Jorge Manuel Cabeleira Filipe, Tenente
de Cavalaria, comandante do PelPM5
"Pouco se fala hoje
em dia nestas coisas mas é bom que para
preservação do nosso orgulho como Portugueses,
elas não se esqueçam"
Barata da Silva, Vice-Comodoro
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HONRA E GLÓRIA |
Elementos cedidos por um
colaborador do portal UTW |

Jorge Manuel Cabeleira
Filipe
Tenente de Cavalaria
Comandante do
Pelotão
de Polícia Militar 5
«MORTE OU GLÓRIA»
Angola: Jun1961 a
05Ago1961
(data do falecimento)
Medalha de Prata de
Valor Militar com palma
(Título póstumo)
Jorge Manuel Cabeleira Filipe, Tenente de Cavalaria,
nascido no dia 22 de Janeiro de 1935 na Marinha Gran-de,
filho de Palmira Cabeleira Filipe e de Armindo Salvador
Filipe.
Em Outubro de 1945 entra para o Colégio Militar
«SERVIR», como aluno n.º 98/1945.
Em 15 de Outubro de 1953 ingressa na Escola do Exército
«DULCE ET DECORUM EST PRO PATRIA
MORI», a fim de
frequentar o curso de cavalaria;
Em 12 de Fevereiro de 1960, Tenente de Cavalaria
colocado na Escola Prática de Cavalaria (EPC -
Santarém)
«MENS AGITAT MOLEM» e entretanto casado com Maria Teresa
de Noronha Santos Gallo Filipe, transferido para o
Regimento de Lanceiros 2 (RL2 - Ajuda) «MORTE OU
GLÓRIA»;
Em 5 de Junho de 1961, tendo sido mobilizado pelo
Regimento de Lanceiros 2 (RL2 - Ajuda) «MORTE OU
GLÓRIA»
para servir Portugal na Província Ultramarina de Angola,
embarca em Lisboa com destino a Luanda como comandante
do Pelotão de Polícia Militar 5 (PelPM5) «MORTE OU
GLÓRIA»;
No final da tarde de 5ªfeira do dia 3 de Agosto de 1961,
ao km.105 da estrada Luanda-Dondo, uma patrulha apeada
do Esquadrão de Cavalaria 107 (ECav107) quando em
progressão entre o posto administrativo de Cassoneca e a
povoação de Maria Tereza (apeadeiro ferroviário), ao
aproximar-se da sanzala Mussungo é atacada na mata
Canacanjungo por um bando armado da UPA (União das
Populações de Angola), o qual causa a morte do soldado
atirador Manuel de Pinho e Silva (nota1).
Nessa mesma noite de 3 a 4 de Agosto de 1961, uma
reduzida equipa da Companhia de Polícia Militar 233
(CPM233) comandada pelo Tenente Cabeleira Filipe e pelo
Alferes de Cavalaria
José Pedro Simões Caçorino Dias,
guiados por um sentinela inimigo recém-capturado, sai de
Luanda para acção de punição e eventual recuperação de
armamento das Nossas Tropas perdido na refrega do
anterior ataque, tendo sido próximo daquele mesmo local
alvo de forte emboscada da UPA (União das Populações de
Angola), durante a qual o Tenente Cabeleira Filipe cai
gravemente ferido com dois tiros no abdómen e nessa
madrugada imediatamente evacuado para o Hospital Militar
de Luanda;
Entretanto um pelotão da Companhia de Caçadores 168
(CCac168), subunidade desde há três dias colocada na
Cassoneca, quando procedia ao reforço da acção da
Polícia Militar, sofre naquela mesma mata outro ataque
da UPA, do qual resulta a morte do soldado atirador
Joaquim de Sousa Ferreira (nota2).
No sábado, dia 5 de Agosto de 1961, o Tenente Cabeleira
Filipe é operado no hospital, mas não resiste aos graves
ferimentos e vem a falecer no dia seguinte;
Tinha 26 anos de idade;
Em 18 de Dezembro de 1962, o falecido oficial é
agraciado a título póstumo com a Medalha de Prata de
Valor Militar com palma;
Encontra-se inumado no cemitério municipal da sua
naturalidade.
