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Batalhão de Artilharia 1922 «OS MAGRIÇOS» - Serviu Portugal na Província Ultramarina de Angola

 

Fontes:

Jornal do Exército, ed. 122, pág.s 35 a 37, de Fev1970

7.º Volume, Tomo I, pág.s 416 e 417, da RHMCA/CECA/EME

8.º Volume, Tomo I, Livros 1 e 2, da RHMCA/CECA/EME  

 

Batalhão de Artilharia 1922 «OS MAGRIÇOS»

 

 

Esteve o Batalhão de Artilharia 1922 (BArt1922), mais conhecido pelo Batalhão dos Magriços, em Angola desde Agosto de 1967 a Setembro de 1969 na fronteira Norte junto à RDC (República Democrática do Congo). Dois longos anos se passaram na região de Noqui, pois o Batalhão não rodou.

 


A zona à sua responsabilidade era de características muito ingratas — o inimigo não estava radicado, mas passava com destino ao interior vindo do Congo, ou vice-versa, ou ainda permanecia alguns dias nos locais mais afastados e de difícil acesso a fim de caçar — sem objectivos definidos que proporcionassem à tropa resultados palpáveis e que contribuíssem para manter o seu moral elevado.

 


Apesar das dificuldades apontadas, o Batalhão dos Magriços saiu-se airosamente da sua missão, alicerçando a sua vontade de bem cumprir em um apreciável espírito de corpo.


A actuação dos Magriços foi publicamente reconhecida nos seus múltiplos aspectos, com especial relevo para as dificuldades que conseguiu criar aos grupos inimigos em trânsito, ao colaborar e apoiar as populações locais, tanto no interior de Angola como para lá da fronteira, e ainda estabelecer interessantes e frutuosas relações de vizinhança com as autoridades militares, civis e tradicionais do Congo (Kinshasa).

 


O Batalhão de Artilharia 1922 (BArt1922), tendo como unidade mobilizadora o Regimento de Artilharia Pesada 2 (RAP2 - Vila Nova de Gaia), partiu a 5 de Agosto de 1967 no «Vera Cruz», rumo a Angola.


Depois de curta estadia no Grafanil, o Batalhão seguiu no dia 25 do mesmo mês para o Norte, instalando-se na região de Nóqui.
A fim de contrariarem os intentos do inimigo, que utilizava aquela região como «zona de passagem», os especialistas de minas e armadilhas fizeram rapidamente a cobertura de toda a área, com especial incidência para as infiltrantes preferidas pelo inimigo em cada zona de acção da Companhia.

 


Os resultados não se fizeram esperar e foi neste tipo de acção que o O Batalhão de Artilharia 1922 (BArt1922) provocou ao inimigo o maior número de baixas.


A actividade operacional dos Magriços, intensa, tornou-se desgastante devido ao tipo de terreno, fortemente acidentado, que os obrigava a subir e descer morros e mais morros. Alguns grupos inimigos em trânsito ou de caçadores foram interceptados pelas Nossas Tropas, que lhes infligiram baixas, tendo abandonado grandes quantidades de caça assim como outros artigos e também material de guerra.

 


As operações «Falcão», «Jagudi», «Jagudi 2», «Sudoeste 1», «Sudoeste 2» e «Perseguição» são de realçar pelo volume de forças empenhadas ou ainda pelo considerável esforço e desgaste exigido às nossas Tropas, atingindo-se as zonas mais afastadas e de difícil acesso.


Os Magriços também se preocuparam grandemente com a Acção Psicológica, que ninguém pode ignorar neste tipo de guerra, desenvolvida não só sobre a reduzida população local, mas especialmente sobre os refugiados angolanos que residiam, desde 1961, nas sanzalas congolesas da zona anexa a Matadi, algumas delas mesmo em cima da fronteira. Este tipo de acção foi iniciado com o auxílio de megafones, tendo posteriormente sido possível chegar à fala com aqueles elementos nas respectivas sanzalas, facto até então inédito.

 


Ainda dentro do campo da Acção Psicológica, o trabalho dos Magriços fez-se sentir na assistência social e sanitária, com a construção de balneários e lavadouros públicos destinados à população africana de Nóqui e ainda de casas geminadas para sargentos e suas famílias, que foram entregues por estrear ao Batalhão vindouro.

