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NOTÍCIA - "GUERRA COLONIAL:
RELATOS NA 1ª PESSOA - Em defesa do Estado Português da
Índia
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veterano LC123278
A notícia:
Guerra Colonial: Relatos na 1.ª pessoa
"Em defesa do Estado Português da Índia"
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A notícia:
"Em
defesa do Estado Português da Índia"
Comentários do
veterano LC123278
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A notícia:
"Em
defesa do Estado Português da Índia"
in:
http://www.noticiasdevilareal.com/noticias/index.php?action=getDetalhe&id=5319
De:
Andreia Mota
e Rita Martins
O
ex-combatente, Chefe Principal Teixeira Pereira, fez
parte dos esquadrões que participaram na guerra colonial
no Estado da Índia, entre 1960 e 1962. As dificuldades
passadas no campo de concentração não lhe trazem
saudades, mas não abdica das experiências vividas
durante a guerra.
Apenas com 20
anos foi chamado para a recruta “muito mais cedo do que
era habitual, em Janeiro de 1960”, precisamente para
estar preparado para seguir para a Índia, em 26 de Abril
do mesmo ano, onde passou 24 meses. Uma vez que já era
órfão, a sua ida passou um pouco despercebida, mas aos
familiares mais próximos “custou-lhes um bocado”. Para o
ex-combatente, a sua reacção quando soube que iria para
a Índia foi de “grande tristeza, pois era um rapaz novo,
de namoricos e mais ainda por saber que iria para um
lugar onde se previa uma guerra”, contou.
Quando chegou à Índia encontrou um país totalmente
diferente de Portugal, “quer nos usos, quer nos
costumes”, onde “desconfiava de tudo e de todos”. Ficou
aquartelado num esquadrão de cavalaria em Bali, a cerca
de 60 ou 70 km da fronteira com a União Indiana, onde
esteve sujeito a muitos perigos e onde “pontualmente ia
tendo guerrilhas com os terroristas”.
Invasão ao Estado Português da Índia
A invasão pela parte da União Indiana ao Estado
Português da Índia deu-se entre os dias 19, 20 e 21 de
Dezembro de 1961, quando foram atacados os territórios
de Goa, Damão e Diu por terra, mar e ar. “Eles entraram
com cerca de 80 mil soldados, e nós ao todo éramos à
volta de mil e sem armamento capaz para os enfrentar. As
tropas apeadas vinham com cerca de 200 ou 300 carros de
combate, e eu até costumava dizer que nem precisavam de
usar armas, pois eram realmente muitos em relação a nós.
A aviação começou a bombardear fortemente durante dois
dias, e embora não tivesse feito grandes estragos em
termos humanitários, lá morreu um ou outro, mas os
bombardeamentos foram cerrados e valeu estarmos metidos
nas trincheiras, onde nos defendemos como pudemos”,
relembrou Teixeira Pereira. Durante os três dias da
invasão, os soldados portugueses foram presos e
distribuídos pelos quatro campos de concentração
existentes em Goa, onde permaneceram durante seis meses.
A partir daí “foi uma vida muito dura e difícil, em que
não havia o que comer, e a higiene era feita de qualquer
maneira, na mesma água onde os búfalos iam tomar banho”.
Para qualquer saída para fora dos campos de concentração
éramos sempre escoltados pelos militares com armas
apontadas, onde trabalhamos na construção de pontes que
tínhamos deitado abaixo para que eles não pudessem fazer
a travessia”, contou. A fuga era impossível, uma vez que
os campos eram todos electrificados e existiam
sentinelas por toda a parte.
“Mentira como Terra”
Passados seis meses de cativeiro, chega a notícia de um
regresso próximo a Portugal. “Íamos ouvindo as rádios,
que entretanto reconstruímos de umas peças velhas, e
ouvíamos a Voz Livre da Argélia, a rádio clandestina
onde esteve Manuel Alegre. Surgiam algumas mentiras e
algumas verdades, mas de maneira geral, na altura de
guerra é “mentira como terra”, ou seja, se algum dia
alguma coisa era verdade, ao outro dia já deixava de o
ser.
Portanto tínhamos grandes dificuldades em acreditar
inclusivamente naquela altura que já vínhamos para
Portugal, porque já nos tinham feito essa promessa de
regresso muitas vezes. Mas o General Gonçalo e Silva com
bom senso acabou por render-se e nós fomos libertos”,
declarou.
Regresso a Portugal
Depois de tantas dificuldades saíram em liberdade em
Julho de 1962. A viagem foi assegurada por transporte
aéreo até ao Paquistão e de lá, de transporte marítimo
até Portugal. Teixeira Pereira foi recebido pelos seus
familiares, amigos e população com “grande alegria”.
Pelos governantes “fui mal recebido e metido no
Regimento de Cavalaria de Elvas, a qual eu pertencia, e
mais tarde mandaram-me embora com uma guia de marcha
para o comboio. E lá vim eu com umas calças rotas e umas
botas sem fundo, para a terra”.
