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Monumentos aos Combatentes, Memoriais e
Campas
Monumentos
aos Combatentes e Campas
Em
memória daqueles que tombaram em defesa
de
Portugal na Guerra do Ultramar
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conteúdo
Listagem dos mortos naturais do concelho
de
Funchal
Com o apoio de um
colaborador do portal UTW

Santa Maria Maior
José
Manuel Mendonça

Soldado Atirador de
Infantaria, n.º 1808/65
Companhia de Caçadores 1439
«BRAVOS AVANTE»
Guiné: 06Ago a
30Ago1965 (data do falecimento)
Em
Memória de José Manuel Mendonça:
O Eco
de um Bravo do Lombo da Boa Viagem
Há nomes que o tempo não apaga, porque
foram escritos com a tinta indelével do
sacrifício e da juventude entregue a uma
pátria distante. José Manuel Mendonça é
um desses nomes.
Nascido no aconchego do Lombo da Boa
Viagem, na histórica freguesia de Santa
Maria Maior, no concelho do Funchal,
José Manuel era filho de David Mendonça
e de Maria Trindade. Um jovem
madeirense, solteiro, com o futuro
inteiro desenhado no horizonte das suas
origens, que viu o seu destino cruzar-se
com as exigências duras da História do
seu país.
O Caminho do
Dever: Do Funchal ao Rio Geba
Recrutado
e mobilizado pelo Batalhão Independente
de Infantaria 19 (BII19 - Funchal), sob
o lema intemporal «NOBRE E FORTE
LUTANDO ATÉ À MORTE», o Soldado
Atirador de Infantaria n.º 1808/65 foi
chamado a servir na Província
Ultramarina da Guiné.
A
despedida da sua terra natal aconteceu a
2 de Agosto de 1965. No porto marítimo
do Funchal, com o coração dividido entre
a saudade e o dever, José Manuel
embarcou no Navio de Transporte de
Tropas Niassa. Integrado num dos
pelotões da Companhia de Caçadores 1439
(CCac1439),
que ostentava com orgulho o grito de
guerra «BRAVOS AVANTE», navegou
rumo ao desconhecido.
Quatro dias depois, a 6 de Agosto de
1965,
o
desembarque no estuário do Geba, em
Bissau, marcou o início de uma realidade
crua. Sob o comando do Capitão Miliciano
de Infantaria Amândio Manuel Pires, a
subunidade seguiu de imediato para a
região
do Xime. Ali, iniciou o treio
operacional com a Companhia de Cavalaria
678 e assumiu a pesada responsabilidade
do subsector, integrando o Batalhão de
Caçadores 697 com a missão de
intervenção e reserva.
A Bravura na Linha
da Frente
O Soldado José Manuel Mendonça não
tardou a demonstrar o brio e a coragem
dos militares madeirenses. Em pouco
menos de um mês em solo africano, tomou
parte activa em operações de elevado
risco e exigência. Destacou-se na
Operação "Bravura" (de 14 a 24 de
Agosto, na região de Galo Corubal) e,
logo de seguida, na Operação "Avante".
Foi precisamente no decorrer desta
última que o destino se cumpriu de forma
trágica. A 30 de Agosto de 1965, junto
ao Rio Burontoni, a sua subunidade foi
alvo de uma violenta e inesperada
emboscada lançada pelas forças do PAIGC.
No calor do combate, face ao fogo
inimigo, o Soldado Mendonça foi
mortalmente ferido.
Tinha chegado ao fim, de forma abrupta e
heroica, a jornada terrena de um jovem
que partira do Funchal escassas semanas
antes.
Naquele fatídico dia,
tombaram com ele
mais três elementos que faziam
parte da operação
«Avante»:
Caçador nativo Adão Canala, da CCS/BCac697 [Cruz de
Guerra de 1.ª classe a título póstumo],
Soldado atirador Tolentino Gouveia, da
CCac1439 e
Soldado José Augusto da Silva Pereira CCav678
O Descanso do
Guerreiro
José Manuel Mendonça repousa hoje longe
do mar da Madeira que o viu crescer.
Encontra-se inumado na campa n.º 1952 do
cemitério de Bissau, na Guiné.
Homenagem:
Mais do que um número
de matrícula ou uma data num arquivo
militar, o Soldado José Manuel Mendonça
é o símbolo de uma geração que deu tudo
o que tinha — a própria vida — em
cumprimento do dever. A sua terra natal
e a Pátria que serviu guardam dele a
memória de um "Bravo" que honrou o lema
do seu batalhão até ao último sopro de
vida.
Paz à sua Alma. A sua história jamais
será esquecida.

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