 


Por outro lado, tanto o Comandante do Batalhão como elementos de algumas das suas Companhias se esforçaram por fomentar as relações de vizinhança com as autoridades congolesas, relações essas quase sempre de amizade e de mútua compreensão, sem no entanto se descurar qualquer atitude mais firme a tomar sempre que fosse oportuno.


Paralelamente, as relações com a nossa Marinha foram as melhores, havendo constantes reuniões entre os oficiais e chegando-se a realizar jogos de futebol entre as equipas dos Magriços e das guarnições de alguns navios.

 


Finalmente, deu-se grande importância à montagem e funcionamento das Escolas Regimentais - 51 aprovações na 3.ª classe e 101 na 4.ª - e à realização de espectáculos desportivos e recreativos, os quais tiveram sempre a colaboração da população civil. Todas as Companhias criaram os seus conjuntos musicais com relevo para «Magriços 4+1» e «Os Operacionais» que actuaram com muito agrado em espectáculos realizados em Santo António do Zaire.
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Batalhão de Artilharia N.º 1922
 

Identificação:
BArt1922
 

Unidade Mobilizadora:
Regimento de Artilharia Pesada 2 (RAP2 - Vila Nova de Gaia)
 

Comandante:
Tenente-Coronel de Artilharia Manuel Andrade de Beires Junqueira
 

2.º Comandante:
Major de Artilharia José Fernando Graça Pereira do Nascimento
 

Oficial de Informações e Operações/Adjunto:
Capitão de Artilharia Francisco Matias Barão da Cunha
 

Comandantes de Companhia:
 

Companhia de Comando e Serviços (CCS):
Capitão do Serviço Geral do Exercito Abílio Correia Neves
 

Companhia de Artilharia 1725 (CArt1725):
Capitão Mil.º de Infantaria Joaquim Inácio Machado de Sola Campos
Capitão de Infantaria Joaquim Pires Antunes Rapoula
 

Companhia de Artilharia 1726 (CArt1726):
Capitão de Artilharia Augusto Manuel de Lima Contente de Sousa
 

Companhia de Artilharia 1727 (CArt1727):
Capitão de Artilharia João António Duarte Figueira
 

Divisa:

"Os Magriços"
 

Partida:
Embarque no dia 5 de Agosto de 1967, no NTT «Vera Cruz»; desembarque em Luanda no dia 14 de Agosto de 1967
Regresso:
 

Embarque no dia 8 de Setembro de 1969, no NTT «Vera Cruz»; desembarque em Lisboa, no dia 17 de Setembro de 1969.
 

Síntese da Actividade Operacional
O Batalhão foi destinado ao subsector de Nóqui, no Sector F, da ZIN (Zona de Intervenção Norte), onde rendeu o Batalhão de Artilharia 1854 (BArt1854), assumindo a responsabilidade do subsector em 3 de Setembro de 1967.


O dispositivo inicialmente adoptado foi o seguinte: o

 
Comando, Companhia de Comando e Serviços (CCS) e Companhia de Artilharia 1725 (CArt1725) em Nóqui, a
Companhia de Artilharia 1726 (CArt1726) em Cabeço da Velha e a
Companhia de Artilharia 1727 (CArt1727) em Cabeço do Tope; de reforço, tinha a
Companhia de Caçadores 1737 (CCac1737) em M'Pala, depois rendida em Novembro de 1968 pela Companhia de Cavalaria 2333 (CCav 2333); os órgãos de apoio de fogos eram o
Pelotão de Morteiros 1032 (PelMort1032), o
Pelotão de Canhões Sem Recuo 1199 (PelCanhSRc1199), e também uma
Secção de Radar do Pelotão de Artilharia Antiaérea 111 (SecRadar/PeIAAA111), todos em Nóqui, com mais dois Grupos de Combate de Tropas Especiais (GComb/TE); temporariamente, reforçou o Batalhão de Artilharia um
Pelotão de Artilharia da Bateria 513 do Grupo de Artilharia de Campanha 1 (PelArt/Btr513/GAC1, da Guarnição Normal.


Durante a comissão as subunidades do Batalhão rodaram entre si pelos três aquartelamentos atrás referidos.


Em meados de Junho de 1969, após ter sido substituída em M'Pala pela Companhia de Artilharia 1726 (CArt1726), a Companhia de Cavalaria 2333 (CCav 2333) foi deslocada para M'Pozo, deixando de reforçar o Batalhão de Artilharia.
 

