Homenagem e
Memória ao Militar Júlio da Silva Carreira
Soldado Condutor Auto-Rodas N.º
01135166
(1945 – 1968)
I. Da Origem ao
Apelo das Armas
Natural
do lugar de Almorode, na freguesia de Gondifelos,
concelho de Vila Nova de Famalicão, Júlio da Silva
Carreira nasceu no ano de 1945, filho de Mário da
Silva Carreira e de Ana Maria da Costa Leal.
Jovem
honrado e de forte sentido de cidadania, viu-se
chamado ao cumprimento do serviço militar, sendo
mobilizado pelo prestigiado Regimento de Cavalaria
N.º 7 (RC7 – Lisboa), o histórico "Regimento do
Cais", sob a divisa «Quo Tota Vocant».
Foi
integrado na Companhia de Cavalaria N.º 1662
(CCav1662), a quem afetivamente se apelidou de
«OS PIRIQUITOS». No dia 1 de Fevereiro de 1967,
na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, em
Lisboa, embarcou a bordo do Navio de Transporte de
Tropas ‘Uíge’, rumo ao Teatro de Operações da
Guiné, onde aportou no estuário do rio Geba (Bissau)
a 6 de Fevereiro de 1967.
II. O Serviço em
Terra Africana
Assumindo
a exigente e arriscada especialidade de Soldado
Condutor Auto-Rodas, Júlio da Silva Carreira foi
peça fundamental na garantia dos fluxos
logísticos,
do transporte de tropas e do abastecimento em zonas
de elevado risco operacional.
Colocado inicialmente em Nova
Lamego (a 7 de Fevereiro de 1967) sob orientação do
Batalhão
de Caçadores 1856 e integrado no dispositivo do
Comando de Agrupamento 1980, participou em inúmeros
patrulhamentos, batidas e nas perigosas escoltas às
colunas de reabastecimento
destinadas
às posições avançadas de Madina do Boé, Béli,
Canquelifá e Buruntuma.
A 6 de Abril de 1967, a CCav1662
assumiu a responsabilidade do vasto Subsector de
Piche.
Ao longo de cerca de 18 meses de intensa e esgotante
atividade operacional e de ação psicológica —
colaborando sucessivamente com o Batalhão de
Cavalaria 1915 («TIGRES»), o Batalhão de
Caçadores 1933 e o Batalhão de Caçadores 2835 —, a
sua unidade destacou-se em ações de relevo, tais
como as Operações «Mourão II» (ao sul de
Che-Che), «Militar», «Mato», «Ano
Novo» e «Relâmpago».
III. O Supremo
Sacrifício
No dia 24 de Agosto de 1968, em
Piche, quando contava apenas 23 anos de idade, o
Soldado Júlio da Silva Carreira tombou no
cumprimento do dever, vítima de graves ferimentos
colhidos em combate.
A sua Companhia regressaria à
Metrópole em Novembro de 1968 com a consciência do
dever cumprido e a merecida gratidão da Arma de
Cavalaria; contudo, Júlio Carreira ficara para trás,
tendo o seu corpo regressado à sua terra natal para
repousar eternamente no Cemitério Paroquial de
Gondifelos.
IV. A Perenidade
do Nome na Toponímia Local
A memória dos heróis não se apaga
com o passar dos anos. Como justa e merecida
homenagem ao seu sacrifício em prol da Pátria, a
comunidade de Gondifelos e o Concelho de Vila Nova
de Famalicão perpetuaram a sua memória no próprio
solo que o viu nascer.
Hoje, no lugar de Almorode, a Rua
Júlio da Silva Carreira (Código Postal 4760-495
Gondifelos) inscreve para sempre o seu nome na
história e na geografia da sua terra, garantindo que
as futuras gerações recordem o jovem Soldado de
Cavalaria que deu a vida no cumprimento do seu
dever.
Paz à sua Alma.


