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Condecorações

Ramiro Ferreira Pereira, Soldado de Cavalaria - Cruz de Guerra de 1.ª Classe

 

"Pouco se fala hoje em dia nestas coisas mas é bom que para preservação do nosso orgulho como Portugueses, elas não se esqueçam"

 

Barata da Silva, Vice-Comodoro

 

HONRA E GLÓRIA

Imagem cedida pelo veterano Miguel Velez de Oliveira

 

Para visualização dos conteúdos clique no sublinhado existentes no texto que se segue:

 

Ramiro Ferreira Pereira

 

Soldado de Cavalaria, n.º 616/61

 

Esquadrão de Cavalaria 252

«GUINÉ PORTUGUESA»

 

Subunidade de cavalaria considerada pela rádio de Dacar (Senegal) como o «Esquadrão Vagabundo»
 

Guiné: 16Ago1961 a 06Nov1963 

 

Crua de Guerra de 1.ª classe

 

Louvor Individual e Colectivo

 

Ramiro Ferreira Pereira, Soldado de Cavalaria, n.º 616/61;


Mobilizado pelo Regimento de Cavalaria 3 (RC3 – Estremoz) «DRAGÕES DE OLIVENÇA» - «…NA GUERRA CONDUTA MAIS BRILHANTE» para servir Portugal na Província Ultramarina da Guiné;


No dia 10 de Agosto de 1961, na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, embarcou num navio de transporte de tropas, integrado no Esquadrão de Cavalaria 252 «GUINÉ PORTUGUESA», rumo ao estuário do Geba (Bissau), onde desembarcou no dia 16 de Agosto de 1961;


A sua subunidade de cavalaria, comandada pelo Capitão de Cavalaria António Lopo Machado do Carmo [tombou em combate no dia 14Mar1963 - Cruz de Guerra de 2.ª classe, a titulo póstumo, substituído pelo Capitão de Cavalaria Luís Alberto do Paço Moura dos Santos], inicialmente, ficou colocada em Bissau, tendo destacado, em 23 de Agosto de 1961, dois pelotões para Bafatá, em reforço do Batalhão de Caçadores 238 (BCac238) e cujos efectivos foram distribuídos, a partir de 5 de Setembro de 1961, por Piche, Buruntuma e Canquelifá e por Nova Lamego, Cabuca, Bajocunda e Pirada; em 28 de Agosto de 1961, mantendo os dois pelotões na zona Leste, a subunidade foi transferida para Bula, ficando integrada no dispositivo e manobra do Batalhão de Caçadores 239 (BCac239), actuando em acções de soberania e de contacto com as populações em diversas localidades da zona Norte, com efectivos dispersos, por períodos variáveis, em São Domingos, Ingoré, Susana, Varela e outras; em 15 e 18 de Fevereiro de 1962, os dois pelotões destacados na zona Leste recolheram a Bula, tendo um pelotão ocupado Mansabá, de 16 de Fevereiro até 30 de Setembro de 1962, com secções instaladas em Farim, Cuntima, São Domingos, por períodos variáveis e outro instalado em Caió, de Agosto a 12 de Outubro de 1962, o qual seguidamente, se deslocou para São Domingos; neste período, a subunidade tomou parte em diversas acções de batida e patrulhamento nas regiões de Churo, Óio e Biambe, entre outras; em 12 de Janeiro de 1963, foi colocada em São Domingos, assumindo a responsabilidade de um subsector criado a norte do rio Cacheu, desde Varela, Susana, São Domingos, lngoré até Farim, e depois sucessivamente reduzido das áreas de Farim, em 23 de Fevereiro de 1963 e Ingoré, em 28 de Julho de 1963, por entrada em sector de outras subunidades, ainda na dependência do Batalhão de Caçadores 239 (BCac239) e depois do Batalhão de Caçadores 507 (BCac507) onde se realizou patrulhamentos, batidas e outras acções contra o inimigo, bem como tomou parte em operações realizadas nas regiões de Biambe, Binar e Bissorã; em 10 de Agosto de 1963, foi rendida no subsector de São Domingos pela Companhia de Artilharia 349 (CArt349), e foi colocada em Bula, como subunidade de intervenção e reserva do Batalhão de Caçadores 507 (BCac507);


