «UBI GLORIA, OMNE PERICULUM DULCE» - Onde há glória, todo o perigo é doce.

Integrado num grupo de combate da Companhia de Caçadores 3495 do Batalhão de Caçadores 3874, o qual herdava o mesmo lema do seu Regimento mobilizador.

A Companhia era comandada pelo Capitão Miliciano Francisco A. S. Henriques, que com os seus homens cumpriu uma exigente comissão de serviço no Norte de Moçambique.

Servir na CCaç 3495 foi partilhar dos valores de camaradagem, sacrifício e sentido de missão que o lema do Batalhão tão bem traduz.

3. A Partida para Moçambique

No dia 23 de Fevereiro de 1972, no Aeródromo Base n.º 1 (AB1 - Figo Maduro, Lisboa), o Soldado Manuel Brito Gaspar embarcou em avião dos Transportes Aéreos Militares (TAM).

Seguia integrado num grupo de combate da sua Companhia de Caçadores 3495 / BCaç 3874, rumo à guerra que então se travava em Moçambique.

Após escala e travessia, desembarcou no dia 24 de Fevereiro de 1972 na Base Aérea n.º 10 (BA10 - Beira), porta de entrada para o Teatro de Operações onde iria cumprir a sua missão até ao sacrifício final.

4. Atividade Operacional da CCaç 3495 até 28 de Setembro de 1973

A CCaç 3495, após desembarcar na Beira, foi colocada em Omar, no planalto dos Macondes, onde rendeu a CCaç 3310 do BCaç 3834.

Para o cumprimento da sua missão, foi reforçada com meios importantes: 2 pelotões da CArt 3574 (de Junho de 1972 a Janeiro de 1973) e da CArt 7253/72 (de Março a Agosto de 1973), 1 pelotão de bocas de fogo da 2.ª Bateria de bocas de fogo do Grupo de Artilharia de Campanha 6 (GAC 6) e 1 pelotão de Sapadores da 1.ª Companhia de Sapadores (Minas) do Agrupamento de Engenharia da Região Militar de Moçambique (RMM).

De Março de 1972 a Agosto de 1973, período em que o Soldado Gaspar serviu ininterruptamente em Omar, a Companhia desenvolveu intensa atividade operacional. Efetuou, entre outras, as operações "Laço 19" e "Leal 4" na região de Cangolo, "Obturar" em Omar, "Obstinar" em Naliavo, Nantide e Beuli, "Obturar 4" em Lidele, Cachela e Omar, "Labor" a Norte de Bango, "Babilónia 2" entre o rio Nange e o lago Lidele, "Banqueta 2.ª fase" e "Banqueta 3.ª fase" nas regiões do planalto dos Macondes, e "Lacrau 3" entre Omar e o Posto de Abastecimento de Água N.º 34 (PAG 34).

A Companhia tomou ainda parte nas operações de maior envergadura "Obstar 19", "Orquídea" e "Barreira", operações conjuntas que marcaram o esforço militar português naquela zona de Moçambique.

Em Agosto de 1973, a CCaç 3495 foi rendida em Omar pela 1.ª Companhia de Cavalaria do Batalhão de Cavalaria 8421/73 e transferida para M'Panze, no distrito de Vila Pery. Foi nesta nova zona de aquartelamento e de operações, mais a sul, que o Soldado Manuel Brito Gaspar encontrou a morte em combate, a 28 de Setembro de 1973.

5. Memória e Homenagem Final

Recordar o Soldado Atirador Manuel Brito Gaspar é recordar um homem simples de Trás-os-Montes, casado, que deixou família e terra para servir Portugal numa guerra difícil e distante.

Cumpriu com honra até ao último momento. Não morreu numa parada ou num acidente, morreu em combate, vítima de granada inimiga, no pleno exercício da sua condição de atirador de Infantaria, protegendo os seus camaradas e cumprindo a missão que lhe foi confiada.

Aos seus camaradas da CCaç 3495 / BCaç 3874, aos que partilharam com ele o pó de Omar, o calor de M'Panze e o peso das operações no mato, fica o dever da memória. Aos seus familiares, de Freixo de Espada à Cinta a Oleiros, fica o nosso profundo respeito pela dor suportada.

Que o seu nome, Manuel Brito Gaspar - Soldado 07697371, permaneça inscrito não apenas nos livros da História da Guerra do Ultramar, mas no coração da sua Companhia e da sua Terra.

UBI GLORIA, OMNE PERICULUM DULCE.
Descansa em Paz, Soldado.

 

 

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