20Abr1970: Barbamente
assassinados
3 Majores,
1 Alferes e 3 Guias, do Exército
Português
[...]
Os sete corpos
estavam espalhados. Dava a ideia de que
tentaram fugir. Partiram desarmados para
o encontro. Não tinham maneira de se
defenderem. Foram apanhados à traição.
Todos eles eram homens valentes.
[...]
Testemnho de
Francisco Rodrigues,
Furriel Mil.º
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HONRA E GLÓRIA |
Elementos cedidos por um
colaborador do portal UTW
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Medalha de Ouro de Valor Militar com
palma
(Título póstumo)
Medalha de Mérito Militar de 2.ª
classe
Medalha de Promoção por Distinção
(Título póstumo)

Joaquim Pereira da Silva, Major de
Artilharia, nascido no dia 5 de
Outubro de 1931 na freguesia de
Galegos, concelho de Penafiel, filho
de Maria Engrácia da Silva Mendes e
de Vitorino Pereira da Silva.

Em 3 de Novembro de 1950 ingressa na
Escola do
Exército,
para frequentar o curso de
artilharia;
De 9 a 14 de Novembro de 1959,
capitão do quadro da arma de
artilharia (n/m 50692711),
encontrando-se colocado no Grupo de
Artilharia Contra Aeronaves 3
(GACA3
– Espinho) «VENÇA OU IGUALE OS
GRANDES JÁ PASSADOS», frequenta na
Escola Prática de Infantaria (EPI –
Mafra) «AD UNUM» o 3º curso de
métodos de instrução;

Em 24 de Julho de 1961, tendo sido
mobilizado pelo Regimento de
Artilharia Ligeira 1 (RAL1 –
Sacavém) «EM PERIGOS E GUERRAS
ESFORÇADOS» para servir Portugal na
Província Ultramarina de Angola,
embarca no
Aeródromo
Base n.º 1 (AB1 - Figo Maduro) rumo
à Base Aérea n.º 9 (BA9 – Luanda), a
fim de assumir o comando da Bateria
147 (Btr147) do Grupo de Artilharia
de Campanha 157 (GAC157);
Em
30 de Setembro de 1963 regressa à
Metrópole a bordo do NTT 'Vera Cruz;
Em 10 de Outubro de 1963 fica
colocado no Regimento de Artilharia
Pesada 2 (RAP2 – Gaia) «BRAVOS E
SEMPRE LEAIS»;

Em 14 de Outubro de 1964 transferido
para o Estado-Maior do Exército
(EME) «NON NOBIS», a fim
de
frequentar no Instituto dos Altos
Estudos Militares (IAEM – Pedrouços)
«NÃO HOUVE FORTE CAPITÃO, QUE NÃO
FOSSE TAMBÉM DOUTO E CIENTE» o curso
geral de estado-maior;
Em
28 de Junho de 1965 é colocado no
Regimento de Artilharia Antiaérea
Fixa (RAAF-Queluz) «O CÉU E TERRA
ESPANTA» para
preenchimento
de vaga;
Em 29Nov1965 transferido para o
Regimento de Artilharia Pesada 2
(RAP2 – Gaia) «BRAVOS E SEMPRE
LEAIS»;

