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Condecorações

20Abr1970: Barbamente assassinados 3 Majores, 1 Alferes e 3 Guias, do Exército Português

 

[...] Os sete corpos estavam espalhados. Dava a ideia de que tentaram fugir. Partiram desarmados para o encontro. Não tinham maneira de se defenderem. Foram apanhados à traição. Todos eles eram homens valentes. [...]

 

Testemnho de Francisco Rodrigues, Furriel Mil.º

 

HONRA E GLÓRIA

Elementos cedidos por um

colaborador do portal UTW

 

 

Joaquim Pereira da Silva

 

Major de Artilharia

 

Angola: Jul1961 a Set1963

 

Comandante da

Bateria de Artilharia 147

Grupo de Artilharia 157

 

 

 

Guiné: Mai1966 a Mai1968

Oficial de Informações e Operações e Adjunto do

Batalhão de Artilharia 733

«VALOROSOS AUDAZES CORAJOSOS»

 

Guiné: Fev1969 a Abr1970

Chefe da

2.ª Repartição do Comando de Agrupamento Operacional/CTIG

«ONDE NECESSÁRIO»

 

Medalha de Ouro de Valor Militar com palma

(Título póstumo)

Medalha de Mérito Militar de 2.ª classe

Medalha de Promoção por Distinção

(Título póstumo)

 

 

 

Joaquim Pereira da Silva, Major de Artilharia, nascido no dia 5 de Outubro de 1931 na freguesia de Galegos, concelho de Penafiel, filho de Maria Engrácia da Silva Mendes e de Vitorino Pereira da Silva.


Em 3 de Novembro de 1950 ingressa na Escola do Exército, para frequentar o curso de artilharia;


De 9 a 14 de Novembro de 1959, capitão do quadro da arma de artilharia (n/m 50692711), encontrando-se colocado no Grupo de Artilharia Contra Aeronaves 3 (GACA3 – Espinho) «VENÇA OU IGUALE OS GRANDES JÁ PASSADOS», frequenta na Escola Prática de Infantaria (EPI – Mafra) «AD UNUM» o 3º curso de métodos de instrução;


Em 24 de Julho de 1961, tendo sido mobilizado pelo Regimento de Artilharia Ligeira 1 (RAL1 – Sacavém) «EM PERIGOS E GUERRAS ESFORÇADOS» para servir Portugal na Província Ultramarina de Angola, embarca no Aeródromo Base n.º 1 (AB1 - Figo Maduro) rumo à Base Aérea n.º 9 (BA9 – Luanda), a fim de assumir o comando da Bateria 147 (Btr147) do Grupo de Artilharia de Campanha 157 (GAC157);


Em 30 de Setembro de 1963 regressa à Metrópole a bordo do NTT 'Vera Cruz;


Em 10 de Outubro de 1963 fica colocado no Regimento de Artilharia Pesada 2 (RAP2 – Gaia) «BRAVOS E SEMPRE LEAIS»;


Em 14 de Outubro de 1964 transferido para o Estado-Maior do Exército (EME) «NON NOBIS», a fim de frequentar no Instituto dos Altos Estudos Militares (IAEM – Pedrouços) «NÃO HOUVE FORTE CAPITÃO, QUE NÃO FOSSE TAMBÉM DOUTO E CIENTE» o curso geral de estado-maior;


Em 28 de Junho de 1965 é colocado no Regimento de Artilharia Antiaérea Fixa (RAAF-Queluz) «O CÉU E TERRA ESPANTA» para preenchimento de vaga;


Em 29Nov1965 transferido para o Regimento de Artilharia Pesada 2 (RAP2 – Gaia) «BRAVOS E SEMPRE LEAIS»;


Em 7 de Maio de 1966, tendo sido mobilizado pelo Regimento de Artilharia Ligeira 1 (RAL1 – Sacavém) «EM PERIGOS E GUERRAS ESFORÇADOS» para servir Portugal na Província Ultramarina da Guiné, embarca no Aeródromo Base n.º 1 (AB1 - Figo Maduro) rumo à Base Aérea n.º 12 (BA12 – Bissalanca), a fim de assumir em Farim o cargo de Oficial de Informações e Operações / Adjunto (OfInfOp/Adj) do comando do Batalhão de Artilharia 733 (BArt733) «VALOROSOS AUDAZES CORAJOSOS»;


