Fonte: Município de Águeda
Monumento presta
homenagem aos combatentes do Ultramar em Águeda
Inaugurado no dia 25 de Abril de
2023
“As
feridas da guerra, que nos cortam a alma, não se
apagam. É isso que nos faz estar aqui hoje”,
disse Jorge Almeida, Presidente da Câmara Municipal
de Águeda, ontem, na inauguração do Monumento de
Homenagem aos Combatentes do Ultramar, um dos
momentos marcantes das celebrações do 49.º
aniversário do 25 de Abril.
O conjunto escultórico, da autoria
do artista Paulo Neves, evoca os 18 militares
aguedenses que faleceram em combate, “estes
nossos heróis que cederam a vida pela Pátria”, e
simboliza, ao mesmo tempo, “sobretudo para as
gerações vindouras, as guerras que não queremos”.
Um simbolismo personalizado nos
familiares dos militares homenageados, muitos deles
presentes na cerimónia, que “sofreram
no coração e na alma o pior que a guerra tem, a
morte dos vossos entes queridos”, frisou
Jorge Almeida, realçando que a estes soldados “foi-lhes
cortado o direito de existirem, de serem felizes e
de fazerem os outros felizes”.
“Repudiamos
todas as guerras”, continuou o Presidente
da Câmara, lembrando que, “hoje,
numa Europa muito perto de nós, continua a haver
mobilização de soldados, filhos de mães e pais, com
namoradas e esposas, alguns deles porventura com
filhos e sobretudo com muitos familiares, que vão
para a guerra”. Uma realidade – com “o
horror que nos entra pela janela adentro (televisão)”
– que “já não
deveria existir”.
Nesta guerra, que “percebemos
que vai demorar a acabar”, há muitos
soldados que “não são de
Águeda mas são do mundo e vão ter o mesmo fim que
estes e isto não nos pode descansar”.
O monumento, localizado “num
dos espaços mais nobre do concelho”, no
Largo de S. Sebastião, mostra que esta é uma memória
que “não se apaga”
e a sua construção “é
um ato de justiça. Na espuma dos dias, muitas vezes,
esquecemo-nos do fundamental e agradecer,
reconhecer, homenagear quem dá a vida não tem tempo
de prescrição”.
Também Filipe de Almeida,
Presidente da Assembleia Municipal de Águeda,
lembrou o exemplo, grandeza e valentia destes 18
homens que deram a sua vida pela Pátria. “Hoje,
49 anos depois, voltamos a lembrar cada um destes 18
soldados e reafirmamos o nosso obrigado”,
disse.
O secretário-geral da Liga dos
Combatentes, Coronel Faustino Hilário, chamou por
cada um dos militares falecidos, a que todos
gritaram “Presente”.
Um momento de grande simbolismo e comoção que não
deixou, nem os mais afetados pela dureza da vida,
das lutas e guerras travadas, ninguém indiferente. O
próprio representante dos combatentes, com voz
embargada, agradeceu “profundamente”
a homenagem prestada em Águeda. “O
civismo, o gesto cultural, a postura que aqui vi,
podem crer, vai no meu coração”.
D. António Moiteiro Ramos, Bispo
de Aveiro, enalteceu a vida que cada soldado deu
pelo país e apelou a um compromisso pela construção
da paz. “Que todos
nos empenhemos em que o ódio e a guerra desapareçam,
construindo a paz, praticando o bem”,
disse.



