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Melides

 

Joaquim Chaínho Custódio

 

Soldado Atirador, n.º 08410368

 

Companhia de Cavalaria 2525

«PUNHOS D’AÇO»

«NÃO CONHECEMOS O IMPOSSÍVEL»

 

Guiné: 30Mai1969 a 28Out1970 (data do falecimento)

 

MEMÓRIA E HOMENAGEM AO SOLDADO ATIRADOR JOAQUIM CHAÍNHO CUSTÓDIO

N.º 08410368 – CCav 2525 / RC7 – Falecido em 28 de Outubro de 1970

I. IDENTIFICAÇÃO DO MILITAR

O Soldado Atirador n.º 08410368, Joaquim Chaínho Custódio, foi um militar do Exército Português mobilizado para servir na Província Ultramarina da Guiné.

Era natural da freguesia de Melides, concelho de Grândola, distrito de Setúbal. Filho de Jacinto Custódio e de Beatriz Chaínho. De estado civil solteiro.

Pertenceu à Companhia de Cavalaria n.º 2525 (CCav 2525), unidade mobilizada pelo Regimento de Cavalaria 7 (RC7 – Ajuda – Lisboa), que ostenta a divisa «QUO TOTA VOGANT» e a designação histórica de «REGIMENTO DO CAIS».

Faleceu no dia 28 de Outubro de 1970, no Hospital Militar 241 (HM 241), em Bissau, vítima de ferimentos em combate sofridos durante o ataque inimigo ao Destacamento Augusto Ramos, em Bula.

A causa da morte, constante na sua ficha individual, é “Ferimentos em combate” e a observação refere “Ataque In ao destacamento”.

Encontra-se sepultado no Cemitério Paroquial da freguesia de Melides, concelho de Grândola.

II. ORIGEM E MOBILIZAÇÃO

Natural de Melides, terra ligada ao mar e ao campo, Joaquim Chaínho Custódio cumpriu o seu dever de cidadão ao apresentar-se para o serviço militar.

Foi mobilizado pelo Regimento de Cavalaria 7, na Ajuda, em Lisboa. O RC7, um dos mais antigos e prestigiados regimentos do Exército, foi responsável pela formação e projecção de inúmeras companhias para o Ultramar.

Integrado num grupo de combate da Companhia de Cavalaria 2525, embarcou no dia 24 de Maio de 1969, na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, em Lisboa, a bordo do Navio Transporte de Tropas (NTT) ‘Niassa’, com destino à Guiné.

Após travessia marítima, desembarcou no estuário do rio Geba, em Bissau, no dia 30 de Maio de 1969.

A sua Companhia era comandada pelo Capitão de Cavalaria Orlando Antero Rebanda Páscoa e tinha como distintivo e divisa de guião: em campo vermelho, duas espadas cruzadas e um punho de aço cerrado, com a legenda «PUNHOS D'AÇO – C.CAV.2525 – NÃO CONHECEMOS O IMPOSSÍVEL».

III. SÍNTESE DA ACTIVIDADE OPERACIONAL DA COMPANHIA DE CAVALARIA 2525 ATÉ 28 DE OUTUBRO DE 1970

A actividade operacional da CCav 2525, desde o desembarque até à data do falecimento do Soldado Joaquim Chaínho Custódio, desenvolveu-se em quatro fases distintas e em zonas de intensa actividade inimiga.

1. Primeira Fase – Reforço ao BArt 2857 em Piche

Em 05 de Junho de 1969, poucos dias após o desembarque, a Companhia seguiu para Piche, a fim de reforçar temporariamente o Batalhão de Artilharia 2857 (BArt 2857). Este Batalhão, que usava a divisa «TODOS OU NENHUNS», encontrava-se numa situação operacional muito degradada.

O agravamento da situação militar, com ataques inimigos frequentes aos aquartelamentos e às populações daquela área do Leste da Guiné, impôs o emprego da CCav 2525 em acções de defesa, patrulhamento e apoio à população. Nesta região permaneceu até 19 de Agosto de 1969.

2. Segunda Fase – Cacheu e a Costa Norte

Em 20 de Agosto de 1969, a Companhia foi destacada para Cacheu, a fim de reforçar o Batalhão de Cavalaria 2868 (BCav 2868). O BCav 2868, cujo distintivo ostenta um chicote de cavaleiro e a divisa «NÃO TEMO», tinha a seu cargo a zona de acção de Cacheu.

Posteriormente, a CCav 2525 passou a reforçar também o Batalhão de Caçadores 2845 (BCaç 2845), cujo distintivo apresenta uma cruz de dez pontas sobre fundo amarelo e preto, com o número 10 ao centro e a divisa «SEMPRE EXCELENTES E VALOROSOS».

