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Condecorações

António de Oliveira Simões, Furriel Mil.º de Cavalaria, da CCav2400/BCav2850

 

  "Pouco se fala hoje em dia nestas coisas mas é bom que para preservação do nosso orgulho como Portugueses, elas não se esqueçam"

 

Barata da Silva, Vice-Comodoro

HONRA E GLÓRIA  

 

 

António de Oliveira Simões

 

Furriel Mil.º Atirador de Cavalaria, n.º 02950166

 

Companhia de Cavalaria 2400

 

Batalhão de Cavalaria 2850

«NA GUERRA CONDUTA MAIS BRILHANTE»

«NOBRE LEAL CORAJOSO»

 

Moçambique: 11Ago a 06Dez1968 (data do falecimento)

 

Cruz de Guerra de 2.ª classe

(a título póstumo)

 

2 Louvores Coletivos

 

MEMÓRIA E HOMENAGEM

Ao Furriel Miliciano Atirador de Cavalaria António de Oliveira Simões, n.º 02950166

1. Identificação do Militar

António de Oliveira Simões nasceu em 1945, na freguesia e concelho de Oeiras, filho de Adérito Francisco Simões e de Angelina de Oliveira Veloso Simões, e era solteiro.

Furriel Miliciano Atirador de Cavalaria, com o número 02950166, tinha 23 anos de idade quando tombou em combate.

A sua ficha de registo indica como local de operação um monte entre os rios Duângua e Capoche, em Moçambique, e como local de sepultura o Cemitério de Chamusca, em Santarém.

Natural de Oeiras. Idade 23 anos. Faleceu a 6 de Novembro de 1968».

2. Mobilização e Partida para Moçambique

Foi mobilizado pelo Regimento de Cavalaria n.º 3 (RC 3 – Estremoz), «Dragões de Olivença», com a divisa «…Na Guerra Conduta Mais Brilhante», para servir Portugal na Província Ultramarina de Moçambique.

No dia 23 de Julho de 1968, na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, embarcou no NTT «Vera Cruz», integrado num grupo de combate da Companhia de Cavalaria 2400 (CCav 2400) do Batalhão de Cavalaria 2850 (BCav 2850), cuja divisa era «Na Guerra Conduta Mais Brilhante – Nobre Leal Corajoso», tendo desembarcado no porto da cidade da Beira no dia 11 de Agosto de 1968.

A sua subunidade foi colocada em Cassuende, onde rendeu a Companhia de Artilharia 2385 (CArt 2385), «O Céu, a Terra e as Ondas Atroando».

3. A Unidade e o Seu Comando

A subunidade a que pertenceu o Furriel Simões era a Companhia de Cavalaria n.º 2400, do Batalhão de Cavalaria n.º 2850, mobilizada pelo Regimento de Cavalaria n.º 3 – Estremoz.

O comando do Batalhão era o seguinte:

Comandante do BCav 2850, Tenente-Coronel de Cavalaria Rodrigo Maria Soares Cordeiro da Silveira;

2.º Comandante, Major de Cavalaria José Alberto dos Santos Teixeira;

Oficial de Informações e Operações / Adjunto, Major de Cavalaria Gabriel da Fonseca Dores; e

Comandantes de Companhia:

CCS – Capitão SGE Manuel Soares Pereira Júnior e Capitão SGE Manuel Martins Alves,

CCav 2398 – Capitão Miliciano Jorge Freitas Dias,

CCav 2399 – Capitão Miliciano António Manuel Syder Santiago,

e CCav 2400 – Capitão de Cavalaria Valdemar Couto Lopes Nóvoa.

O Batalhão embarcou em 23 de Julho de 1968 e desembarcou em 11 de Agosto de 1968, e o regresso, já sem o Furriel Simões, far-se-ia com embarque em 19 de Agosto de 1970.

4. Actividade Operacional da CCav 2400 até 6 de Novembro de 1968

A actividade que a seguir se descreve é a actividade da CCav 2400 tal como registada nas fontes da unidade, circunscrita ao período vivido pelo Furriel Simões, isto é, desde o desembarque na Beira, em 11 de Agosto de 1968, até ao seu falecimento, em 6 de Novembro de 1968.

A CCav 2400 desembarcou na Beira e foi colocada em Cassuende, onde rendeu a CArt 2385, e, de Agosto de 1968 a Maio de 1969, executou, entre outras, as operações «Pequeno Prémio» (região de M'Socola), «Garden» (região da «Base Fronteira»), «Garden Nove» (região da «Base Paisone») e «Terra de Ninguém» (monte Dzundie), tendo ainda tomado parte na operação «Sentinela Alerta».

Foi neste quadro operacional, de grande intensidade e em zona fronteiriça, que se inseriu o período de 11 de Agosto a 6 de Novembro de 1968 vivido pelo Furriel Simões.