Em 7 de Maio de 1966, tendo sido
mobilizado pelo Regimento de
Artilharia Ligeira 1 (RAL1 –
Sacavém) «EM PERIGOS E GUERRAS
ESFORÇADOS»
para servir Portugal na Província
Ultramarina da Guiné, embarca no
Aeródromo Base n.º 1 (AB1 - Figo
Maduro) rumo à Base Aérea n.º 12
(BA12 – Bissalanca), a fim de
assumir em Farim o cargo de Oficial
de Informações e Operações / Adjunto
(OfInfOp/Adj) do comando do Batalhão
de Artilharia 733 (BArt733)
«VALOROSOS AUDAZES CORAJOSOS»;
Em 1 de Agosto de 1966 transferido
para Bissau, como adjunto da 3.ª
Repartição do
Quartel
General do Comando Territorial
Independente da Guiné
(3ªRep-QG/CTIG) «CORAGEM E
LEALDADE»;
Em 4 de Novembro de 1966 promovido a
major;
Em
12 de Janeiro de 1967 assume a
chefia da 3.ª Repartição do Quartel
General do Comando Territorial
Independente da Guiné
(3ªRep-QG/CTIG) «CORAGEM E
LEALDADE»;
Em 19 de Maio de 1968 regressa à
Metrópole, ficando colocado no
Regimento de Artilharia Ligeira 4
(RAL4 – Leiria) «FORTES E LEAIS»;
Em 11 de Junho de 1968 agraciado com
a Medalha de
Mérito Militar de 2ª classe:
Major
de Artilharia
JOAQUIM PEREIRA DA SILVA
GUINÉ
Louvado o major de artilharia
Joaquim Pereira da Silva, porque,
durante todo o tempo da sua comissão
no Comando Territorial Independente
da Guiné, demonstrou excepcionais
qualidades morais e profissionais,
que o creditaram como militar de
extraordinários méritos, de real
valor e de invulgar capacidade
realizadora.
Primeiro como oficial de operações
do Batalhão de Artilharia n.º 733 e
depois como adjunto da 3.ª
Repartição do Quartel-General, para
as operações do mais difícil e
delicado sector do teatro de
operações da Guiné, não só pela
importância vital desse sector no
quadro geográfico da província, como
também pelo volume das forças nele
empenhadas, entregou-se
devotadamente ao desempenho das suas
funções, vivendo-as apaixonadamente,
com um entusiasmo e espírito de
missão verdadeiramente exemplares,
sem olhar a horas de folga e
descanso que, sistematicamente, pode
dizer-se, tinha de sacrificar para
poder satisfazer cabal e prontamente
as constantes e absorventes
solicitações das unidadv que
operavam no sector à sua
responsabilidade.
Servido por lúcida inteligência e
natural intuição para os assuntos de
ordem operacional, dotado de notável
capacidade de análise e de estudo, e
alicerçado em sólidos conhecimentos
militares, realizou trabalhos
altamente importantes e difíceis no
que se refere ao planeamento e
coordenação da actividade
operacional das unidades que
actuavam no sector a seu cargo,
elaborando pareceres, comentários e
sugestões que, fundamentados
criteriosa e objectivamente, eram
sempre os mais ajustados e
judiciosos face às realidades e
possibilidades.
Acompanhando com o maior interesse e
sentido de missão todas as operações
que se realizavam no seu sector,
tomou parte frequentes vezes nos
respectivos postos de comando
volantes, indiferente a sacrifícios
e incomodidades, para assim melhor
coordenar e orientar a acção das
unidades, que viam nele, mais que um
elemento da 3.ª Repartição, um
valioso colaborador e conselheiro,
cujas opiniões e sugestões eram
sempre consideradas muito úteis e
valiosas.
Tendo do dever uma alta e consciente
noção, fazendo da sua profissão
verdadeiro sacerdócio, que não
conhece pausas nem desfalecimentos,
deu provas inequívocas de militar
excepcionalmente dotado,
materializadas em trabalhos que
transcenderam o âmbito dos da
Repartição, realizados em acumulação
e sem prejuízo do já por si
assoberbante serviço que na
Repartição lhe estava cometido.
Aliando às suas brilhantes
qualidades profissionais excelentes
qualidades de carácter, de
camaradagem e de lealdade, com uma
vincada personalidade e de uma
modéstia que imprimiu à sua acção um
cunho de naturalidade que mais a
valoriza, soube o major Pereira da
Silva merecer a ilimitada confiança
dos seus chefes e a muita
consideração e estima dos seus
camaradas e subordinados, devendo os
seus serviços prestados em campanha
ser considerados de grande mérito.
De
7 de Outubro de 1968 a 14 de
Fevereiro de 1969 frequenta no
Instituto de Altos Estudos Militares
(IAEM - Pedrouços) «NÃO HOUVE FORTE
CAPITÃO, QUE NÃO FOSSE TAMBÉM DOUTO
E CIENTE» o 1º curso de promoção a
oficial superior das armas e
serviços;
Seguidamente,
tendo sido nomeado por designação
para servir Portugal novamente na
Província Ultramarina da Guiné,
embarca no Aeródromo Base n.º 1 (AB1
- Figo Maduro) rumo à Base Aérea n.º
12 (BA12 – Bissalanca), a fim de
assumir em Vila Teixeira Pinto a
chefia da 2.ª Repartição (2ªRep) do
Comando de Agrupamento Operacional
(CAOP) «ONDE NECESSÁRIO» do Comando
Territorial Independente da Guiné
(CTIG) «CORAGEM E LEALDADE»;
Em 20 de Abril de 1970 morre em
combate no noroeste da Guiné:
Para visualização do conteúdo
clique no sublinhado que se segue:
"Bolanha
de Cachabate", por
J. C. Abreu dos Santos
Desde 13 de Maio de 1970 inumado em
jazigo de família no cemitério
paroquial de Galegos.


