Honra
e Memória: 1.º Cabo Desempanador José
Duarte Simões Pires (1945 – 1967)
Há nomes que o tempo
não apaga e sacrifícios que a história
de um país tem o dever sagrado de
guardar na sua memória colectiva.
Prestamos hoje uma devida, sentida e
eterna homenagem ao 1.º Cabo
Desempanador José Duarte Simões Pires,
um jovem que, na flor da sua juventude,
serviu a Pátria com coragem e deu a vida
no cumprimento do dever na Guerra do
Ultramar.
Biografia e Percurso Militar
José Duarte Simões
Pires nasceu no ano de 1945, no lugar do
Casal
de
Além, na freguesia da Carapinheira,
concelho de Montemor-o-Velho. Filho de
Joaquim Simões Pires e de Maria Gomes
Duarte, mantinha-se solteiro quando foi
chamado a servir o seu país.
No ano de 1965, foi
incorporado no serviço militar com o
número 03839665, no prestigiado
Regimento de Cavalaria 7 (RC7 – Ajuda) —
unidade que ostenta a divisa
«QUO
TOTA VOCANT» e o título de «REGIMENTO DO
CAIS» — e colocado
na
Companhia de Cavalaria 1538 como 1.º
Cabo Desempanador. Mobilizado por aquele
regimento, partiu com a missão de servir
Portugal na Província Ultramarina de
Angola.
A sua partida para o
teatro de operações ocorreu a 15 de
Abril de 1966, na Gare Marítima da Rocha
do Conde de Óbidos, em Lisboa, onde
embarcou no NTT Niassa integrado
na Companhia de Cavalaria 1538.
Desembarcou no porto de Luanda a 26 de
Abril
de 1966. A sua subunidade, sob o comando
do Capitão Miliciano de Cavalaria José
Eduardo Pires Fernandes, foi integrada
no Batalhão de Cavalaria 1884 (BCav1884)
e posicionada no subsector de Zemba, no
Sector D da Zona de Intervenção Norte,
tendo posteriormente rodado para Tabi a
9 de Maio de 1967.
No dia 11 de Julho de
1967, uma patrulha composta por
dezasseis militares da Companhia de
Cavalaria 1538, do Batalhão de Cavalaria
1884 (mobilizados pelo Regimento de
Cavalaria 7), deslocava-se em duas
viaturas no itinerário da picada entre o
estacionamento do Exército na Fazenda
Tábi e a povoação do Capulo. Durante o
percurso, a força portuguesa foi alvo de
uma emboscada perpetrada por um bando
terrorista da FNLA.
Em consequência deste
violento ataque em combate, a unidade
sofreu quatro feridos graves e três
mortos. Entre as vítimas mortais
encontrava-se o 1.º Cabo José Duarte
Simões Pires que, com apenas 22 anos de
idade, tombou em defesa da Pátria devido
à gravidade dos ferimentos sofridos.
Actualmente, os seus
restos mortais repousam, com a devida
dignidade militar, no cemitério da
freguesia da Carapinheira, a sua terra
natal.
Os outros dois mortos:
António Faildes, Soldado de Armas
Pesadas, n.º 07103365
José Gomes Murilhas, Soldado Condutor
Auto Rodas, n.º 0658136
Homenagem
Evocamos com a mais
profunda vénia, respeito e eterna
gratidão a memória do 1.º Cabo José
Duarte Simões Pires, cujo sacrifício
supremo no cumprimento do dever militar
além-mar honra a sua farda e permanece
indelevelmente gravado na memória dos
seus camaradas de armas e na história da
sua comunidade.
Passadas décadas sobre
o dia em que o seu destino se cumpriu em
combate, o seu corpo descansa hoje na
paz da sua terra natal. À sua memória
imperecível, prestamos a nossa mais
solene homenagem.
Paz à sua Alma.
