A
RTP acabou de transmitir um documentário da autoria dos
jornalistas Joaquim Pombeiro e Joaquim Vieira, sobre a
história verdadeiramente épica de Maria Estefânia
Anacoreta que em 1967, em plena guerra do Ultramar,
percorreu durante sete meses e muitos milhares de
quilómetros, sem receio do cenário de guerra e sem
pensar um segundo no seu bem estar pessoal, o território
de Angola, para levar aos militares do distrito de
Santarém, onde vivia, mensagens dos familiares,
minorando assim a saudade, a solidão, o sentimento de
ausência que só quem esteve na frente de combate pode
entender, pode sentir, mesmo se não sabe descrever por
palavras exactas e justas.
Tive a sorte de a conhecer,
conviver com ela, conhecer o seu entusiasmo por minorar
o sofrimento dos outros - foi durante 30 anos
colaboradora graciosa da Liga Portuguesa Contra o Cancro
em Santarém e abraçou todas as actividades que pudessem
ser úteis ao seu próximo - defendendo activamente as
causas em que acreditava: lembro-me dela há quarenta e
muitos anos, quando preparávamos a comemoração dos 21
anos do então Príncipe da Beira, D. Duarte Pio,
angariando enxovais para oferecer a crianças pobres
nascida nesse dia 15 de Maio, com entusiasmo e entrega.
Tive a sorte de, durante mais de trinta anos, a ter
presente nalguns dos mais importantes momentos da minha
vida, nos bons como nos maus, com apoio, compreensão,
amizade e, sempre uma enorme alegria de viver. O
documentário feito pelo entusiasmo que a sua maneira de
estar na vida, a sua simplicidade, a sua forma directa
de dizer o que pensava, causou nos jornalistas, chama-se
A VOZ DA SAUDADE. A saudade que eu sinto da inesquecível
tia Estefânia.
Esta a sinopse do
documentário no site da RTP.
Uma mulher portuguesa que levou mensagens
das famílias dos militares para uma frente de guerra.
Há mais de 40 anos, em plena guerra
colonial, uma mulher de Santarém percorreu durante sete
meses quase 20 mil quilómetros pelo mato e a floresta de
Angola. Foi dar a ouvir, a mais de mil soldados do seu
distrito, mensagens gravadas pelos familiares. O seu
nome era Maria Estefânia Anacoreta
. Esta é a sua história. Tinha então 47
anos. Com um gravador de som, percorreu o distrito a
pedir aos familiares de soldados a combater em Angola
(mães, esposas, filhos, namoradas e até madrinhas de
guerra) que gravassem mensagens para ela própria
reproduzir à frente dos militares. Assim fez, numa épica
viagem pelo interior de Angola que durou seis meses, por
avioneta e por estradas e picadas. O documentário evoca
as emoções que este anjo da guarda despertou junto
desses soldados, ao aparecer-lhes de surpresa nos
aquartelamentos, matando-lhes as saudades e
transmitindo-lhes um sentimento de ânimo e de esperança.
Regressada a Portugal, tentou fazer o mesmo para quem
combatia na Guiné, voltando a calcorrear o seu distrito
a recolher novas mensagens, mas o estado da guerra
naquela colónia impediu-a de partir, e os homens de
Santarém aí estacionados nunca ouviram as gravações dos
seus familiares. A protagonista desta história, que
conservava consigo o mesmo gravador portátil utilizado
na época, assim como as mensagens que recolheu para os
soldados na Guiné, participou na produção do
documentário, nomeadamente indo procurar, ao fim de
quase quatro décadas, alguns desses antigos militares e
pondo-os a ouvir pela primeira vez o som dos pais já
falecidos ou dos filhos então acabados de nascer. Maria
Estefânia Anacoreta faleceu em 8 de Janeiro de 2008, aos
89 anos de idade, poucas semanas depois da finalização
deste documentário.
