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Júlio António Borges

 

Júlio António Borges:

Nasceu a 20 de Outubro de 1939 na freguesia de S. Pedro, Concelho e Distrito de Vila Real. No Liceu Camilo Castelo Branco, dessa cidade, completou o Curso Complementar. Em 1961 concluiu o Curso de Professor do Ensino Primário na Escola do Magistério de Vila Real. Iniciou a carreira docente na vila de Murça, em 1961. Colocado na cidade do Porto, no ano seguinte, interrompeu as funções docentes por ter sido mobilizado para o Ultramar, participando na Guerra Colonial em Angola (1).

Regressando em 1966, tomou posse do lugar na escola de S. Mamede de Infesta, no concelho de Matosinhos. Em 1967 foi colocado na freguesia de Aguçadoura, concelho da Póvoa de Varzim e, a partir de 1974, leccionou numa das escolas da sede do concelho. Durante os anos de 1975/76 foi delegado concelhio do IASE. A 7 de Julho de 1995 foi agraciado com a Medalha de Ouro do Concelho de Figueira de Castelo Rodrigo. Está referenciado no "Dicionário dos Mais Ilustres Transmontanos e Alto Durienses".

No âmbito da promoção turística do concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, foi um dos promotores da "Semana Figueirense", efectuada na Póvoa de Varzim, em Agosto de 1995. No mês de Agosto, do ano seguinte, foi a vez da realização da "Semana Poveira", em Figueira de Castelo Rodrigo. Os dois certames constaram de exposições/venda de produtos regionais, animação folclórica, conferências e visitas culturais.

Autor da maior parte das fotografias que ilustram as suas obras, apresentou-as em várias exposições fotográficas, entre os anos de 1991 e 1996 em Mata de Lobos, Figueira de Castelo Rodrigo, Lisboa, Aguçadoura e Póvoa de Varzim.

Em Julho de 1998, participou no II Congresso Internacional sobre Cister, realizado em Ourense, Espanha, expondo o tema: "O Real Mosteiro de Santa Maria de Aguiar". Em Outubro do mesmo ano, foi convidado a tomar parte no Colóquio: "A Ordem de Cister, o Tempo e o Modo", efectuado em S. Pedro do Sul, com a comunicação: "Os Cistercienses de Santa Maria de Aguiar, base da Economia Local".

Em Outubro de 2000, a convite da Câmara Municipal de Figueira de Castelo Rodrigo, apresentou, na Casa da Cultura, o tema: "O outro lado da Função Docente".

Desde os anos de 2001 a 2006 fez parte da Direcção da Liga dos Amigos do Hospital da Póvoa de Varzim.

No mês de Novembro de 2002, no âmbito dos "Serões de Castelo Rodrigo", da iniciativa do Município Figueirense, proferiu, na antiga vila amuralhada, uma conferência subordinada ao tema: "Os Monges de Aguiar e a sua acção no Termo de Castelo Rodrigo". Colaborador dos Jornais: "Ecos da Marofa", "Amigo da Verdade", "A Guarda", o "Notícias da Póvoa de Varzim" e da Revista Cultural "Beira Alta" (Viseu).

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(1) - incorporado na EPI-Mafra, em 1963 foi mobilizado pelo RI15-Tomar para integrar a CCac472 com destino à RMA; em 21Set63 embarcou no NTT "Vera Cruz" com o seu batalhão rumo a Luanda, onde desembarcou em 30Set63, seguindo para o sector operacional do noroeste de Angola (Mavoio, Quelo e Sazaire); em 27Dez65 iniciou a torna-viagem no NTT "Vera Cruz" e na noite de 04Jan66 chegou de novo à vista de Lisboa.

 

"Uakinga: (esperança)"

 

"Uakinga: (esperança)"
autor: Júlio António Borges

editor: (o autor)
1ªed. Póvoa do Varzim, 2004
300 págs
23cm
género: romance
dep.leg: PT-211768/04
ISBN: 972-98407-4-1
 

Sinopse:

"Há dias, tinha chegado a notícia de uma emboscada, perto do Lufico, tendo morrido quatro companheiros. A ideia de matar ou de morrer pairava sobre o pequeno grupo. As mãos agarraram-se à arma, afagando o cano frio, numa tentativa de se sentirem protegidos. Mãos calejadas, habituadas a empunhar a enxada com que escavavam a terra, preparando-a para a sementeira, aprontavam-se para semear a morte ou morrer. Como era duro morrer na idade do amor e da aventura! (...)
Os tambores calaram-se. Uakinga começou a dançar, envolvida nas ondas voluptuosas das marimbas. As mãos agitavam-se caprichosamente, esvoaçavam, para logo caírem, cingindo o corpo ondulante. Num meneio gracioso, atirou o pano ao chão, surgindo com uma reduzida tanga a tapar-lhe os quadris, os seios soltos, balouçando ao ritmo do corpo.
Parou e apenas o ventre se movia em requebros sensuais. Ao som das palmas juntou-se o batimento dos pés, o cântico agudo que se sobrepunha ao rufar dos chingufos e das puítas, acentuando o ritmo dos corpos. Os tam-tam calaram-se. No silêncio da noite, ergueu-se uma voz dolorida."

Recensão:

- «"Uakinga (Esperança)" é um romance, provavelmente de fundo biográfico, que inicialmente se situa no Noroeste angolano, depois de Setembro de 1962 ou de 1963 (?), numa unidade portuguesa primeiramente estacionada na região de Tomboco e depois em Noqui. O interesse deste livro é duplo. Trata de uma história de amor entre
um soldado e uma africana e, se, na verdade, o tom é preferencialmente católico de direita, nele fala-se frequentemente de sexualidade inter-racial, o que correspondia basicamente à realidade luso-tropicalista. Mas, do ponto de vista histórico, o livro documenta também as operações na fronteira zairense (e mesmo, por vezes, além dela) contra a UPA e a vida numa aldeia que recolhe um soldado ferido.»
(René Pélissier, Julho de 2005)
 

Contracapa:

 

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