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Em memória daqueles que tombaram em defesa de

Portugal na Guerra do Ultramar

 

Torres Vedras

 

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Listagem dos mortos naturais do concelho de Torres Vedras

 

 

Ramalhal

 

Henrique Rodrigues

 

1.º Cabo Atirador de Cavalaria n.º 00107268

 

Companhia de Cavalaria 2415

«OS AUDACIOSOS - FORTUNA AUDACES JUVAT»

 

Moçambique: 13Ago1968 a 11Out1969 (data do falecimento)

MEMÓRIA E HOMENAGEM AO MILITAR

HENRIQUE RODRIGUES

1.º Cabo Atirador de Cavalaria n.º 00107268
Companhia de Cavalaria 2415

«OS AUDACIOSOS - FORTUNA AUDACES JUVAT»
Tombou em Combate por Portugal - 11 de Outubro de 1969

1. Identificação do Militar

O militar a quem prestamos homenagem é o 1.º Cabo Atirador de Cavalaria Henrique Rodrigues, com o número mecanográfico 00107268.

Pertencia à Companhia de Cavalaria N.º 2415 (CCav 2415), unidade mobilizada pelo Regimento de Cavalaria N.º 7 de Lisboa (RC7 - Ajuda).

A sua data de falecimento é 11 de Outubro de 1969. A causa da morte, conforme ficha oficial, foi “Ferimentos em combate”. O local de operações foi a região de Luatize, no Niassa, Província Ultramarina de Moçambique.

2. Origem e Família

Henrique Rodrigues era natural da freguesia do Ramalhal, concelho de Torres Vedras.

Era filho de José Rodrigues e de Maria da Purificação Rodrigues, e o seu estado civil era solteiro.

Era um jovem do Oeste, da terra de Torres Vedras, que como tantos outros da sua geração, foi chamado a cumprir o serviço militar em tempo de guerra. Levava consigo os valores da sua terra e da sua família.

3. A Unidade Mobilizadora - Regimento de Cavalaria 7

Foi mobilizado pelo Regimento de Cavalaria 7 (RC7 - Ajuda), aquartelado na Ajuda, em Lisboa. O RC7 é um dos mais antigos e prestigiados regimentos do Exército Português.

A sua divisa é «QUO TOTA VOGANT» - Para Onde Vão Todos - e era conhecido como o «REGIMENTO DO CAIS», por embarcar ali mesmo, na Rocha do Conde de Óbidos, as tropas que seguiam para o Ultramar.

Foi este Regimento que organizou, formou e mobilizou a Companhia de Cavalaria 2415 para servir Portugal na Província Ultramarina de Moçambique.

4. A Companhia - CCav 2415 «OS AUDACIOSOS» e o Embarque

A Companhia de Cavalaria 2415 tinha por divisa «OS AUDACIOSOS - FORTUNA AUDACES JUVAT» - A Sorte Ajuda os Audaciosos. O seu distintivo, de fundo amarelo-ouro de Cavalaria, ostenta os sabres cruzados com o número 7 do RC7, encimado por um barrete vermelho com o número 7 e o listel com a sua divisa, e o seu guião amarelo ostenta os mesmos símbolos ladeados por louros.

A Companhia era comandada pelo Capitão Miliciano António Amaral Amado.

No dia 23 de Julho de 1968, o 1.º Cabo Henrique Rodrigues embarcou na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, em Lisboa, no Navio de Transporte de Tropas (NTT) ‘Vera Cruz’, integrado num grupo de combate da CCav 2415.

Após 21 dias de travessia, desembarcou no porto marítimo de Nacala, no norte de Moçambique, no dia 13 de Agosto de 1968, iniciando a sua comissão no Niassa.

5. Síntese da Actividade Operacional até 11 de Outubro de 1969

A actividade operacional da CCav 2415 até à data do seu falecimento divide-se em duas fases bem distintas, conforme a Síntese da Actividade Operacional da Companhia.

a) Primeira Fase - Lione, na fronteira com o Malawi:

Desembarcada em Nacala a 13 de Agosto de 1968, foi colocada em Lione, onde rendeu a Companhia de Artilharia 2327. Destacou um pelotão para Chala.

Ficou sob o comando operacional do Batalhão de Caçadores 1936, sediado no Catur, no subsector ACT. A actividade operacional consistia em patrulhamentos e nomadizações contínuas nas regiões de Lione, Chala, Matipa, Malema, Chinenga, Banga, serra Metónia e monte Litucano, com prioridade na zona fronteiriça com o Malawi, principal corredor de infiltração do inimigo.