Estive a ver, na RTP 1, um documentário intitulado "A
voz da Saudade" que trata a história de uma Senhora de
Santarém. Durante 7 meses, ela percorreu mais de 18.000
km pelo mato e pela floresta de Angola para levar a 1200
soldados (do seu distrito) mensagens gravadas de
familiares. Maria Estefânia Anacoreta era seu nome.
Sei que este documentário já tinha sido transmitido em
Abril, mas só hoje (e por um acaso) é que o vi. Fiquei a
conhecer a história da vida desta Senhora, que apesar
dos seus 87 anos, ainda continuava com o sentimento de
ajuda ao próximo. Foi nesta idade que ainda percorreu
mais uns km's para dar a ouvir aos soldados que
combateram na Guiné, as ditas mensagens, uma vez que foi
proibida de ir a esse país, pelo General Spínola.
No documentário, ouvem-se testemunhos (e agradecimentos)
de soldados, pessoas ligadas ao Movimento Nacional
Feminino (ao qual ela pertenceu), festas de
agradecimento, etc. No fundo, ouve-se e vê-se e até se
sente a história desta Mulher.
Além de ter pertencido ao MNF, também pertenceu durante
30 anos à Liga Portuguesa contra o cancro. Trabalhou
durante uma década como bibliotecária e nunca ganhou
nada pelo que fez, e chegou a ter que vender bens seus
para conseguir levar a sua obra a bom porto.
Houve uma história que me ficou retida que é a seguinte:
Numa das vezes que a senhora se deslocava no seu carro
(um Opel Corsa antiquíssimo, e sim, apesar da sua idade,
ela ainda conduzia!) a caminho de mais uma visita a um
ex-combatente, o carro teve um furo. Ela encostou o
carro e ficou a olhar para ele e a pensar como é que
iria resolver a situação, uma vez que não tinha força
para colocar o macaco debaixo do carro e trocar o pneu.
Foi então, que apareceu um senhor de mota e que lhe
perguntou o que se passava. Ela explicou e ele
trocou-lhe o pneu. No final, ela pergunta-lhe quanto é
que lhe deve, e ele diz que não deve nada. Ela persiste
e diz-lhe que aceitasse pelo menos o dinheiro para uma
cervejinha. Ele volta a negar e diz-lhe "Eu não lhe pedi
nada quando a senhora foi a Angola dar-me a ouvir a
mensagem da minha Mãe", montou-se na mota e segundo a
senhora, ela nunca mais lhe pôs a vista em cima.
Conta as suas histórias dizendo que os seus Pais, as
suas sobrinhas e a sua família, por mais alegria que lhe
tenham dado, nunca superaram a alegria que sentiu quando
estava em Angola.
No final do documentário, fiquei a saber que ela faleceu
a 9 de Janeiro de 2008 com 89 anos. A imagem da senhora
com o seu gravador deve ter ficado para sempre na
memória de todos os que foram tocados pela sua pessoa.
Há histórias e Histórias de vida... e esta é sem dúvida
uma História!
Após ter visto o programa, senti que tinha que lhe
prestar homenagem.
Hoje
é Dia Mundial da VOZ. Nem de propósito, a RTP passou
ontem um documentário intitulado "A voz da saudade" que
conta a história de Maria Estefânia Anacoreta, uma
mulher de Santarém que em 1966, em plena guerra
colonial, percorreu durante sete meses quase 20 mil
quilómetros pelo mato de Angola. Foi dar a ouvir, a mais
de mil soldados do seu distrito, a voz dos seus
familiares.Com um gravador de som, tinha percorrido o
distrito de Santarém a pedir aos familiares dos soldados
que gravassem mensagens para ela própria reproduzir à
frente dos militares. Difíceis de explicar foram as
sensações que a voz das mães, esposas, filhos, namoradas
e até madrinhas de guerra tiveram nesses soldados de
então...
A propósito disso, aqui fica a minha homenagem ao meu
pai, também ele soldado na Guerra do Ultramar em Angola,
nesta fotografia tirada em 1970 em Belize, Cabinda.