Nesta fase, a subunidade foi utilizada em operações de intervenção na região de Pecau, Churo e outras localidades do sector de Cacheu, caracterizadas por terreno alagadiço, densas matas e forte presença do IN (Inimigo).

3. Terceira Fase – Bula, o Sector Decisivo

Em 09 de Novembro de 1969, a CCav 2525 foi atribuída organicamente ao BCav 2868, instalando-se definitivamente em Bula.

Bula era um dos pontos mais sensíveis da Guiné, no corredor entre Bissau e o norte. A Companhia tomou parte em diversas operações de limpeza, emboscadas e golpes de mão realizadas na área, e na segurança e protecção dos trabalhos da estrada Bula–S. Vicente.

Para cumprimento desta missão, destacava pelotões, por rotação, para os destacamentos temporários de Bipo e Ponta Fortuna, garantindo a presença militar e a protecção das populações e das equipas de construção.

Foi durante esta longa permanência em Bula que a Companhia viveu o período de maior desgaste operacional.

4. Quarta Fase – Ponta Augusto Barros e o Regresso a Bula

Em 25 de Julho de 1970, por troca com a Companhia de Cavalaria 2485 (CCav 2485), que partilhava o mesmo distintivo do BCav 2868 – «NÃO TEMO», a CCav 2525 instalou-se em Ponta Augusto Barros, com pelotões destacados em João Landim e Mato Dingal.

Esta movimentação teve como finalidade a execução dos trabalhos de construção dos reordenamentos de populações respectivos, missão de carácter militar e humanitário, típica da fase final da guerra na Guiné.

Em 24 de Agosto de 1970, por troca com a Companhia de Cavalaria 2487 (CCav 2487), regressou a Bula para intervenção e reserva do Batalhão de Caçadores 2868, voltando novamente a Ponta Augusto Barros e aos seus destacamentos em 23 de Setembro de 1970, novamente por troca com a CCav 2487.

É precisamente neste regresso a Bula, no período de Agosto a Outubro de 1970, que se insere o ataque ao Destacamento Augusto Ramos, onde o Soldado Joaquim Chaínho Custódio foi ferido em combate.

IV. O COMBATE FINAL E O SACRIFÍCIO

De acordo com a ficha individual, o local de operações do militar era o Destacamento Augusto Ramos, em Bula.

Este destacamento foi alvo de um violento ataque do IN. Durante esse ataque, o Soldado Atirador Joaquim Chaínho Custódio sofreu ferimentos graves em combate.

Evacuado com urgência para Bissau, deu entrada no Hospital Militar 241, onde, apesar de todos os esforços médicos, veio a falecer no dia 28 de Outubro de 1970.

Tinha cumprido o seu dever até ao último momento, como atirador da sua secção, defendendo a posição que lhe fora confiada.

Posteriormente, já depois do seu falecimento, a CCav 2525 continuaria a sua comissão: em 01 de Fevereiro de 1971, já então na dependência do Batalhão de Caçadores 2928 (BCaç 2928 – «EXCELENTE E VALOROSO»), voltou de novo a Bula por rotação com a Companhia de Caçadores 2790 (CCaç 2790 – «IN HOC SIGNO VINCES»).

A partir de 04 de Fevereiro de 1971, ministrou o treino operacional à CCaç 3328 (CCaç 3328 - «IMPLACÁVEIS»), sendo rendida e recolhendo por escalões a Bissau em 10 e 18 de Fevereiro de 1971, onde ficou a aguardar o embarque de regresso, que ocorreria em 17 de Março de 1971.

O Soldado Custódio não regressou com os seus camaradas. Ficou para sempre ligado à terra da Guiné que ajudou a defender e à terra de Melides que o viu nascer.

V. MEMÓRIA E HOMENAGEM

Passados mais de cinquenta anos, a memória do Soldado Atirador Joaquim Chaínho Custódio permanece viva.

Permanece viva na sua família. Permanece viva em Melides, onde o seu nome consta nas lápides do cemitério paroquial e no coração da freguesia. Permanece viva nos camaradas da CCav 2525, «PUNHOS D'AÇO», que com ele partilharam o NTT Niassa, as picadas de Piche, as bolanhas de Cacheu e as noites de Bula.

Que este texto sirva como testemunho de que Portugal não esquece os seus filhos. O Soldado Joaquim Chaínho Custódio cumpriu com honra, coragem e sacrifício o dever militar que lhe foi confiado.

Honra e Glória à sua Memória.

Que a sua Alma Descanse em Paz.

 

 

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