Em 1 de Agosto de 1966 transferido para Bissau, como adjunto da 3.ª Repartição do Quartel General do Comando Territorial Independente da Guiné (3ªRep-QG/CTIG) «CORAGEM E LEALDADE»;


Em 4 de Novembro de 1966 promovido a major;


Em 12 de Janeiro de 1967 assume a chefia da 3.ª Repartição do Quartel General do Comando Territorial Independente da Guiné (3ªRep-QG/CTIG) «CORAGEM E LEALDADE»;


Em 19 de Maio de 1968 regressa à Metrópole, ficando colocado no Regimento de Artilharia Ligeira 4 (RAL4 – Leiria) «FORTES E LEAIS»;


Em 11 de Junho de 1968 agraciado com a Medalha de Mérito Militar de 2ª classe:
 

Major de Artilharia
JOAQUIM PEREIRA DA SILVA
 

GUINÉ


Louvado o major de artilharia Joaquim Pereira da Silva, porque, durante todo o tempo da sua comissão no Comando Territorial Independente da Guiné, demonstrou excepcionais qualidades morais e profissionais, que o creditaram como militar de extraordinários méritos, de real valor e de invulgar capacidade realizadora.


Primeiro como oficial de operações do Batalhão de Artilharia n.º 733 e depois como adjunto da 3.ª Repartição do Quartel-General, para as operações do mais difícil e delicado sector do teatro de operações da Guiné, não só pela importância vital desse sector no quadro geográfico da província, como também pelo volume das forças nele empenhadas, entregou-se devotadamente ao desempenho das suas funções, vivendo-as apaixonadamente, com um entusiasmo e espírito de missão verdadeiramente exemplares, sem olhar a horas de folga e descanso que, sistematicamente, pode dizer-se, tinha de sacrificar para poder satisfazer cabal e prontamente as constantes e absorventes solicitações das unidadv que operavam no sector à sua responsabilidade.


Servido por lúcida inteligência e natural intuição para os assuntos de ordem operacional, dotado de notável capacidade de análise e de estudo, e alicerçado em sólidos conhecimentos militares, realizou trabalhos altamente importantes e difíceis no que se refere ao planeamento e coordenação da actividade operacional das unidades que actuavam no sector a seu cargo, elaborando pareceres, comentários e sugestões que, fundamentados criteriosa e objectivamente, eram sempre os mais ajustados e judiciosos face às realidades e possibilidades.


Acompanhando com o maior interesse e sentido de missão todas as operações que se realizavam no seu sector, tomou parte frequentes vezes nos respectivos postos de comando volantes, indiferente a sacrifícios e incomodidades, para assim melhor coordenar e orientar a acção das unidades, que viam nele, mais que um elemento da 3.ª Repartição, um valioso colaborador e conselheiro, cujas opiniões e sugestões eram sempre consideradas muito úteis e valiosas.


Tendo do dever uma alta e consciente noção, fazendo da sua profissão verdadeiro sacerdócio, que não conhece pausas nem desfalecimentos, deu provas inequívocas de militar excepcionalmente dotado, materializadas em trabalhos que transcenderam o âmbito dos da Repartição, realizados em acumulação e sem prejuízo do já por si assoberbante serviço que na Repartição lhe estava cometido.


Aliando às suas brilhantes qualidades profissionais excelentes qualidades de carácter, de camaradagem e de lealdade, com uma vincada personalidade e de uma modéstia que imprimiu à sua acção um cunho de naturalidade que mais a valoriza, soube o major Pereira da Silva merecer a ilimitada confiança dos seus chefes e a muita consideração e estima dos seus camaradas e subordinados, devendo os seus serviços prestados em campanha ser considerados de grande mérito.


De 7 de Outubro de 1968 a 14 de Fevereiro de 1969 frequenta no Instituto de Altos Estudos Militares (IAEM - Pedrouços) «NÃO HOUVE FORTE CAPITÃO, QUE NÃO FOSSE TAMBÉM DOUTO E CIENTE» o 1º curso de promoção a oficial superior das armas e serviços;


Seguidamente, tendo sido nomeado por designação para servir Portugal novamente na Província Ultramarina da Guiné, embarca no Aeródromo Base n.º 1 (AB1 - Figo Maduro) rumo à Base Aérea n.º 12 (BA12 – Bissalanca), a fim de assumir em Vila Teixeira Pinto a chefia da 2.ª Repartição (2ªRep) do Comando de Agrupamento Operacional (CAOP) «ONDE NECESSÁRIO» do Comando Territorial Independente da Guiné (CTIG) «CORAGEM E LEALDADE»;


Em 20 de Abril de 1970 morre em combate no noroeste da Guiné:

 

Para visualização do conteúdo clique no sublinhado que se segue:

"Bolanha de Cachabate", por J. C. Abreu dos Santos

 

Desde 13 de Maio de 1970 inumado em jazigo de família no cemitério paroquial de Galegos.

