Honra e Memória: Soldado
José Gomes Murilhas (1944 - 1967)
Há nomes que o tempo não apaga e
sacrifícios que a história de um país tem o dever
sagrado de guardar na sua memória
colectiva. Prestamos hoje
uma devida, sentida e eterna homenagem ao Soldado
Condutor Auto-Rodas José Gomes Murilhas, um jovem que,
na flor da sua juventude, serviu a Pátria com coragem e
deu a vida no cumprimento do dever na Guerra do
Ultramar.
Biografia e Percurso
Militar
José
Gomes Murilhas nasceu no ano de 1944 na localidade da
Gâmbia, pertencente à freguesia de Pontes-Alto da
Guerra, no concelho de Setúbal, sendo filho de Manuel
Costa Murilhas e de Delmina Gomes Antunes. Era já casado
com Piedade Antónia Catarina Gomes quando a sua vida
tomou o rumo do serviço militar.
No ano de 1965, foi incorporado no
serviço militar com o número 06581365, no
prestigiado
Regimento de Cavalaria 7 (RC7 – Ajuda) — unidade que
ostenta a divisa «QUO TOTA VOCANT» e o título de
«REGIMENTO DO CAIS» — e colocado
na
Companhia de Cavalaria 1538 como Soldado Condutor-Auto.
Mobilizado por aquele regimento, partiu com a missão de
servir Portugal na Província Ultramarina de Angola.
A
sua partida para o teatro de operações ocorreu a 15 de
Abril
de 1966, na Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos,
em Lisboa, onde embarcou no NTT Niassa. Desembarcou no
porto de Luanda a 26 de
Abril
de 1966. A sua subunidade, sob o comando do Capitão
Miliciano de Cavalaria José Eduardo Pires Fernandes, foi
integrada no Batalhão de Cavalaria 1884 (BCav1884) e
posicionada no subsector de Zemba, no Sector D da Zona
de Intervenção Norte, tendo posteriormente rodado para
Tabi a 9 de Maio de 1967.
No dia 11 de
Julho
de 1967, uma patrulha composta por dezasseis militares
da Companhia de Cavalaria 1538 do Batalhão de Cavalaria
1884 deslocava-se em duas viaturas no itinerário da
picada entre o estacionamento do Exército na Fazenda
Tábi e a povoação do Capulo. Durante o percurso, a força
portuguesa foi alvo de uma emboscada perpetrada por um
grupo terrorista da FNLA.
Em consequência deste violento
combate, a unidade sofreu quatro feridos graves e três
mortos. Entre as vítimas mortais encontrava-se o Soldado
José Gomes Murilhas, que faleceu em combate na defesa da
Pátria devido à gravidade dos ferimentos sofridos.
Posteriormente trasladados para a sua
terra natal, os seus restos mortais foram inumados e
repousam hoje, com a devida dignidade, no Cemitério
Municipal de Nossa Senhora da Piedade, em Setúbal.
Os outros dois mortos no mesmo
combate:
António Faildes, Soldado de Armas Pesadas, n.º 07103365
José Duarte Simões Pires, 1.º Cabo Desempanador, n.º
03839665
Homenagem
Evocamos com a mais profunda vénia,
respeito e eterna gratidão a memória do Soldado
Condutor-Auto José Gomes Murilhas, cujo sacrifício
supremo no cumprimento do dever militar além-mar honra a
sua farda e permanece indelevelmente gravado na memória
dos seus camaradas de armas e na história da sua
comunidade.
Passadas décadas sobre o dia em que o
seu destino se cumpriu em combate, o seu corpo descansa
hoje na paz da sua terra natal. À sua memória
imperecível, prestamos a nossa mais solene homenagem.
Paz à sua Alma.