Neste período efectuou nomeadamente as operações “Trote Larito”, “Luar de Prata”, “Ás a Galope”, “Volteando”, “Segura” e “Busca”. Participou ainda na operação “Conjunta”, nas imediações do itinerário Chinenga - Vila Cabral.

b) Segunda Fase - Intervenção do Sector A - Luatize:

Rendida em Junho de 1969, em Lione, pela Companhia de Artilharia 2387, foi transferida para Vila Cabral, na situação de intervenção do Sector A.

De 21 de Junho a 11 de Setembro de 1969, deslocou-se para Luatize. Sob o comando do Batalhão de Artilharia 2847, sediado em Valadim, no subsector AVL, efectuou várias operações de grande envergadura: “Beta Um” e “Pantera 42 e 48” na região a Este de Valadim, “Pantera 40 e 41” nas margens do rio Luatize e “Rota 2” entre os rios Luatize e Lucuisse.

Foi um período de operações muito duras, em zona de mata cerrada e de grande actividade inimiga.

No dia 11 de Outubro de 1969 iniciava-se a sua nova missão: Valadim - de 11 de Outubro a 28 de Dezembro de 1969. Sob o comando do BArt 2847 e depois do BArt 2898, que renderia o primeiro em Novembro de 1969, foi-lhe atribuída como missão principal a abertura do itinerário Valadim - Luatize, onde detectou e desactivou muitos engenhos explosivos.

6. O Dia 11 de Outubro de 1969 e o Local de Sepultura

Foi precisamente no primeiro dia desta missão de abertura do itinerário Valadim - Luatize, no dia 11 de Outubro de 1969, na região de Luatize, que o 1.º Cabo Henrique Rodrigues tombou em combate, em consequência de ferimentos recebidos em contacto com o inimigo.

Tinha cumprido mais de 14 meses de comissão de serviço, sempre na frente, como Atirador de Cavalaria da sua Companhia. Morreu com as armas na mão, fiel ao juramento que prestou e à divisa dos Audaciosos.

O seu corpo foi trasladado para a Metrópole e encontra-se inumado no cemitério da freguesia da sua naturalidade, o Cemitério de Ramalhal, concelho de Torres Vedras, onde repousa junto dos seus e da sua terra.

7. A Perpetuação da Memória - Monumento em Torres Vedras

Para que a memória não se apague, o nome do 1.º Cabo Henrique Rodrigues encontra-se perpetuado no Monumento aos Torrienses Mortos na Guerra do Ultramar, em Torres Vedras.

O Monumento, localizado na Praça da Liberdade, em Torres Vedras, resultou do trabalho de uma comissão executiva criada para o efeito no âmbito da Assembleia Municipal de Torres Vedras.

Conforme informação da Câmara Municipal de Torres Vedras, no monumento estão inscritos os nomes de 53 torrienses mortos durante o período da Guerra Colonial. O conjunto escultórico é dominado pela figura de um soldado que transporta nos braços um camarada de armas inanimado.

É obra do escultor José Núncio (1938-2006), militar de carreira e escultor autodidata, executada em bronze fundido. Assenta na ideia da necessidade pedagógica do culto da abnegação e da heroicidade, relembrando uma guerra que, pelo peso que assumiu e elevado ónus que significou nos corpos e nas almas dos cidadãos, não pode nem deve ser ignorada.

Inaugurado a 8 de Junho de 2002, constitui uma homenagem da autarquia torriense à memória de todos os cidadãos do concelho que deram a sua vida ao serviço da Pátria, entre 1961 e 1974. Como refere a autarquia, “o monumento não deve traduzir uma marca de saudosismo, mas constituir antes uma referência cultural para a sociedade actual”.

Entre os 53 nomes gravados em bronze para a eternidade, encontra-se o nome de HENRIQUE RODRIGUES, 1.º Cabo Atirador de Cavalaria da CCav 2415, natural do Ramalhal.

Assim, o seu sacrifício supremo é recordado duas vezes: na campa humilde do cemitério da sua aldeia, o Ramalhal, e no bronze nobre da Praça da Liberdade, no centro da sua cidade, Torres Vedras.

Honra e Glória aos que morreram por Portugal!

Que a sua Alma descanse em Paz.

 

 

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