 

 


Em 27 de Maio de 1970 agraciado a título póstumo com a Medalha de Ouro de Valor Militar com palma:
 

Major de Artilharia
JOAQUIM PEREIRA DA SILVA
 

GUINÉ


Grau: Ouro, com palma (Título póstumo)


Transcrição do louvor publicado na Ordem do Exército n.º12 – 2.ª série, de 1970:
 

Louvado, a título póstumo, por proposta do Comandante-Chefe das Forças Armadas na Guiné, o Major de Artilharia, Joaquim Pereira da Silva, morto em combate no "chão manjaco" da Província da Guiné, pela forma altamente valorosa como desempenhou as funções de Oficial de Informações do Comando do Agrupamento Operacional, onde demonstrou, de maneira notável, as suas invulgares qualidades militares e humanas e a sua inquebrantável fé na missão que lhe havia sido cometida e com a qual se identificou, dentro do mais elevado espírito de determinação e alto sentido do dever.


Excepcionalmente dotado para o desempenho das funções para que fora nomeado, revelou sempre, na sua brilhante e entusiástica conduta, uma pureza de alma e um contagiante poder de convicção verdadeiramente notáveis, galvanizando todos aqueles que partilhavam da missão que lhe havia sido confiada.

 
Iluminado por uma conduta firmada nos mais sólidos princípios de justiça, de honra e dignidade, obteve de forma simples e natural resultados espectaculares no campo psicológico, exuberantemente evidenciados pela conquista das populações da sua área, sem distinção de etnias, que o admiravam e o respeitavam profundamente.


Entregue a profundos estudos, alicerçados no conhecimento que possuía das gentes do "chão manjaco", desenvolveu no decurso de missões do mais alto interesse para o teatro de operações, uma actividade exaustiva e prolongada, de que resultou alto prestígio para as Forças Armadas.


A influência que exerceu nas populações da área, que constituiu, sem dúvida, o fulcro do desequilíbrio psicológico altamente favorável à causa nacional, tornou-o objectivo de primordial importância, que esteve na origem da reacção desesperada do inimigo, que o imolou no sagrado altar da Pátria quando cumpria uma nobre missão em prol da paz, ao serviço da qual já inúmeras vezes revelara elevados dotes de coragem moral e física, de audácia, de firmeza e de heroísmo.


Assim, o Major Pereira da Silva, pelo conjunto raro de qualidades militares e humanas que nele se cruzavam, pela forma notável como contribuiu com a sua acção para o êxito da missão das Forças Armadas e pela forma heroica como morreu, ganhou jus à gratidão do Exército e da Pátria, que tão devotadamente serviu, num raro exemplo da mais alta grandeza de valor militar, que permanecerá perene na história da luta travada em terras da Guiné Portuguesa.


(Dário do Governo, II série, n.º 131 de 5 do corrente).


Transcrição da Portaria que concede a condecoração, publicada na mesma Ordem do Exército:


Por Portaria de 27 de Maio de 1970:


Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro da Defesa Nacional, condecorar, a título póstumo, por proposta do Comandante-Chefe das Forças Armadas na Guiné, o Major de Artilharia, Joaquim Pereira da Silva, com a Medalha de Ouro de Valor Militar, com palma, nos termos do artigo 6.º, com referência ao § 1.º do artigo 51.º, do Regulamento da Medalha Militar, de 28 de Maio de 1946.


(Diário do Governo, II série, n.º 131 de 5 do corrente).


Em 7 de Julho de 1970 promovido a título póstumo, por distinção, a tenente-coronel.
 

A sua Alma repousa em Paz.
 

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20 de Abril de 1970:

 

Para visualização do conteúdo clique no sublinhado que se segue:

Foi no noroeste da Guiné que aconteceu o "Massacre do Chão Manjaco"

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