O dispositivo então existente passou a ser o seguinte: o

Comando, Companhia de Comando e Serviços (CCS) e Companhia de Artilharia 1727 (CArt1727) em Nóqui, a
Companhia de Artilharia 1726 (CArt1726) em M'Pala, com um destacamento em Cabeço do Tope e a
Companhia de Artilharia 1725 (CArt1725) em Cabeço da Velha, tendo em apoio de fogos o
Pelotão de Morteiros 1235 (PelMort1235), o

Pelotão de Canhões Sem Recuo 2132 (PelCanhSRc2132) e ainda uma
Secção de Radar do Pelotão de Artilharia Antiaérea 2058 (SecRadar/PeIAAA2058), todos estes em Nóqui.
 

Na zona de acção, o Batalhão de Artilharia empenhou-se numa constante actividade de patrulhamento e emboscadas, no sentido de barrar as infiltrações de/e para o país vizinho.


No entanto, essa permanente e distribuída actividade não colheu resultados volumosos, pois que os grupos inimigos de passagem eram muito dificilmente detectáveis. Entretanto, registam-se os resultados das acções "Miramar" e "Perseguição", que se traduziram em baixas para o inimigo, que aliás nunca atacou qualquer aquartelamento, nem emboscou seriamente as Nossas Tropas, as quais obtiveram êxitos na densa montagem de armadilhas que, essas sim, causaram baixas muito sensíveis ao inimigo.


Ainda, forças do Batalhão colaboraram na operação "Nova Luz", efectuada de 28 de Agosto a 30 de Outubro de 1968, na região da Fazenda Maria Fernanda, até ao rio Dange.


Em 31 de Agosto de 1969, o Batalhão foi rendido pelo Batalhão de Artilharia 2882 (BArt2882).

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Os mortos em campanha

 

 

Damião de Melo Lopes

 

 

Damião de Melo Lopes, 1.º Cabo de Transmissões, n.º 00264567, natural do lugar de Vila Pouca, da freguesia e concelho de Tarouca, filho de José Lopes Cardoso e de Ana Rebelo, solteiro.

 

Integrou a Companhia de Comando e Serviços (CCS/BArt1922.

 

Faleceu no dia 14 de Janeiro de 1968, em Nóqui, no Rio Zaire, vítima de afogamento.

 

Está inumado no cemitério de Tarouca.

 

 

 

 

Torcato Plácido Coelho

 

 

Torcato Plácido Coelho, 1.º Cabo, n.º 00569567, natural da freguesia de Ataíde, concelho de Amarante, filho de Rodrigo Coelho e de Elvira Pálido Vieira, solteiro.

 

Integrou a Companhia de Artilharia 1726 (CArt1726/BArt1922).

 

Faleceu no dia 17 de Dezembro de 1967, no Cabeço da Velha, vítima de ferimentos em combate, no itinerário de Lucala ao Cabeço da Velha, depois da patrulha ter passado por N'Cossa de Baixo.

 

Está inumado no cemitério de Ermesinde, no concelho de Valongo.

 

 

António Oliveira Teixeira

 

 

António Oliveira Teixeira, Soldado Atirador, n.º 00865867, natural do lugar da Boavista, da freguesia de Bitarães, concelho de Paredes, solteiro.

 

Integrou a Companhia de Artilharia 1726 (CArt1726/BArt1922).

 

Faleceu no dia 14 de Maio de 1968, no Hospital Militar de Luanda, devido a um acidente de viação ocorrido no dia 7 de Maio de 1968, numa coluna de reabastecimento de lenha.

 

Está inumado no cemitério de Bitarães, concelho de Paredes.

 

 

Manuel Dias da Costa Patela

 

 

Manuel Dias da Costa Patela, Soldado Atirador, n.º 00968567, natural da freguesia e concelho de Espinho, filho de Manuel da Costa Patela e de Maria Oliveira Dias, solteiro.

 

Integrou a Companhia de Artilharia 1727 (CArt1727/BArt1922).

 

Faleceu no dia 16 de Abril de 1968 vítima de acidente de viação, ocorrido no itinerário Estrada Mina - Cabeço da Velha.

 

Está inumado no cemitério de Arcozelo, Vila Nova de Gaia

 

 

As suas Almas repousam em Paz

 

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Livro

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"Os Morros de Nóqui"
autor: Cláudio Lima

 

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