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Condecorações

20Abr1970: Barbamente assassinados 3 Majores, 1 Alferes e 3 Guias, do Exército Português

 

[...] Os sete corpos estavam espalhados. Dava a ideia de que tentaram fugir. Partiram desarmados para o encontro. Não tinham maneira de se defenderem. Foram apanhados à traição. Todos eles eram homens valentes. [...]

 

Testemnho de Francisco Rodrigues, Furriel Mil.º

 

HONRA E GLÓRIA

Elementos cedidos por um

colaborador do portal UTW

 

 

Raul Ernesto Mesquita da Costa Passos Ramos

 

Major do Corpo do Estado Maior

 

Angola: Jul1961 a Set1964

 

3.ª Repartição do Quartel General

Região Militar de Angola

«AO DURO SACRIFÍCIO SE OFERECE»

 

Guiné: Jan1969 a Abr1970

Chefe do Estado Maior do

Comando de Agrupamento Operacional/CTIG

«ONDE NECESSÁRIO»

 

Medalha de Ouro de Valor Militar com palma

(Título póstumo)

 

Medalha de Prata de Valor Militar

 

Medalha de Prata de Valor Militar com palma

 

Ordem Militar de Avis, grau cavaleiro

(Título póstumo)

 

Medalha de Promoção por Distinção

(Título póstumo)

 

 

 

 

Raul Ernesto Mesquita da Costa Passos Ramos, Major do Corpo do Estado Maior, nascido no dia 14 de Março de 1931 em Boror, freguesia de Mocuba, concelho de Quelimane (Província Ultramarina de Moçambique), filho de Ismira Mesquita da Costa Passos Ramos e de Ernesto Passos Ramos.


Em 12 de Novembro de 1948 ingressa na Escola do Exército, para frequentar o curso de artilharia.


De 7 de Janeiro a 5 de Fevereiro de 1959, capitão do quadro permanente de artilharia (n/m 50275711), da Escola Prática de Artilharia (EPA - Vendas Novas) «...MAIS AFINANDO A FAMA PORTRUGUESA», frequenta na "Escola de Informações, Polícia Militar e Armas Especiais do USArmy", o curso de armas especiais da NATO-Europa;


De 14 a 19 de Março de 1960 frequenta na Escola Prática de Infantaria (EPI - Mafra) «AD UNUM» o 12.º curso de métodos de instrução;


Em 10 de Agosto de 1960 , comandante da Bataria da Escola Prática de Artilharia (EPA - Vendas Novas) «...MAIS AFINANDO A FAMA PORTRUGUESA», agraciado com a Medalha de Prata de Serviços Distintos:


Capitão de Artilharia
Raul Ernesto Mesquita da Costa Passos Ramos


Transcrição da Portaria publicada na Ordem do Exército n.º 12 - 2.ª série, de 1960


Por Portaria de 10 de Agosto de 1960


Condecorado com a Medalha de Prata de Serviços Distintos, por ter sido considerado ao abrigo da alínea a) do artigo 17.º, com referência ao artigo 51.º, do Regulamento da Medalha Militar, de 28 de Maio de 1946, o Capitão de Artilharia da Escola Prática da Arma, Raul Ernesto Mesquita da Costa Passos Ramos.


Transcrição do louvor que originou a condecoração


(Por Portaria da mesma data, publicada naquela Ordem do Exército)


Louvado o Capitão de Artilharia, da Escola Prática da Arma, Raul Ernesto Mesquita da Costa Passos Ramos, pela forma competente e dedicada como vem servindo a arma de artilharia, por vezes mesmo com prejuízo da sua saúde.


Oficial novo, mas já conhecido e considerado na sua arma, tem sabido, mercê das suas óptimas qualidades morais e militares, impor-se à estima e consideração de quantos com ele contactam e a sua acção, como instrutor de sucessivos cursos de oficiais, merece especial referência.


Estudioso e sabedor, pôs à prova, ainda recentemente, as suas aptidões nos cursos de analistas de objectivos atómicos, que a Direcção da Arma de Artilharia fez funcionar para os oficiais da Escola Prática de Artilharia e em que, mais unia vez, confirmou o conceito em que é tido, prestando à sua arma serviços que devem ser considerados relevantes e distintos.