Em 27 de Maio de 1970 agraciado a
título póstumo com a
Medalha de
Ouro de Valor Militar com palma:
Major
de Artilharia
JOAQUIM PEREIRA DA SILVA
GUINÉ
Grau: Ouro, com palma (Título
póstumo)
Transcrição do louvor publicado na
Ordem do Exército n.º12 – 2.ª série,
de 1970:
Louvado, a título póstumo, por
proposta do Comandante-Chefe das
Forças Armadas na Guiné, o Major de
Artilharia, Joaquim Pereira da
Silva, morto em combate no "chão
manjaco" da Província da Guiné, pela
forma altamente valorosa como
desempenhou as funções de Oficial de
Informações do Comando do
Agrupamento Operacional, onde
demonstrou, de maneira notável, as
suas invulgares qualidades militares
e humanas e a sua inquebrantável fé
na missão que lhe havia sido
cometida e com a qual se
identificou, dentro do mais elevado
espírito de determinação e alto
sentido do dever.
Excepcionalmente dotado para o
desempenho das funções para que fora
nomeado, revelou sempre, na sua
brilhante e entusiástica conduta,
uma pureza de alma e um contagiante
poder de convicção verdadeiramente
notáveis, galvanizando todos aqueles
que partilhavam da missão que lhe
havia sido confiada.
Iluminado por uma conduta firmada
nos mais sólidos princípios de
justiça, de honra e dignidade,
obteve de forma simples e natural
resultados espectaculares no campo
psicológico, exuberantemente
evidenciados pela conquista das
populações da sua área, sem
distinção de etnias, que o admiravam
e o respeitavam profundamente.
Entregue a profundos estudos,
alicerçados no conhecimento que
possuía das gentes do "chão
manjaco", desenvolveu no decurso de
missões do mais alto interesse para
o teatro de operações, uma
actividade exaustiva e prolongada,
de que resultou alto prestígio para
as Forças Armadas.
A influência que exerceu nas
populações da área, que constituiu,
sem dúvida, o fulcro do
desequilíbrio psicológico altamente
favorável à causa nacional, tornou-o
objectivo de primordial importância,
que esteve na origem da reacção
desesperada do inimigo, que o imolou
no sagrado altar da Pátria quando
cumpria uma nobre missão em prol da
paz, ao serviço da qual já inúmeras
vezes revelara elevados dotes de
coragem moral e física, de audácia,
de firmeza e de heroísmo.
Assim, o Major Pereira da Silva,
pelo conjunto raro de qualidades
militares e humanas que nele se
cruzavam, pela forma notável como
contribuiu com a sua acção para o
êxito da missão das Forças Armadas e
pela forma heroica como morreu,
ganhou jus à gratidão do Exército e
da Pátria, que tão devotadamente
serviu, num raro exemplo da mais
alta grandeza de valor militar, que
permanecerá perene na história da
luta travada em terras da Guiné
Portuguesa.
(Dário do Governo, II série, n.º
131 de 5 do corrente).
Transcrição da Portaria que
concede a condecoração, publicada na
mesma Ordem do Exército:
Por Portaria de 27 de Maio de 1970:
Manda
o Governo da República Portuguesa,
pelo Ministro da Defesa Nacional,
condecorar, a título póstumo, por
proposta do Comandante-Chefe das
Forças Armadas na Guiné, o Major de
Artilharia, Joaquim Pereira da
Silva, com a Medalha de Ouro de
Valor Militar, com palma, nos termos
do artigo 6.º, com referência ao §
1.º do artigo 51.º, do Regulamento
da Medalha Militar, de 28 de Maio de
1946.
(Diário do Governo, II série, n.º
131 de 5 do corrente).
Em 7 de Julho de 1970 promovido a
título póstumo, por distinção, a
tenente-coronel.
A sua Alma repousa em Paz.
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20 de Abril de 1970:
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clique no sublinhado que se segue:
Foi no noroeste da Guiné que
aconteceu o "Massacre do Chão
Manjaco"
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