O Louvor Colectivo ao BCav 2850, publicado em 1969, confirma o carácter desse sector, destinado logo após a chegada, em Agosto de 1968, a um Sector de grande importância, onde alastrava a subversão, tendo o Batalhão afirmando-se como Unidade de elite, apesar da inicial deficiência das instalações, e exercido notável e persistente acção numa área vasta e acidentada, situada numa difícil, por delicada, zona fronteiriça, utilizada pelas forças inimigas como principal linha de infiltração nas suas incursões para o interior do distrito.

É também nesse período que se insere a acção de 27 de Outubro de 1968, que viria a dar origem ao primeiro Louvor Colectivo à CCav 2400, descrito adiante em ordem cronológica.

Em Maio de 1969, já depois da morte do Furriel Simões, a Companhia seria rendida pela CArt 2452 e transferida para Tembué, onde rendeu a CCaç 2358/BCaç 2842, pelo que essa fase posterior não integra a biografia operacional do homenageado e aqui se deixa apenas registada para enquadramento da Companhia.

5. O Combate de 6 de Novembro de 1968 e a Morte em Combate

Faleceu no dia 6 de Novembro de 1968, num monte, entre os rios Duângua e Capoche, em consequência de ferimentos em combate, estando a circunstância exacta da sua morte consignada no louvor que originou a sua condecoração, transcrito integralmente no item 6.

Perante uma situação extremamente grave, criada sobre a fronteira por traiçoeira atitude de uma força de um país vizinho, recusou acompanhar aquela força para o interior do citado país e, depois, com a maior heroicidade e abnegação, tentou desesperadamente fazer cessar o fogo com que o adversário alvejava a força do seu comando, circunstâncias em que veio a perder a vida, que com tanta valentia expusera.

Está inumado no Cemitério da Chamusca. Paz à sua Alma.

6. Condecoração e Louvor Individual – Cruz de Guerra de 2.ª Classe, a Título Póstumo

O Furriel Miliciano de Cavalaria António de Oliveira Simões foi louvado e agraciado com a Medalha da Cruz de Guerra de 2.ª classe, a título póstumo, pela Portaria de 24 de Janeiro de 1970, publicada na Ordem do Exército n.º 8 – 3.ª série, de 1970, e na Revista da Cavalaria, edição de 1970, pág. 106, transcrevendo-se integralmente o teor da Portaria e do louvor que a originou, tal como publicados.

6.1. Portaria de Condecoração

Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Exército, condecorar, com a Cruz de Guerra de 2.ª classe, a título póstumo, ao abrigo dos artigos 9.º e 10.º do Regulamento da Medalha Militar, de 28 de Maio de 1946, por serviços prestados em acções de combate na Província de Moçambique, o Furriel Miliciano de Cavalaria, António de Oliveira Simões, da Companhia de Cavalaria n.º 2400/Batalhão de Cavalaria n.º 2850 – Regimento de Cavalaria n.º 3.

6.2. Louvor que originou a condecoração – Por Portaria da mesma data, publicada naquela Ordem do Exército

Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Exército, louvar, a título póstumo, o Furriel Miliciano de Cavalaria, António de Oliveira Simões, da Companhia de Cavalaria n.º 2400, do Batalhão de Cavalaria n.º 2850 – Regimento de Cavalaria n.º 3, porque, perante uma situação extremamente grave em que estavam em causa o prestígio e a honra das forças que comandava, e o próprio bom nome do Exército, situação que lhe foi criada sobre a fronteira, por traiçoeira atitude de uma força dum país vizinho, se houve com a maior dignidade e bravura ao recusar acompanhar aquela força para o interior do citado país. Depois, com a maior heroicidade e abnegação, tentou desesperadamente fazer cessar o fogo com que o adversário alvejava a força do seu comando, circunstâncias em que veio a perder a vida, que com tanta valentia expusera.

Durante a ocorrência, o Furriel Simões demonstrou inexcedível coragem, decisão, serena energia debaixo de fogo e sangue-frio, a par de acrisolado amor ao bom nome de Portugal, e consciencializou, no mais alto grau, a responsabilidade do comando de uma força, tendo honrado, assim, a Pátria e o Exército.

7. Louvores Colectivos – Por Ordem Cronológica

O Furriel Simões integra dois Louvores Colectivos: um à sua Companhia, outro ao seu Batalhão, que se transcrevem integralmente, por ordem cronológica de publicação.

7.1. Primeiro Louvor Colectivo – Companhia de Cavalaria n.º 2400

Publicado na Ordem de Serviço n.º 17, de 11 de Novembro de 1968, do Batalhão de Cavalaria 2850, e na Revista da Cavalaria, edição de 1970, pág. 154.

Louvo os Grupos de Combate da Companhia de Cavalaria n.º 2400, que, sob o comando do Alferes Miliciano de Cavalaria Celso Lopes Ferreira, actuaram por forma altamente eficiente, no passado dia 27 de Outubro, na realização de uma acção contra o IN, de efectivo sensivelmente igual ao seu, de que resultou a captura de importantíssimo material e baixas ao IN.