O ex-combatente refez a sua vida, começou a trabalhar e
casou. Mais tarde ingressou na carreira de Polícia e
ficou pela cidade de Vila Real, onde mora desde então.
Nunca mais voltou à Índia e afirma não ter saudades de
lá voltar. Actualmente com 70 anos de idade, não abdica
da experiência de guerra pela qual passou “pois foi uma
circunstância que me obrigou a ir e portanto faz parte
do meu enriquecimento cultural”, assegurou.
Andreia Mota e Rita Martins
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Comentários do veterano LC123278
à atenção de
Andreia Mota e de Rita Martins,
Na vossa
reportagem epigrafada «Em defesa do Estado
Português da Índia», disponível online no
endereço
http://www.noticiasdevilareal.com/noticias/index.php?action=getDetalhe&id=5319
- José Joaquim Teixeira Pereira: em Jan60 terá
sido incorporado no RL1-Elvas e em 21Abr60
embarcou rumo a Goa integrado no
ERec4/RC6-Porto, comandado pelo cap cav António
Pereira Coutinho; desembarcado no porto de
Mormugão, o ERec4 foi aumentado aos efectivos do
Agrupamento Afonso de Albuquerque, indo o seu 3º
Pelotão aquartelar em Bali a fim de controlar o
sector sul de Pangim até ao marco geodésico de
Dabolim (margem esquerda do estuário do Zuari).
1 - Ora, no Estado Português da Índia não houve
lugar a «guerra colonial» alguma.
2 - E «a invasão pela parte da União Indiana ao
Estado Português da Índia», de modo algum
ocorreu «entre os dias 19, 20 e 21 de Dezembro
de 1961».
3 - Por outro lado, «eles» não eram «cerca de 80
mil soldados» e «nós» não «éramos à volta de
mil»: às 18.00 locais (princípio da tarde em
Lisboa), de 17Dez61, o exército da União Indiana
iniciou invasão maciça sobre o território
português, com 45 mil homens apoiados por
numerosas formações de artilharia pesada,
tanques e carros de combate, tropas
aerotransportadas em cooperação no ataque com
unidades anfíbias e esquadrilhas de aviões de
bombardeamento e caça, permanecendo 26 mil
tropas em reserva do outro lado da fronteira
distrital de Goa; e naquele mesmo dia 17, o
Estado Português da Índia (distritos de Goa,
Damão e Diu), estava guarnecido com 3500
efectivos militares (oficiais, sargentos e
praças) metropolitanos, reforçados por cerca de
900 polícias indo-portugueses e outros 5 mil
paramilitares.
4 - E de modo nenhum «lá morreu um ou outro»,
mas sim vinte e cinco.
5 - Não corresponde a factos, que «durante os
três dias da invasão, os soldados portugueses
foram presos e distribuídos pelos quatro campos
de concentração existentes em Goa, onde
permaneceram durante seis meses»: às 06:00 de
19Dez61, o ERec4 rendeu-se às tropas invasoras
da UI; mas só em 16Jan62 os efectivos do ERec4
foram internados, juntamente com demais
militares de outras unidades, no Alfa's Detenu
Camp em Pondá; e do qual em 06Mai62 saíram
libertos para a capital paquistanesa, onde
aguardaram transporte de torna-viagem.
6 - Também se trata de pura fantasia, a
afirmação de que «ouvíamos a Voz Livre da
Argélia, a rádio clandestina onde esteve Manuel
Alegre»: naquele 1º trimestre de 1962, não
existia "Voz Livre da Argélia" alguma (e a Rádio
Argel não dedicava "espaço de antena" algum à
questão dos prisioneiros portugueses que
permaneciam em Goa, tanto mais que nesse período
de tempo a Argélia era ainda de soberania e
administração da França); quanto a Manuel Alegre
de Melo Duarte, só chegou a Argel no último
fim-de-semana de Set64 e começou a «trabalhar
como locutor do programa radiofónico "Voz da
Liberdade"», no início de Nov64.
7 - E também se trata de pura fantasia, a
afirmação de que «o General Gonçalo e Silva com
bom senso acabou por render-se e nós fomos
libertos»: não existiu qualquer nexo causal,
entre a libertação dos prisioneiros e a muito
anterior rendição do governador e
comandante-chefe general Manuel António Vassalo
e Silva, o qual às 12:15 de 19Dez61 havia
informado «que, face à rendição do Agrupamento
Afonso de Albuquerque e à análise da situação
das nossas forças, ainda em posição, tinha
decidido render-se».
8 - E não «saíram em liberdade em Julho de
1962», tendo em vista: que, em 06Mai62 os
efectivos do ERec4 foram aerotransportados para
Carachi; que em 12Mai62 os efectivos daquele
ERec4 embarcaram no navio "Pátria" de regresso à
Metrópole; e que em 26Mai62 os mesmos efectivos
do ERec4 desembarcaram no cais fluvial de
Lisboa.
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