Tratava-se de um programa
sobre uma senhora chamada Maria Estefânia Anacoreta,
pertencente ao então Movimento Nacional Feminino, que no
ano de 1966 percorreu o distrito de Santarém e arredores
a recolher depoimentos de familiares de soldados a
combater em Angola e lhes levou essas mensagens de
esperança para sua grande felicidade. Durante quase sete
meses percorreu as dificeis florestas em plena guerra
colonial, e este documentário relatava não só o trajecto
que fez e as experiências por que passou como no final a
acompanhou na entrega de mensagens que não conseguiu
transmitir aos soldados na Guiné, pois por ordens do
senhor general Spínola não lhe foi permitida passagem.
Foi também um documentário rico em termos de nos
transmitir também um pouco de como era a vida dos
soldados no Ultramar. Situações por que alguns passaram.
Os horrores da guerra.
No final acompanhou-se uma senhora de 87 anos por
Santarém a transmitir mensagens com quarenta anos a quem
diziam respeito. A odisseia desta senhora que tinha uma
enorme força de vontade, espirituosa, foi enternecedora.
A sua imagem com o gravador a tiracolo ficou retida na
mente de muitos soldados que lhe fizeram uma muito
merecida homenagem.
A dona Maria Estefânia faleceu no passado mês de
Janeiro.
“A Voz da Saudade”.
Documentário que passou hoje na RTP. Já não é uma
estreia visto que já havia passado anteriormente, mas
escrevo sobre ele porque acho que vale a pena.
A história de base é relativamente simples: em plena
Guerra Colonial uma mulher, oriunda do distrito de
Santarém, levou aos militares do seu distrito, que se
encontravam em Angola, mensagens gravadas pelos seus
familiares. Uma forma diferente de levar além fronteiras
mais do que apenas uma carta com notícias do Portugal
distante.
Escrevo este comentário por duas razões: primeiro porque
nunca tendo vivido a Guerra Colonial, estudei-a e tenho
muito perto de mim quem a viveu. Da medida do possível
consigo entender a importância desta senhora numa época
em que a carta escrita era o satélite dos nossos dias em
termos de comunicações à distância. Em segundo lugar
porque depois de ouvir da boca da senhora, com mais de
87 anos, as histórias que conta de forma extraordinária
lúcida, só me consigo lembrar de uma frase que alguém
disse um dia, e que é certamente uma grande verdade:
“quando um velho morre é uma biblioteca que arde”. Esta
biblioteca de nome Maria Estefânia Anacoreta, ardeu no
início deste ano.
A
RTP emitiu hoje, no Canal 1, um extraordinário documento
histórico de um verdadeiro
anjo da guarda
do Movimento Nacional Feminino. Sob o título de A Voz da
Saudade: Maria Estefânia Anacoreta e com duração de 60
minutos comoventes pelo seu passado é o relato vivo de
uma Senhora extraordinária e corajosa ao serviço da
Pátria e do Movimento Nacional Feminino.
Presto a minha profunda
homenagem a esta grande Senhora.
Bem haja, Senhora Dona
Maria Estefânia Anacoreta.
Não a
esqueceremos!
«Há mais de 40 anos, em
plena guerra colonial, uma mulher de Santarém percorreu
durante sete meses quase 20 mil quilómetros pelo mato e
a floresta de Angola. Foi dar a ouvir, a mais de mil
soldados do seu distrito, mensagens gravadas pelos
familiares. O seu nome era Maria Estefânia Anacoreta.
Esta é a sua história.
Tinha então 47 anos. Com um
gravador de som, percorreu o distrito a pedir aos
familiares de soldados a combater em Angola (mães,
esposas, filhos, namoradas e até madrinhas de guerra)
que gravassem mensagens para ela própria reproduzir à
frente dos militares. Assim fez, numa épica viagem pelo
interior de Angola que durou seis meses, por avioneta e
por estradas e picadas. O documentário evoca as emoções
que este anjo da guarda despertou junto desses soldados,
ao aparecer-lhes de surpresa nos aquartelamentos,
matando-lhes as saudades e transmitindo-lhes um
sentimento de ânimo e de esperança.
