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Monumentos aos Combatentes e Campas

Em memória daqueles que tombaram em defesa de

Portugal na Guerra do Ultramar

 

Coruche

 

Para visualização dos conteúdos clique nos sublinhados que se seguem:

 

Listagem dos mortos naturais do concelho de Coruche

 

 

Freguesia do Couço

 

Victor Manuel Nunes

 

Soldado Condutor Auto-Rodas n.º 15264971

 

Companhia de Caçadores 3495

 

Batalhão de Caçadores 3874

«UBI GLORIA, OMNE PERICULUM DULCE»

 

Moçambique: 24Fev1972 a 28Fev1973 (data do falecimento)

 

MEMÓRIA E HOMENAGEM AO

SOLDADO CONDUTOR AUTO-RODAS N.º 15264971
VICTOR MANUEL NUNES

CCaç 3495 / BCaç 3874 - Moçambique 1972/1973

1. IDENTIFICAÇÃO DO MILITAR

Victor Manuel Nunes, Soldado Condutor Auto-Rodas n.º 15264971.

Era natural da Freguesia do Couço, Concelho de Coruche. Filho de António Nunes e de Clarisse Custódia. De estado civil solteiro.

Pertenceu à Companhia de Caçadores 3495 do Batalhão de Caçadores 3874 «UBI GLORIA, OMNE PERICULUM DULCE». O seu Batalhão e a sua Companhia herdaram o mesmo lema do Regimento que os mobilizou: «Onde há Glória, todo o perigo é doce».

Tombou em serviço da Pátria, na Região de M’Panze, em Moçambique, no dia 28 de Setembro de 1973, em consequência de ferimentos em combate - explosão de granada inimiga. Encontra-se sepultado no Cemitério de Coruche.

2. ORIGEM E MOBILIZAÇÃO

O Soldado Victor Manuel Nunes foi mobilizado pelo Regimento de Infantaria 1 (RI1 – Amadora).

O RI1, unidade mobilizadora de grande tradição, preparou e aprontou o Batalhão de Caçadores 3874 e as suas Companhias de Caçadores para o cumprimento de uma comissão de serviço no Ultramar, em plena Guerra do Ultramar.

A sua integração foi na Companhia de Caçadores 3495, comandada pelo Capitão Miliciano Francisco A. S. Henriques, com a qual partilhou toda a sua vida militar em campanha, o espírito de corpo e o sacrifício.

3. PROJEÇÃO PARA O TEATRO DE OPERAÇÕES DE MOÇAMBIQUE

No dia 23 de Fevereiro de 1972, no Aeródromo Base n.º 1 (AB1 – Figo Maduro, Lisboa), embarcou em avião dos Transportes Aéreos Militares (TAM), integrado num grupo de combate da Companhia de Caçadores 3495 do Batalhão de Caçadores 3874.

Após um voo transcontinental, característico da ponte aérea que ligava a Metrópole à Província, desembarcou no dia 24 de Fevereiro de 1972 na Base Aérea n.º 10 (BA10 – Beira), porta de entrada para o Teatro de Operações do Centro e Norte de Moçambique.

Ali iniciaria uma comissão de cerca de vinte meses, longe da sua terra do Couço, ao volante das viaturas da sua Companhia, função de enorme responsabilidade e risco permanente.

4. O CONTEXTO OPERACIONAL - A CCaç 3495 EM OMAR

A CCaç 3495 desembarcou na Beira e foi colocada em Omar, no Planalto dos Macondes, distrito de Cabo Delgado, rendendo a CCaç 3310/BCaç 3834.

Era uma das zonas mais duras e mais disputadas da guerra em Moçambique. Omar era um aquartelamento isolado, sujeito a flagelações, minas e emboscadas.

