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Alijó

 

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Listagem dos mortos naturais do concelho de Alijó

 

Vilar de Maçada

 

José Augusto da Silva Pereira

 

Soldado Desenhador, n.º 2332/63

 

Companhia de Cavalaria 678
«COS NOSSOS FICA A PALMA DA VICTÓRIA»


Cabo Verde: 08Mai a 18Jul1964


Guiné: 18Jul1964 a 30Ago1965 (data do falecimento)

 

Em Memória e Homenagem ao Soldado José Augusto da Silva Pereira (1942 – 1965)


Há nomes que a história inscreve nas páginas do sacrifício colectivo, gravados não apenas na frieza dos registos militares, mas na memória imperecível da pátria e das suas gentes.


José Augusto da Silva Pereira é um desses nomes. Natural de Vilar da Maçada, no concelho de Alijó, onde nasceu no ano de 1942, partiu jovem, aos 23 anos, deixando a sua terra natal e o aconchego dos seus pais, Manuel Torres Pereira e Margarida da Silva, para cumprir o dever militar num tempo de profunda provação.


Soldado Desenhador, com o número de identificação 2332/63, a sua arte e precisão técnica deram lugar ao rigor das armas quando foi mobilizado pelo histórico Regimento de Cavalaria 7 (RC7 – Ajuda), o "Regimento do Cais", sob a divisa «QUO TOTA VOGANT». Integrado na Companhia de Cavalaria 678 — cuja divisa, «DOS NOSSOS FICA A PALMA DA VICTÓRIA», ecoava o espírito de entrega exigido —, o jovem soldado embarcou inicialmente para a Província Ultramarina de Cabo Verde, onde permaneceu em comissão a partir de 8 de Maio de 1964, sob o Comando Territorial Independente de Cabo Verde (CTICV) «PELA FÉ E PELA PÁTRIA».


O destino do conflito ditou que, a 18 de Julho de 1964, a sua subunidade fosse transferida para o exigente cenário da Guiné Portuguesa, passando a integrar o Comando Territorial Independente da Guiné (CTIG), sob o lema «CORAGEM E LEALDADE» - «A LEI DA VIDA ETERNA DILATANDO». Ali começava um percurso sinuoso e corajoso por várias geografias marcadas pela dureza da guerra ultramarina.


Após um breve período de adaptação operacional na região de Quinhémel com a Companhia de Caçadores 414 «SEMPRE EXCELENTES E VALOROSOS», José Augusto e a sua companhia fixaram-se em Bissau, dependentes do Batalhão de Caçadores 600. Em Setembro do mesmo ano, a unidade avançou para Fá Mandinga, assumindo o papel de subunidade de intervenção e reserva do Batalhão de Caçadores 697. Seguiram-se meses de intensa actividade operacional: em Janeiro de 1965, participou na operação “Farol”, que culminou na ocupação de Ponta do Inglês; em Abril, assumiu a responsabilidade do subsector de Bambandinca.


No início de Agosto de 1965, a sua unidade deslocou forças para Xime e Ponta do Inglês, com a missão de assegurar o controlo da zona e ministrar treino operacional à recém-chegada Companhia de Caçadores 1439.


Foi precisamente no subsector do Xime que o perigo e a fatalidade da guerra se cruzaram com o seu destino. No dia 30 de Agosto de 1965, a sua subunidade, agregada ao dispositivo operacional do Batalhão de Caçadores 697, participava na Operação Avante quando foi alvo de uma violenta emboscada lançada pelas forças do PAIGC junto ao Rio Burontoni.


No cumprimento do seu dever e no calor do combate, José Augusto da Silva Pereira foi gravemente ferido. Apesar dos socorros e dos esforços médicos, o jovem soldado não resistiu à gravidade dos ferimentos, vindo a falecer nesse mesmo dia, 30 de Agosto de 1965, no Hospital Militar 241, em Bissau.


A sua vida, promissora e curta, foi ceifada precocemente aos 23 anos de idade. O seu corpo repousa longe do chão transmontano que o viu nascer, encontrando-se inumado na campa n.º 1953 do Cemitério de Bissau, na Província Ultramarina da Guiné.


Esta é uma homenagem ao cidadão, ao desenhador e ao soldado. A distância e o passar das décadas não apagam o rigor do seu percurso, o valor do seu sacrifício nem a dignidade da sua memória.

 

Ao Soldado José Augusto da Silva Pereira, a nossa sentida e respeitosa vénia.


Paz à sua Alma.
 

 

A fotografia foi extraída da Revista da Cavalaria do ano de 1965, página 39, e que foi posteriormente processada por inteligência artificial.

 

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