A sua Alma repousa
em Paz
Medalha de Prata de
Valor Militar com palma
(Título póstumo)
Tenente de Cavalaria
JORGE MANUEL CABELEIRA FILIPE
CPM - RC2
ANGOLA
Grau: Prata, com palma (Título póstumo)
Transcrição do louvor publicado na OE n.º 1 – 2.ª série,
de 1963:
Por Portaria de 18 de Dezembro de 1962:
Louvado, a titulo póstumo, o Tenente de Cavalaria, Jorge
Manuel Cabeleira Filipe, da Companhia de Polícia Militar
do Quartel-General da Região Militar de Angola, morto em
combate à frente dos seus homens, na regi-ão de
Mussungo, porque durante a sua breve mas gloriosa
carreira militar, se evidenciou sempre como militar
extraordinariamente desembaraçado e de forte
personalidade, bem como possuidor de exemplar espírito
militar e de um temperamento irrequieto, que o levava a
oferecer-se constantemente para todas as missões da sua
Companhia.
Soube ser sempre um verdadeiro chefe, leal,
compreensivo, generoso, heroico e destemido, qualidades
bem demonstradas nas acções de restabelecimento da paz e
da ordem pública nos muceques de Luanda e na captura de
indivíduos altamente colocados nas forças inimigas.
A ele se deve, em grande parte, a organização da Polícia
Militar daquele Quartel-General, onde deu o melhor do
seu entusiasmo e esforço e toda a sua competência
profissional, conseguindo transmitir a todos os seus
camaradas e subordinados uma vontade forte de vencer e
um elevado espírito de justiça nas causas em que
interviesse a Polícia Militar.
Obreiro infatigável da paz, demonstrou, com o exemplo e
o sacrifício da vida, as suas invulgares capacidades de
chefe e camarada.
Pela prática destes actos de rara abnegação, valentia e
coragem, pelo decidido e bravo espírito de bem servir,
pela generosa doação de todas as suas forças no
cumprimento da sua missão e, ainda, pelo mérito das suas
qualidades extraordinárias de comando, o Tenente
Cabeleira Filipe prestou serviços invulgarmente
relevantes e impôs-se como alto exemplo de militar
brioso, firme e plenamente devotado à profissão das
Armas, acres-centando gló-ria e prestígio ao Exército e
à Pátria portuguesa.
Transcrição da Portaria que concede a condecoração,
publicada na mesma Ordem do Exército:
Por Portaria de 18 de Dezembro de 1962:
Condecorado, a título póstumo, com a Medalha de Prata de
Valor Militar, com palma, nos termos dos artigos 7.º,
8.º e § 1.º do artigo 51.º do Regulamento da Medalha
Militar, de 28 de Maio de 1946, o Tenente de Cavala-ria
Jorge Manuel Cabeleira Filipe.
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(nota1)
Manuel de Pinho e Silva
Manuel de Pinho e Silva, Soldado Atirador de Cavalaria,
n.º 149/60, natural da freguesia de Sanfins, concelho da
Vila da Feira, filho de Manuel da Silva Aguiar e de
Adelaide Luísa de Pinho, solteiro;
Mobilizado pelo Regimento de Cavalaria 6 (RC6 – Porto)
«AVANTE PARA A GLÓRIA» para servir Portugal na Província
Ultramarina de Angola, integrado no Esquadrão de
Cavalaria 107 (ECav107) «POR ANGOLA … SEMPRE
CAVALEIROS»;
Faleceu no dia 3 de Agosto de 1961 nq Mata de
Canacanjungo, vítima de ferimentos em combate;
Está inumado na campa n.º 2, fileira n.º 6, do talhão
1.º esquerdo, do cemitério de Camabatela.
(nota2)
Joaquim de Sousa
Ferreira
Joaquim de Sousa Ferreira, Soldado
Atirador de Infantaria, n.º 208/60, natural da freguesia
de Avintes, conce-lho de Vila Nova de Gaia, filho de
João Dias Ferreira e de Marcelina Alice Pereira Sousa,
solteiro;
Mobilizado pelo Regimento de Infantaria 6 (RI6 – Porto)
para servir Portugal na Província Ultramarina de
Ango-la, integrado na Companhia de Caçadores 168
(CCac168) do Batalhão de Caçadores 159 (BCac159) «SÃO
JOSÉ – BRAÇO ÀS ARMAS FEITO»;
Faleceu no dia 4 de Agosto de 1961 em Cassoneca, perto
da sanzala Mossungo, vítima de ferimentos em combate;
Está inumado no cemitério de Avintes, Vila Nova de Gaia.
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O seu nome faz parte da toponímica da
cidade da Marinha Grande:

