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TRABALHOS, TEXTOS
SOBRE OPERAÇÕES MILITARES ou LIVROS
José Rosa Sampaio
Nasceu
em Monchique em 1949.
Professor e ensaísta,
antigo combatente em Angola, 1971-1973 (Companhia
de Caçadores 3413), membro do Conselho Fiscal da
Associação dos Antigos Combatentes do Algarve.
Tendo começado
por trabalhar no
sector hoteleiro, onde obteve formação superior e ocupou
cargos de chefia, sobretudo no estrangeiro, passou
seguidamente pelo jornalismo, tendo-se dedicado depois à
docência no Ensino Público. Licenciado em História
possui uma paixão antiga pela história regional e
contemporânea, o que o levou a especializar-se nesta
área.
Colaborador de
imprensa desde 1979, recebeu em 1994 o Prémio Samuel
Gacon, da RTA, com um extenso ensaio sobre
Monchique, publicado no jornal Barlavento. Possui
colaborações em revistas especializadas e em algumas
obras de referência e colabora regularmente nalgumas
publicações, nomeadamente no Jornal de Monchique,
onde há anos mantém uma página sobre história local. No
domínio da poesia foi incluído na antologia Diáspora
em Letra Viva (Editora Peregrinação e Câmara.
M. Lisboa, 1987).
Fonte:
http://joserosasampaio.com.sapo.pt/index.html
Os
sem-abrigo da guerra colonial
A reportagem sobre os ex-combatentes da
Guerra Colonial, que hoje vivem na rua, publicada pela
revista de Domingo, do “Correio da Manhã”, de 10 de
Agosto, é revoltante e deveria envergonhar todos os
portugueses e especialmente os governantes deste país,
que se quer democrático, socialista, moderno e europeu.
Num Estado em que se gasta milhões em
despesismos, em obras desnecessárias e duvidosas, em
salários e reformas douradas, e em subsídios para quem
não quer trabalhar, não sobram uns tostões para
distribuir por aqueles que serviram o país obrigados e
com risco de vida, pelos seus heróis de ontem.
Não sei se são 200 os ex-combatentes sem
abrigo, a dormir na rua e a viver da caridade de quem
passa, como se avançou na reportagem, mas são por certo
muitos os que vivem mal, como recentemente lembrou o
escritor António Lobo Antunes, numa das suas crónicas da
revista “Visão”.
Recentemente, no âmbito da efémera
Associação dos Antigos Combatentes do Algarve, foi
possível detectar neste distrito alguns desses
ex-militares abandonados pelo Estado e pelas próprias
instituições militares, tendo alguns deles sido
ajudados.
Conheço casos em que foram os próprios
camaradas de armas que ajudaram, como foi o caso do C…,
um colega da minha unidade, que vivia numa mina
abandonada e foi encaminhado para um lar.
No entanto, em Portugal existem hoje
bastantes associações de antigos combatentes da guerra
do antigo Ultramar, que talvez pelo seu elevado número
pouco fazem para defender os seus associados e também os
não associados, contribuindo antes para os dividir e
lançar a confusão em termos de associativismo saudável e
reivindicativo. Os sucessivos governos têm-se
aproveitado dessa fragilidade, segundo a lógica do
“dividir para reinar”, nada dando nem fazendo em prol
dos ex-combatentes.
Unidos numa única associação, forte e
reivindicativa, os combatentes da Guerra Colonial teriam
hoje bons centros de acolhimento, convívio e
assistência, com o apoio do Estado e com pessoal
especializado, nomeadamente em stress de guerra e outras
doenças do foro neurológico, e na cura do alcoolismo e
tabagismo.
Estes espaços poderiam também servir para
os militares que têm integrado as missões de paz em que
Portugal participa. Estas instituições já existem há
muito tempo em países como os Estados Unidos e a França.
É um facto que muitos destes
ex-combatentes foram empurrados para a rua ou para a
caridade por motivos de stress de guerra, alcoolismo,
divórcio e incompreensão da família. Mas, o Estado
também ajudou a complicar a situação, através das
reformas de miséria, dos vergonhosos subsídios adstritos
à reforma, que vão dos 75 aos 150 euros anuais, e
da ausência de apoios de vária ordem.
Entre estes antigos combatentes não se
encontram apenas soldados, mas também antigos oficiais e
sargentos milicianos, tendo os mais novos uma idade que
ronda os 58-60 anos.
E todos, governo, deputados, políticos e
instituições do Estado esperam que eles morram o mais
depressa possível para que se acabe o problema.
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Fonte: Jornal Edição
Especial, Ano II, n.º 29, de 22 de
Agosto de 2008
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"Ultramar
- a luta na rua"
A notícia na revista "Domingo"
do Jornal Correio da Manhã, de 10AGO2008
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