João Vieira de Melo,
1.º Cabo Auxiliar de Enfermeiro, da CCav1485
"Pouco se fala hoje
em dia nestas coisas mas é bom que para
preservação do nosso orgulho como Portugueses,
elas não se esqueçam"
Barata da Silva, Vice-Comodoro

João Vieira de Melo
1.º Cabo Auxiliar de Enfermeiro, n.º
06235965
Companhia de
Cavalaria 1485
«...ASSIM NASCEU BIAMBE»
Guiné: 27Out1965 a 20Fev1966 (data do
falecimento)
Cruz de Guerra de 4.ª
classe
(Título
póstumo)
Louvor
Individual e Colectivo
(Título
póstumo)
João Vieira de Melo, 1.º Cabo Auxiliar
de Enfermeiro, n.º 06235965, nascido no dia 17 de Março
de 1944, em Crasto, na freguesia da
Ribeira (São João da
Ribeira), concelho de Ponte de Lima, filho de Joaquim
José de Melo e de Clara Rosa Vieira, solteiro;
Mobilizado pelo Regimento de Cavalaria 7
(RC7 – Ajuda)
«QUO TOTA VOGANT» - «REGIMENTO DO CAIS» para servir
Portugal na Província Ultramarina da Guiné;
No dia 20 de Outubro de 1965, na Gare Marítima da Rocha
do Conde de Óbidos, em Lisboa, embarcou no NTT ‘Niassa’,
integrado num dos pelotões da Companhia de Cavalaria
1485 (CCav1485) «... E ASSIM NASCEU BIAMBE», rumo ao
estuário do Geba (Bissau), onde desembarcou no dia 26 de
Outubro de 1965;
A sua subunidade de Cavalaria, comandada pelo
Capitão de
Cavalaria Luís Manuel Lemos Alves, inicialmente, ficou
instalada
em Bissau, tendo sido atribuída ao Batalhão de
Caçadores 1857 (BCac1857) «TRAÇAMOS A VITÓRIA», a fim de
substituir a Companhia de Caçadores 1419
(CCac1419) «OS
FACAS» daquele batalhão na segurança e protecção das
instalações e das populações da área tendo,
cumulativamente, destacado os seus pelotões, por
períodos variáveis, para adaptação operacional e reforço
das
guarnições locais de Binar, Bula e Ingoré e
empenhamento em operações efectuadas no sector do
Batalhão de Cavalaria 790 (BCav790) «SINE SANGUINE NON
EST VICTORIA»; em 01 de Dezembro de 1965, foi colocada
em Bula em reforço do Batalhão de Cavalaria 790
(BCav790) «SINE SANGUINE NON EST VICTORIA», sendo
deslocada em 05 de Dezembro de 1965 para Susana, onde
assumiu a responsabilidade de um subsector, criado por
agravamento da situação na zona e retirado ao subsector
de S. Domingos, a fim de actuar na contra-penetração e
interdição da fronteira; entretanto, cedeu também dois
pelotões para reforço das guarnições locais de Ingoré,
de 08 de Dezembro de 1965 a 08 de Agosto de 1966 e
Pelundo, de 09 de Dezembro de 1965 a 17 de Abril de
1966;
Faleceu no dia 20 de Fevereiro de 1966 no Hospital
Militar Principal (HMP – Estrela, Lisboa), em
consequência de ferimentos em combate, ocorridos em
Susana, a sul de Arame, na Província Ultramarina da
Guiné, no dia 13 de Fevereiro de 1966;
Tinha 21 anos de idade;
Paz à sua Alma
Está inumado no cemitério da freguesia da Ribeira (São
João da Ribeira), concelho de Ponte de Lima;
Louvado e agraciado com a Medalha da Cruz de Guerra de
4.ª classe, a título póstumo, publicado na Ordem de
Serviço n.º 19, de 12 de Maio de 1966, do
Quartel-General do Comando Territorial independente da
Guiné, na Ordem do Exército n.º 22 – 3.ª série, de 1966,
e na Revista da Cavalaria, edição do ano de 1966, pág.