Regressada a Portugal,
tentou fazer o mesmo para quem combatia na Guiné,
voltando a calcorrear o seu distrito a recolher novas
mensagens, mas o estado da guerra naquela colónia
impediu-a de partir, e os homens de Santarém aí
estacionados nunca ouviram as gravações dos seus
familiares.
A protagonista desta história, que conservava consigo o
mesmo gravador portátil utilizado na época, assim como
as mensagens que recolheu para os soldados na Guiné,
participou na produção do documentário, nomeadamente
indo procurar, ao fim de quase quatro décadas, alguns
desses antigos militares e pondo-os a ouvir pela
primeira vez o som dos pais já falecidos ou dos filhos
então acabados de nascer.
Maria Estefânia Anacoreta
faleceu em 8 de Janeiro de 2008, aos 89 anos de idade,
poucas semanas depois da finalização deste
documentário.»
[…] Éramos o lixo do
Império que a todo o custo queriam atirar para debaixo
da
carpete
vermelha do novo Portugal.» O Miguel provavelmente
gostaria de ter assistido à repetição de um notável
documentário de Joaquim Vieira, na RTP1, dedicado a
Maria Estefânia Anachoreta, a representante do Movimento
Nacional Feminino em Santarém, A Voz da Saudade. D.
Maria Estefânia foi a Angola, em 1966, com um gravador
em punho no qual levava registadas as mensagens dos
familiares dos militares portugueses da zona de
Santarém. Andou de companhia em companhia a reproduzir
essas mensagens. Morreu em Janeiro deste ano, com 89
anos, seguramente com a energia e a lucidez manifestadas
no documentário terminado seis meses antes. Uma energia
que a levou - sozinha porque não teve a "benção" de
"Cilinha" Supico Pinto, a presidente do MNF - aos 47
anos, até Angola, e que manteve indemne, pelos vistos,
até ao fim.
[…]
como é que não podemos
deixar de manifestar respeito por Senhoras anónimas como
D. Maria Estefânia? […]
Nunca apreciei o Movimento Nacional Feminino, nem a sua
obra, com excepção para a ajuda que davam aos familiares
dos que partiam, que eram excelentes e os aerogramas,
que fizeram um jeitão a todos os que partiram e aos que
cá ficaram.
Usei-os também.
Passou ontem um documentário sobre a vida da Senhora D.
Maria Estefânia Anacoreta de Santarém. Muita da acção
deste comentário passava-se no ano de 2006, tinha então
87 anos.
Deu gosto ver a vivacidade e a alegria que transportava
consigo.
Esta Senhora fez parte do Movimento Nacional Feminino e
só pela sua obra já teria valido a pena que este
Movimento tivesse existido.
Não se ficou pelas aparências, fez um excelente trabalho
em Angola, pelo qual tantos lhe ficaram a dever emoções
profundas, ao ouvirem pela primeira vez a voz dos seus
familiares.
Sobre o que fez e como fez, o melhor é irem ler este
POST, escrito
pelo
NONAS.
A mim o que me comoveu profundamente, foi
assistir à vida de uma Senhora, profundamente generosa,
incansável, que sempre se dedicou aos outros.
Por problemas surgidos no MNF, quer pelo que fez em
Angola por sua exclusiva iniciativa, quer por ser "uma
pessoa que não aceitava ordens" como dizia uma das
intervenientes, ofenderam-na e desprestigiaram-na,
acabando por abandonar MNF.
Mas como dizia, o que "queria era praticar o bem" e mais
uma vez se entregou em prole dos outros, escolhendo
agora a luta contra o cancro.
Mas o que não há dúvida, é que quando falava de Angola e
das emoções que tinha provocado, se emocionava.
Uma grande SENHORA!
Uma grande MULHER!
A quem estou profundamente agradecida, pela sua
generosidade, pela entrega da sua vida à causa dos
outros.