Em 16 de Julho de 1961 nomeado para servir Portugal na Província Ultramarina de Angola, a fim de ser colocado na 3.ª Repartição do Quartel General (QG) da Região Militar de Angola (RMA) «AO DURO SACRIFÍCIO SE OFERECE»;


Em 4 de Fevereiro de 1964 agraciado com a segunda Medalha de Prata de Serviços Distintos com palma:

 


Capitão de Artilharia
Raul Ernesto Mesquita da Costa Passos Ramos


Transcrição da Portaria publicada na Ordem do Exército n.º 6 - 2.ª série, de 1964


Por Portaria de 4 de Fevereiro de 1964


Condecorado com a Medalha de Prata de Serviços Distintos, com palma, por ter sido considerado ao abrigo da alínea a) do artigo 17.º, com referência ao § 2.º do artigo 51.º do Regulamento da Medalha Militar, de 28 de Maio de 1946, o Capitão de Artilharia Raul Ernesto Mesquita da Costa Passos Ramos.


Transcrição do louvor que originou a condecoração


(Por Portaria da mesma data, publicada naquela Ordem do Exército)


Louvado o Capitão de Artilharia Raul Ernesto Mesquita da Costa Passos Ramos, porque, tendo sido encarregado do cumprimento de muitas, complexas, difíceis e variadas funções, este oficial revelou sempre possuir no grau mais elevado aquelas qualidades de lealdade, carácter, dinamismo, força de vontade e amor às responsabilidades que caracterizam um verdadeiro militar.


Estas virtudes, aliadas à sua inteligência brilhante, à sua invulgar capacidade de trabalho, ao seu espírito e sacrifício e à fé inabalável no êxito da missão cometida à região militar de Angola, tornam-no digno de ser apontado como exemplo vivo a todos aqueles que, devotadamente, servem o Exército e a Nação em Angola.


Tendo colaborado de forma activa e prestante em muitos trabalhos de planeamento elaborados na 3.ª Repartição do Quartel-General, nomeadamente nos planos das operações Centauro Grande e Marfim Negro, o Capitão Passos Ramos houve-se por forma a que à sua acção atenta e inteligente se fica devendo, em grande parte, a felicidade com que estes planos foram executados.
Mas nem só nos trabalhos de planeamento o capitão Ramos tem demonstrado as suas excelentes aptidões; tendo sido muitas vezes nomeado delegado ou observador do comando da região junto de unidades em combate, demonstrou, em todas as circunstâncias, possuir virtudes militares que o tornam digno da consideração e do apreço de todos os que com ele têm contactado.


Assim, o Capitão de Artilharia Raul Ernesto Mesquita da Costa Passos Ramos contribuiu de forma invulgar para prestigiar as instituições militares e o Comando da Região Militar de Angola e mereceu sempre a inteira confiança dos seus chefes, havendo já prestado ao Exército serviços que devem, com toda a justiça, ser considerados altos, relevantes e distintos.


Em 1 de Setembro de 1964 regressa à Metrópole e à Escola Prática de Artilharia (EPA - Vendas Novas) «...MAIS AFINANDO A FAMA PORTRUGUESA»;


Em 14 de Outubro de 1964 colocado no Estado-Maior do Exército «NON NOBIS», a fim de frequentar no Instituto de Altos Estudos Militares (IAEM - Pedrouços) «NÃO HOUVE FORTE CAPITÃO, QUE NÃO FOSSE TAMBÉM DOUTO E CIENTE» o curso geral de estado-maior;


Em 9 de Fevereiro de 1965 promovido a major (com antiguidade a 23 de Novembro de 1964);


Em 31 de Julho de 1965 conclui o curso geral de estado-maior;


No ano lectivo 1966/67 do Instituto de Altos Estudos Militares (IAEM - Pedrouços) «NÃO HOUVE FORTE CAPITÃO, QUE NÃO FOSSE TAMBÉM DOUTO E CIENTE», frequenta com aproveitamento o curso complementar de estado-maior;


Em 31 de Julho de 1968 conclui o tirocínio para ingresso no corpo de estado-maior;


Em 8 de Janeiro de 1969, supranumerário permanente do Estado-Maior do Exército (EME) «NON NOBIS», tendo sido nomeado por designação para servir Portugal na Província Ultramarina da Guiné, embarca no Aeródromo Base n.º 1 (AB1 - Figo Maduro) rumo à Base Aérea n.º 12 (BA12 - Bissalanca), a fim de assumir funções como Chefe do Estado-Maior do Comando de Agrupamento Operacional (CAOP) «ONDE NECESSÁRIO» do Comando Territorial Independente da Guiné (CTIG) «A LEI DA VIDA ETERNA DILATANDO»;


Em 20 de Abril de 1970 morre em combate no noroeste da Guiné

 

Para visualização do conteúdo clique no sublinhado que se segue:

"Bolanha de Cachabate", por J. C. Abreu dos Santos


Desde 13 de Maio de 1970 inumado no cemitério paroquial de Paranhos, concelho do Porto.