Louvado por feitos em combate no teatro de operações da Guiné, publicado na Ordem de Serviço n.º 19, de 10 de Outubro do 1963, do Comando-Chefe das Forças Armadas da Guiné Portuguesa;


Em 4 de Novembro de 1963, foi rendida pela Companhia de Cavalaria 567 (CCav567) «A GALOPE E CORAÇÃO AO ALTO» e recolheu a Bissau para embarque de regresso;


No dia 6 de Novembro de 1963, embarcou no NTT ‘Índia’ de regresso à Metrópole, onde desembarcou no dia 13 de Novembro de 1963;


Louvor Colectivo – Esquadrão de Cavalaria 252 – concedido pelo Exm.º Senhor Comandante do Comando Territorial Independente da Guiné, constante na nota n.º 607 - Proc.º 81.06, de 11 de Novembro de 1963, da Direcção da Arma da Cavalaria, publicado na Revista da Cavalaria do ano de 1963, página 153:

 

«Louvo a Esquadrão de Cavalaria n.º 252, porque, tendo servido na Província da Guiné durante cerca de 27 meses sempre em regiões activas e perigosas, em especial na zona fronteiriça de São Domingos e ultimamente nas áreas de Bula e Óio, se revelou uma Unidade extremamente decidida nas missões de grande importância que lhe foram confiadas, sempre cumpridas com uma eficiência e valentia, que as baixas sofridas em numerosos combates contra grupos subversivos atestam com honra e dignidade.


Aliando a um grande espírito de sacrifício uma notável solidariedade militar, a Companhia de Cavalaria n.º 252 criou fama no Comando Territorial Independente da Guiné e mereceu a inteira confiança do Comando-Chefe, tendo sido justamente apontada como uma Unidade de «elite», capaz de servir de exemplo a qualquer outra do Exército Português cujas tradições mais nobres procurou seguir.
»

 

Agraciado com a Medalha da Cruz de Guerra de 1.ª classe, pela Portaria de 26 de Novembro de 1963, publicada na Ordem do Exército n.º 36 – 3.ª série, de 1963:


Soldado de Cavalaria, n.º 616/61
RAMIRO FERREIRA PEREIRA
 

ECav 252/BCac 507 - RC 3
GUINÉ


1.ª CLASSE


Transcrição da Portaria publicada na Ordem do Exército n.º 36 - 3.ª série de 1963.


Por Portaria de 26 de Novembro de 1963:


Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Exército, condecorar com a Cruz de Guerra de 1.ª classe, ao abrigo dos artigos 9.º e 10.º do Regulamento da Medalha Militar, de 28 de Maio de 1946, por serviços prestados em acções de combate na Província da Guiné Portuguesa, o Soldado, Ramiro Ferreira Pereira, n.º 616/61, do Esquadrão de Cavalaria n.º 252 / Batalhão de Caçadores n.º 507 - Regimento de Cavalaria n.º 3.


Transcrição do louvor que originou a condecoração.


(Publicado na Ordem do Exército acima indicada):


Por Portaria de 26 de Novembro de 1963:


Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Exército, adoptar para todos os efeitos legais, o seguinte louvor conferido em Ordem de Serviço n.º 19, de 10 de Outubro do corrente ano, do Comando-Chefe das Forças Armadas da Guiné Portuguesa, ao militar que vai indicado:


Soldado n.º 616/61, Ramiro Ferreira Pereira, do Esquadrão de Cavalaria n.º 252 / Batalhão de Caçadores 507 / Regimento de Cavalaria n.º 3, por, em 21 de Setembro de 1963, fazendo parte da escolta de uma coluna de viaturas que procedia ao levantamento de abatizes na estrada Binar-Bissorã, na região de Biambi, ter demonstrado excepcional valentia no ataque a um grupo inimigo que se preparava para emboscar a coluna, penetrando voluntariamente no mato, de onde trouxe um morto inimigo e armamento, recusando-se, depois de ferido, a abandonar a coluna, participando até final na acção subsequentemente empreendida.

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Excerto da Revista da Cavalaria do ano de 1963, pág. 207, da autoria do Brigadeiro Fernando Louro de Sousa:

 

[...]