Para o cumprimento da sua missão, a Companhia recebeu reforços significativos: 2 pelotões da Companhia de Artilharia 3574 (de Jun72 a Jan73) e da CArt 7253/72 (de Mar a Ago73), 1 pelotão de bocas-de-fogo da 2.ª Bateria de bocas-de-fogo do Grupo de Artilharia de Campanha 6 e 1 pelotão de Sapadores da 1.ª Companhia de Sapadores (Minas) do Agrupamento de Engenharia da Região Militar de Moçambique.

O Soldado Condutor Auto-Rodas Victor Nunes foi, neste contexto, peça vital da manobra. Conduzir em pistas picadas por minas, sob ameaça constante, garantir o reabastecimento de água, víveres, munições e o transporte de homens para as operações, foi o seu combate diário.

5. A ATIVIDADE OPERACIONAL DA CCaç 3495 ATÉ 28 DE SETEMBRO DE 1973

De Março de 1972 a Agosto de 1973, a partir de Omar, a CCaç 3495 desenvolveu intensa atividade operacional, ofensiva e defensiva.

Foram suas as operações: "Laço 19" e "Leal 4", na região de Cangolo; "Obturar", na sua própria zona de Omar; "Obstinar", nas regiões de Naliavo, Nantide e Beuli; "Obturar 4", em Lidele, Cachela e Omar; "Labor", a Norte de Bango; "Babilónia 2", entre o rio Nange e o lago Lidele; "Banqueta 2.ª fase" e "Banqueta 3.ª fase", em pleno coração do planalto dos Macondes; e "Lacrau 3", entre Omar e o Posto de Abastecimento de Água N.º 34 (PAG 34).

Para além das operações de iniciativa da Companhia, tomou parte nas grandes operações de Batalhão e de Sector: "Obstar 19", "Orquídea" e "Barreira", que visavam a interdição das linhas de infiltração do inimigo vindas da Tanzânia.

Em Agosto de 1973, a CCaç 3495 foi rendida em Omar pela 1.ª Companhia de Cavalaria do Batalhão de Cavalaria 8421/73 e transferida para M’Panze, no distrito de Vila Pery, atual Chimoio, na região centro de Moçambique. Uma nova área, mas com a mesma missão e o mesmo perigo.

Foi nesta nova colocação, em M’Panze, que o seu destino se cumpriu.

6. O FALECIMENTO EM COMBATE

No dia 28 de Setembro de 1973, na Região de M’Panze, a CCaç 3495 envolveu-se em contacto com o inimigo.

No decorrer do combate, uma granada inimiga explodiu. O Soldado Condutor Auto-Rodas Victor Manuel Nunes foi atingido mortalmente, vindo a falecer em consequência dos graves ferimentos sofridos.

Cumpriu-se o lema que a sua Companhia trazia ao peito: «UBI GLORIA, OMNE PERICULUM DULCE». Morreu de armas na mão, ao serviço da sua Companhia e de Portugal, no cumprimento do dever militar que lhe fora atribuído.

Tinha cumprido quase toda a sua comissão, faltando-lhe pouco mais de quatro meses para o regresso.

7. MEMÓRIA E HOMENAGEM FINAL

Recordar Victor Manuel Nunes é recordar um jovem do Ribatejo, do Couço, que deixou a sua terra para servir numa guerra distante e dura.

É recordar o Condutor. Aquele que nunca virava a cara à pista, ao calor, ao pó, à mina escondida. Aquele de quem todos dependiam para que a Companhia se movesse, comesse e combatesse.

Não morreu num acidente. Morreu em combate. A sua morte não foi vã. Inscreve-se na longa lista de Portugueses que, independentemente de juízos sobre a guerra, cumpriram com lealdade, coragem e espírito de sacrifício o juramento que prestaram.

Que a sua memória permaneça viva entre os Camaradas da CCaç 3495 / BCaç 3874, entre a sua Família e na sua Terra de Coruche.

À Família enlutada, o respeito e a gratidão. Ao Soldado Victor Manuel Nunes, a honra e a glória devidas aos que tombaram.

Que a sua Alma descanse em Paz.

 

 

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