 

 

Imagens cedida pelo veterano José Manuel Potier
 

Em 27 de Maio de 1970 agraciado a título póstumo com a Medalha de Ouro de Valor Militar com palma:
 

Major do Corpo do Estado Maior
RAUL ERNESTO MESQUITA DA COSTA PASSOS RAMOS
 

GUINÉ
 

Grau: Ouro, com palma (Título póstumo)


Transcrição do louvor publicado na Ordem do Exército n.º 12 – 2.ª série, de 1970:


Louvado, a título póstumo, por proposta do Comandante-Chefe das Forças Armadas na Guiné, o Major do Corpo do Estado-Maior, Raul Ernesto Mesquita da Costa Passos Ramos, morto em combate no "chão manjaco", da Província da Guiné, pela forma excepcionalmente valorosa como desempenhou as funções de Chefe do Estado-Maior, do Comando do Agrupamento Operacional, onde revelou, de maneira inequívoca, notáveis virtudes militares e humanas e o mais acrisolado amor à Pátria.


Oficial de excepção, dotado de raros dotes de inteligência, de invulgar aptidão para o comando de tropas em campanha, estruturou, organizou e dinamizou o Comando do Agrupamento Operacional por forma a obter um excepcional rendimento operacional, patenteando notáveis qualidades de competência e de trabalho e um profundo conhecimento dos problemas da sua zona de acção, quer do ponto de vista militar, quer social e humano.


Acompanhando frequentemente as tropas em operações e dando em todos os actos da sua vida um inquebrantável exemplo de determinação e de alto sentido do dever, o Major Passos Ramos conquistou, sem reservas, o respeito, a admiração, a estima e a consideração não só dos seus subordinados e dos camaradas que com ele privaram, como da população da área, que tinha por ele uma verdadeira veneração e uma confiança sem limites.


Integrado perfeitamente na orientação do Comando-Chefe, a forte influência que vinha desenvolvendo no decurso de missões do mais alto interesse para a conquista da paz na Guiné está na origem da reacção desesperada do inimigo que o imolou no sagrado altar da Pátria, no cumprimento de uma nobre missão em prol da paz, ao serviço da qual já mais vezes revelara elevados dotes de serena coragem moral e física, de audácia, de desprezo pelo perigo, de firmeza e de heroísmo.


O Major Passos Ramos, figura completa de verdadeiro militar, reunia ao conjunto de altos dotes intelectuais, um impoluto carácter e uma firmeza de convicções que o levaram a ter uma fé inquebrantável na vitória, prestando ao teatro de operações da Guiné, serviços que tiveram a mais alta repercussão na manobra de contra-subversão em curso, pelo que bem merece a gratidão do Exército e da Pátria, que tão devotadamente soube servir, num raro exemplo da mais alta grandeza de valor militar, que permanecerá perene na história da luta travada em terras da Guiné Portuguesa.


(Diário do Governo, II série, n.º 131 de 5 do corrente).


Transcrição da Portaria que condece a condecoração, publicada na mesma Ordem do Exército:


Por Portaria de 27 de Maio de 1970:


Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro da Defesa Nacional, condecorar, a título póstumo, por proposta do Comandante-Chefe das Forças Armadas na Guiné, o Major do Corpo do Estado-Maior, Raul Ernesto Mesquita da Costa Passos Ramos, com a Medalha de Ouro de Valor Militar, com palma, nos
termos do artigo 6.º, com referência ao § 1.º do artigo 51.º, do Regulamento da Medalha Militar, de 28 de Maio de 1946.


(Diário do Governo, II série, n.º 131 de 5 do corrente).


Em 2 de Junho de 1970 agraciado a título póstumo com o grau de Cavaleiro da Ordem Militar de Avis;


Em 7 de Julho de 1970 promovido a título póstumo, por distinção, tenente-coronel.


A sua Alma repousa em Paz
 

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20 de Abril de 1970:

 

Foi no noroeste da Guiné que aconteceu o "Massacre do Chão Manjaco"

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