119;
Cruz de Guerra de 4.ª
classe
1.º Cabo Auxiliar de Enfermeiro, n.º 06235965
JOÃO VIEIRA DE MELO
CCav1485 - RC7
GUINÉ
4.ª CLASSE (Título póstumo)
Transcrição do Despacho publicado na Ordem do Exército
n.º 22 – 3.ª série, de 1966.
Condecorado com a Cruz de Guerra de 4.ª classe, nos
termos do artigo 12.º do Regulamento da Medalha Militar,
aprovado pelo Decreto n.º 35 667, de 28 de Maio de 1946,
por despacho do Comandante-Chefe das Forças Armadas da
Guiné, de 11 de Maio de 1966:
O 1.º Cabo Auxiliar de Enfermeiro, João Vieira de Melo,
da Companhia de Cavalaria 1485 afecto ao Batalhão de
Cavalaria 790 - Regimento de Cavalaria n.º 7, a título
póstumo.
Transcrição do louvor que originou a condecoração.
(Publicado na Ordem de Serviço n.º 19, de 12 de Maio de
1966, do Quartel general do Comando Territorial
Independente da Guiné:
Louvo, a título póstumo, o 1.º Cabo Auxiliar de
Enfermeiro, n.º 06235965, João Vieira de Melo, da
Companhia de Cavalaria 1485, pelo seu comportamento
notável revelado no decorrer da operação "Falcão II",
levada a efeito em 13 de Fevereiro de 1966.
Atingido com certa gravidade numa fase inicial do
combate, não hesitou em arrastar-se para o local onde o
fogo inimigo era mais intenso, por saber que naquela
zona havia outros feridos que necessitavam de receber
tratamento.
Veio a ser atingido mortalmente quando prestava
assistência aos seus camaradas.
Demonstrou excepcional espírito de abnegação e
camaradagem, extraordinárias qualidades de coragem,
sangue frio, calma e serena energia debaixo de fogo,
tornando-se credor do respeito e admiração dos seus
camaradas e superiores e digno de ser apontado como
exemplo.
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Louvor Colectivo
COMPANHIA DE CAVALARIA N.º 1485
(Despacho do Comandante Militar do Comando Territorial
Independente da Guiné)
Louvo a Companhia de Cavalaria n.º 1485, porque durante
o tempo que serviu no Batalhão de Caçadores 1876, o fez
com muita dedicação, muita coragem ponderada, muita
determinação e muito brilho.
Sendo uma Companhia que muito sofreu e lutou, jamais
voltou a cara a quaisquer missões que lhe fossem
atribuídas e jamais pôs quaisquer reticências ao seu
cumprimento, por mais difíceis que fossem. Antes, porém,
integrando-se no espírito de agressividade do Batalhão
patenteou bem o desejo firme de fazer sempre mais,
propondo e executando operações por iniciativa do seu
Comandante, para além do planeamento operacional do
Batalhão.
Todos os Oficiais, Sargentos e Praças são merecedores do
reconhecimento, da admiração e do respeito que lhe
dedica o seu Comandante de Batalhão.
E de entre todos me seja permitido realçar o seu grupo
“ÍNDIOS” pela agressividade em combate que sempre
patenteou, pela sua decisão, fé e certeza no cumprimento
da missão. Sempre os encontrei na primeira linha e
algumas vezes houve que refrear-lhe os ímpetos.
Por tudo e ainda pela missão difícil que lhe foi
atribuída da implantação de um aquartelamento em terreno
inimigo, o que permitiu que a nossa BANDEIRA ali flutue
altaneira, é a Companhia e Cavalaria 1485 que para si
criou a divisa «E ASSIM NASCEU BIAMBE», digna de ser
distinguida e colocada entre as melhores, em terras da
Guiné Portuguesa.
Pode dizer-se, sem pretensiosismo, que a Companhia e
Cavalaria 1485 correspondeu inteiramente à confiança que
nela depositavam os seus superiores e mercê da sua
actuação e do seu esforço, vê compensados todos os
momentos de sofrimento e de luta.
BIAMBE, onde flutua a bandeira verde-rubra é terra
portuguesa!
(in Revista da Cavalaria do ano de 1968, páginas 158 e
159)