Na verdade, tendo o Comandante dos Grupos de Combate, Alferes Celso Ferreira, planeado a acção, exigindo ao pessoal a estadia de toda uma noite, à distância de 300 metros do IN, e seu posterior desenvolvimento, envolvendo e executando o assalto, todos os elementos das NT se comportaram de forma tal, que, não só conseguiram que o IN os não detectasse, como, pela determinação posta no assalto, apesar da pronta e intensa reacção do IN pelo fogo, obtiveram resultados tão brilhantes. A acção referida honra todos os intervenientes da C. Cav. 2400, honra a C. Cav. 2400 e o seu Batalhão, e inscreve-se na gloriosa tradição da Arma de Cavalaria. É com muita satisfação e orgulho que, como Comandante do Batalhão de Cavalaria n.º 2850, o faço realçar.

Este louvor foi outorgado cinco dias após a morte do Furriel Simões e refere-se a uma acção ocorrida dez dias antes do seu falecimento, em 27 de Outubro de 1968, sendo, por isso, o último louvor colectivo em vida da sua Companhia que o abrange directamente.

7.2. Segundo Louvor Colectivo – Batalhão de Cavalaria n.º 2850

Publicado na Ordem de Serviço n.º 47, de 9 de Julho de 1969, do Comando da Região Militar de Moçambique, e na Revista da Cavalaria, edição de 1970, págs. 150 e 151.

Louvo o Batalhão de Cavalaria n.º 2850, porque, logo após a chegada à província, em Agosto de 1968, sendo destinado a um Sector de grande importância, onde alastrava a subversão, vem afirmando-se como Unidade de elite e contribuindo eficazmente, com o seu entusiasmo e vontade de bem cumprir, para a melhoria da situação na área que lhe foi confiada.

Não obstante a inicial deficiência das instalações, que, à custa de muito esforço, melhorou, conseguiu, mercê da criteriosa utilização dos seus meios normais e dos meios heli postos à disposição do Sector, exercer notável e persistente acção na área à sua responsabilidade, e que, situada numa difícil, por delicada, zona fronteiriça, abrange vasta e acidentada área, utilizada pelas forças inimigas como principal linha de infiltração nas suas incursões para o interior do distrito, onde a sua acção era mais relevante.

Ao seu espírito ofensivo, criterioso planeamento das acções a realizar, entusiasmo e generoso esforço das suas tropas, se deve valiosa contribuição para um mais completo esclarecimento da situação do inimigo, na área onde deficientemente conhecido, e ainda para a limpeza de toda a região.

Para tanto, houve de se empenhar em variadíssimas acções de combate, nas quais se distinguiu, infligindo duros golpes na estrutura inimiga instalada no sub-Sector, sendo de salientar, em especial, a actuação nas operações helitransportadas «EQUATOR», «GARDEN», «BIRTHDAY», «NATAL» e «SUCCÉSS», onde o Batalhão demonstrou capacidade, valor e perfeita adaptação a esse tipo de operações. Da sua notável actividade, é grato a este Comando dar público louvor, assinalando o entusiasmo e vontade do Batalhão no cumprimento da sua missão.

8. Memória e Homenagem – Oeiras e Chamusca

A memória do Furriel António de Oliveira Simões permanece viva em dois lugares que o ligam à vida e à morte: Oeiras, onde nasceu, e Chamusca, onde está sepultado.

Em Oeiras, terra do seu nascimento, é relembrado todos os anos em cerimónia junto ao monumento aos combatentes, onde, nessa cerimónia anual, o seu nome é evocado com os demais militares do concelho tombados em defesa de Portugal na Guerra do Ultramar, mantendo-se vivo o vínculo entre a comunidade que o viu nascer e o sacrifício que prestou em Moçambique.

Na Chamusca, onde está inumado no Cemitério da Chamusca, o seu nome consta numa lápide inserida no memorial concelhio, com a homenagem «Homenagem de Eterna Saudade aos Militares do Concelho da Chamusca Mortos na Guerra do Ultramar», descerrado na Ermida do Senhor do Bonfim, em 18 de Julho de 1982, por iniciativa da Liga de Amigos do Concelho da Chamusca, com apoio da Câmara Municipal do Concelho da Chamusca. A Ermida do Senhor do Bonfim, no alto da vila, foi durante a Guerra do Ultramar lugar de incessante peregrinação das famílias dos soldados, que ali colocavam, junto à imagem do Senhor do Bonfim, as fotografias dos que partiam para a guerra. Assim, em Oeiras celebra-se anualmente a sua memória, e na Chamusca guarda-se, em pedra, o seu nome e o seu repouso.

9. Honra e Glória

O Furriel Miliciano Atirador de Cavalaria António de Oliveira Simões, n.º 02950166, da CCav 2400/BCav 2850, honrou, com inexcedível coragem, decisão e sangue-frio, a Pátria e o Exército, e a sua Cruz de Guerra de 2.ª classe, a título póstumo, e os dois Louvores Colectivos em que participa – o da sua Companhia e o do seu Batalhão – inscrevem o seu nome na gloriosa tradição da Arma de Cavalaria e na memória de Oeiras e da Chamusca.

Que a sua memória não se esqueça.

 

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