A Companhia de Cavalaria 252 [Esquadrão de Cavalaria 252], regressada à Mãe-Pátria, desenvolveu a maior energia e decisão nos reconhecimentos, emboscadas, armadilhas, etc., na região fronteiriça do sub-sector de São Domingos, onde o seu heroico Comandante - Capitão Machado do Carmo - perdeu a vida.

 

 

Seguidamente na região do Óio tomou parte em numerosas operações, isoladas ou integradas no Batalhão, cumprindo eficientemente e em que vários dos seus elementos se destacaram pela sua bravura a ponto de receberem cruzes de guerra.


O louvor, conferido pelo Comandante-Chefe à Companhia [Esquadrão], enaltecendo a brilhante actuação desta Unidade, durante os 27 meses em que serviu na Guiné.
 

[...]

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Notícia publicada no jornal “O Século”
 

ESQUADRÃO DE CAVALARIA N.º 252


Comandante:
Inicialmente: Capitão Lopo do Carmo (morto em combate)
Depois: Capitão Moura Santos


A bordo do Paquete Índia chegou ao Tejo, um contingente de tropas provenientes da Guiné, do qual faz parte o célebre Esquadrão 252, de Bula, que foi comandado pelo falecido Capitão Lopo do Carmo [Capitão de Cavalaria António Lopo Machado do Carmo, Cruz de Guerra de 2.ª classe, tombou em combate no dia 14 de Março de 1963] que pereceu em combate na fronteira do Senegal, há sete meses, ganhando a Cruz de Guerra. Depois da sua morte passou o Esquadrão a ser comandado pelo sr. Capitão Moura Santos [Capitão de Cavalaria Luís Alberto do Paço Moura dos Santos] que foi seu subalterno, o qual ficou agora na Guiné a acabar o seu tempo de comissão de serviço.


A obra psicossocial, desportiva e de carácter operacional desta unidade de reconhecimento, foi a todos os títulos valorosa e excepcional pelo seu admirável comportamento, espírito de combate e amizade criada pelo seu falecido comandante e que foi continuada pelo actual. Os componentes da unidade há sete meses que usam no fardamento a braçadeira de luto, que só tirarão a partir do dia da desmobilização.


O espírito de combate desta unidade de cavalaria era temível, chegando a ser considerado pela rádio de Dacar como o «Esquadrão Vagabundo» porque o mesmo lhes contrariava os seus propósitos de terrorismo, aparecendo sempre no seu vasto sector operacional, desde Varela a Farim, passando por Mansabá. Tanto o Esquadrão como os seus oficiais, sargentos, cabos e soldados vêm aureolados de louvores, sendo os últimos do próprio comandante militar da Guiné, Sr. Brigadeiro Louro de Sousa.


No campo desportivo, através do entusiasmo do falecido Capitão Lopo do Carmo e do Alferes Joaquim Azevedo, jogadores e treinadores, realizaram através do grupo local - Nuno Tristão Futebol Clube - uma notável acção, construindo um campo desportivo cimentado e iluminado a que ultimamente foi dado o nome de Estádio Capitão de Cavalaria Lopo do Carmo.


Nos campeonatos da província da Guiné, em 1961-62 classificaram-se em segundo lugar em andebol, em primeiro no voleibol e em quarto no basquetebol; em 1962-63 foram campeões em andebol e em voleibol. Criaram escolas de jogadores de futebol, de basquete e de ciclismo, possuindo presentemente o melhor equipamento da província. Andavam agora a tratar da construção de uma piscina para a qual já deixaram fundos monetários através de subsídios do Totobola e do actual Ministro do Ultramar.


No campo educativo criaram escolas de aprendizagem da língua materna, em colaboração com as missões, montando escolas complementares com todos os apetrechos e que eram admiradas por todos aqueles que por lá passaram e as observaram. Deixaram nas diversas tribos a maior simpatia e admiração e era interessante a harmonia ética que conseguiram realizar através da escola e do desporto. Edificaram os seus aquartelamentos em Bula e em Mansabá, a par das respectivas escolas, frequentadas por imensas criancinhas que ainda eram alimentadas, vestidas e calçadas.


O Esquadrão 252 teve uma afectuosa despedida na Guiné e em Estremoz foi-lhe preparada uma grande recepção.


(in Revista da Cavalaria do ano de 1963, páginas 165 e 166)
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