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Trabalhos,
textos sobre operações militares ou livros
Imagens cedidas por um
Veterano
António Lobato

António Lourenço de Sousa Lobato, nascido em 11Mar38 na
aldeia minhota de Sante (freguesia de Paderne, no
concelho de Melgaço): em 26Jul61, sendo 1º Sargento
piloto-aviador da Força Aérea Portuguesa, chega à Guiné
e fica colocado no AB2-Bissalanca; na manhã de 22Mai63,
quando em missão operacional sobre a região litoral
centro-oeste da Guiné, após forçada aterragem no mato, é
capturado pelo PAIGC e mantido cativo na República da
Guiné-Conackry, vindo a ser em 22Nov70 resgatado - com
outros 25 portugueses - no decurso da Operação Mar
Verde, após o que regressa a Portugal; actualmente Major
da Força Aérea Portuguesa, na situação de reforma.
"Liberdade
ou Evasão"
"Liberdade
ou Evasão - o mais longo cativeiro da guerra"
autor: António
Lobato
editor: Erasmos
1ªed. Amadora,
16Dez1995
214 págs
(incluindo anexo documental)
24x17cm
preço: (original
2.500$00)
dep.leg:
PT-96198/95
ISBN:
972-8301-07-3
Com
o subtítulo "O mais longo cativeiro da guerra", este
impressionante documento humano relata os longos anos em
que o piloto aviador Lobato esteve prisioneiro na Guiné
Conakry, após ser capturado pelas forças do PAIGC
(Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo
Verde), durante a chamada "Guerra Colonial", que opôs
Portugal às suas antigas colónias de África. Ao longo de
200 páginas, o livro refere o drama físico e psicológico
vivido por um jovem militar português, que durante mais
de sete anos foi capaz de suportar um isolamento extremo
num cubículo de dimensões exíguas, em condições
sub-humanas, mas sem perder a esperança de alcançar de
novo a liberdade. Aliás, por três vezes se evadiu, tendo
a última escapadela durado ainda uma curta semana, mas
tão longa para quem durante dias e meses a fio
permanecia confinado numa fortaleza sombria e
claustrofóbica. Mas o aspecto talvez mais saliente neste
testemunho heróico tem a ver com a reflexão interior que
o protagonista deste drama nos dá a conhecer, durante as
longas horas que era obrigado a permanecer quase
estático num espaço acanhado de quatro por dois passos,
na medida do próprio autor. Sem a vastidão ilimitada do
céu por onde se habituara a voar, Lobato é forçado, para
sobreviver psiquicamente a essa provação extrema, a
explorar uma outra dimensão ainda ignota: a do seu
próprio ser interior do qual vai aprender a conhecer os
limites ou, melhor ainda, a sua infinita transcendência.
Recusando-se a desistir da vida e escudado na promessa
que fez à sua jovem esposa, nos oito meses que ambos
passaram na Guiné " "Se algum dia desaparecer não te
preocupes, voltarei sempre." " o tenente Lobato
estabelece consigo próprio um diálogo interior que lhe
conserva a lucidez e o vai ajudar a passar os dias
sufocantes e sempre solitários. Ao mergulhar nesta outra
dimensão, comum afinal a todos nós, o prisioneiro revela
não apenas a força inabalável do seu carácter, moldado
também na dura disciplina militar, mas dá-nos sobretudo
uma lição
de sobrevivência e da admirável capacidade que
o Ser Humano tem de se adaptar às condições mais
inóspitas e adversas. Deste modo, e como ele próprio
afirma, foi esta vitória sobre si próprio que o salvou e
simultaneamente enriqueceu como Pessoa, fazendo jus às
palavras milenares de Buda, que a proclamou como "a
maior de todas as vitórias".O livro baseia-se não só nas
recordações do seu autor, mas também nos apontamentos
que ele escreveu durante o cativeiro, quando outro preso
importante de uma cela contígua lhe forneceu papel e
lápis, o que permitiu inclusive o envio clandestino de
algumas cartas para a família, e até informações sobre a
prisão e várias outras de carácter militar. Parte destes
documentos, incluindo desenhos da topografia local e um
esboço do Forte de Kindia, encontram-se reproduzidos nas
26 páginas do anexo final do livro. E é só em Novembro
de 1970, que
a operação secreta "Mar Verde", durante muito tempo
não admitida oficialmente pelo governo português, põe
fim ao longo cativeiro de Lobato e outros jovens
militares portugueses, entretanto capturados pelos
combatentes guineenses. O regresso à Pátria e à família
é apenas ensombrado por essa obrigação de não revelar o
"modus operandi" da libertação, a qual é apresentada
como uma fuga bem sucedida, já que o segredo de Estado
assim o determina. Em suma, trata-se de um relato
empolgante pela sua veracidade e que nos revela a faceta
oculta da nossa própria humanidade, quando confrontados
com situações limite em que apenas nos podemos valer de
nós mesmos e de mais ninguém. Uns desistem e
abandonam-se ao desespero e à negação, mas outros sempre
acalentam o eterno sonho da liberdade recuperada, se não
nos espaços exteriores, pelo menos na ampla vastidão do
querer indómito de uma alma que não se verga a nenhuma
adversidade, porque em si a Vida sabe!
Fonte:
http://www.netsaber.com.br/resumos/ver_resumo_c_46273.html











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