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NOTÍCIA - "A Minha
Guerra"
A
mesma notícia em dois órgãos de comunicação social
online:
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conteúdos clique nas palavras sublinhadas
5. -
Mais comentários na notícia publicada no Jornal das
Caldas, com o título:
  
A-dos-Francos
Ex-combatente luta
contra stress de guerra
4. -
Comentários
de Abreu dos Santos,
recém-colocados naqueles órgãos de comunicação social,
ainda não visíveis, porque segundo os mesmos:
Revista "Domingo"
do Jornal "Correio da Manhã":
"O seu comentário foi enviado com sucesso. Após a
validação por parte da nossa redacção, ficará disponível
online. Obrigado pela sua participação"
"Jornal
das Caldas On-line":
"O Seu comentário está a aguardar aprovação do
moderador"
3. -
Nota da equipa do Terraweb
2. -
09 Julho de 2008 (transcrição)
A-dos-Francos
Ex-combatente luta contra stress de
guerra
in "Jornal
das Caldas On-line"
1. -
06 Julho 2008 - 00h00 (transcrição)
A Minha Guerra - José
Morgado Vieira, Moçambique 1973/75
"O inimigo era para
abater sem piedade"
in Revista "Domingo"
do Jornal "Correio da Manhã" de 6 de Julho de 2008
Voltar ao topo
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1. -
06 Julho 2008 - 00h00
(transcrição)
A Minha Guerra - José
Morgado Vieira, Moçambique 1973/75
"O inimigo era para
abater sem piedade"
in Revista "Domingo"
do Jornal "Correio da Manhã" de 6 de Julho de 2008
Fui incorporado, em
Janeiro de 1973, na Escola Prática de Artilharia, em
Vendas Novas, para o curso de sargentos milicianos. O
comandante da unidade era o coronel Oliveira, militar
dos Comandos. O primeiro confronto de ‘guerra’ foi ainda
cá em Portugal, por causa da preparação. Tive uma
‘guerra psicológica’, que transformou o meu ego numa
máquina de combate, em que me tiraram todos os valores,
nos seis meses de formação no curso. Prepararam-me para
a guerra colonial como uma máquina de matar e destruir.
O inimigo era para abater sem piedade. Fomos
completamente destroçados de todos os nossos valores
culturais, sociais, familiares e de amizade.
Como furriel,
ministrei duas recrutas. Ao fim de um ano, quem não era
mobilizado para as colónias já não ia. Quando faltavam
apenas onze dias para passar à desmobilização, a 19 de
Dezembro, sou chamado para arrancar para Moçambique: ia
em rendição individual – para substituir um camarada que
tinha sido morto. Deram-me um bilhete de avião. Tinha 21
anos. Fui num avião civil. Era a primeira vez que andava
avião.
Quando cheguei a
Moçambique, à cidade da Beira, encontrei pára-quedistas
portugueses de serviço no aeroporto. Disseram-me para me
apresentar no quartel de adidos. Aí, aguentei oito dias.
Em 27 de Dezembro recebo guia de marcha para Tete,
região conhecida como o 'cemitério dos brancos'.
Levaram-me de avião para o aquartelamento da Companhia
de Artilharia 7251, na zona de Gago Coutinho, no norte
do distrito de Tete, a três quilómetros da Zâmbia.
Quando aterrámos,
numa pista de terra batida, os homens – que já tinham um
ano de guerra e muitos deles já estavam loucos por
aquilo que tinham passado – abeiraram-se de mim e
massacraram--me com perguntas: 'O que é que vieste para
aqui fazer? Não tiveste coragem de fugir? Vens para aqui
morrer?' Um cabo agarrou-me pelo braço, levou-me à
enfermaria e disse-me: 'Tu vens substituir aquele que
está no caixão. Vens fazer a vez do furriel Leal, que
está à espera de embarque para a Metrópole'. Fiquei
convencido de que já não voltava mais ao meu País. O
furriel Leal morreu durante um ataque de guerrilheiros
da Frelimo ao quartel. Os ataques eram lançados a partir
do território zambiano.
Fui chamado ao
comandante da companhia, capitão José Lopes. Pôs-me ao
corrente das missões e disse-me para, ao menos, tentar
salvar a minha vida. Tive como comandante de pelotão o
alferes Escoval e como colega o furriel Poejo – que me
deu apoio psicológico. Estávamos localizados num ponto
estratégico. Era o único quartel junto à fronteira com a
Zâmbia. A nossa missão era travar as infiltrações de
guerrilheiros em Moçambique a partir do território
vizinho.
Junto ao quartel
havia três povoações de nativos – Gago Coutinho,
Nhassaula e M’peua – com cerca de 700 habitantes, que se
consideravam portugueses. Nós tínhamos ainda por missão
defender estas aldeias.
Estivemos debaixo de
fogo várias vezes. Um indiano infiltrado na Frelimo
fornecia-nos, por vezes, informações preciosas. No dia 1
de Março de 1974 duas centenas de guerrilheiros lançaram
um ataque violento ao nosso quartel. Eles instalaram
canhões e morteiros no morro da fronteira com a Zâmbia –
artilharia operada por chineses. Apenas duas granadas
caíram dentro do quartel. As outras passaram por cima.
Nós, como tínhamos sido avisados, também estávamos nos
abrigos subterrâneos. Sofremos sete feridos.
Quando se deu o 25 de
Abril, estava numa operação com 23 soldados . Recebemos
uma mensagem no rádio a dar conta de um golpe de Estado
em Portugal. Atirámos as armas ao ar de contentamento.
Pensámos que a guerra tinha acabado. Mas estávamos
enganados.
Nas semanas
seguintes, a Frelimo intensificou os ataques. Sofremos
como nunca. Enquanto em Portugal se vivia numa euforia
tremenda, os militares em África ficaram completamente
abandonados. Fomos nós, em cada quartel, que tentámos as
tréguas com os chefes das bases da Frelimo.
A base da Frelimo
mais próxima de Gago Coutinho era comandada por José
Moiane. Enviámos cartas, através dos nativos, para
acabarmos com a guerra. Queríamos que os guerrilheiros
nos deixassem em paz, para ficarmos lá até o Estado
Português nos chamar. Só passados alguns dias, o
comandante Moiane acedeu aos nossos pedidos. As tréguas
só foram acordadas na primeira semana de Maio. No dia
17, a companhia recebeu ordens para sair de Gago
Coutinho e marchar para Tete. Em Julho a companhia
regressou a Portugal – mas eu fiquei em Moçambique,
porque não tinha ido com eles. Fui enviado para outra
companhia, também em Tete. A Frelimo ocupou quartéis
portugueses e eu comecei a ajudar os ex-guerrilheiros em
campanhas de alfabetização junto de moçambicanos. Ajudei
também na organização administrativa nos quartéis e em
serviços de patrulha. Nos piquetes juntavam-se soldados
portugueses e da Frelimo – e isto, às vezes, dava
confusão: os portugueses não queriam estar ao lado de
quem tinham combatido. Mas quem mandava era a Frelimo.
Fiquei em Moçambique
até 17 Março de 1975. Fui condecorado, mas o que mais
ganhei foi a amizade dos meus companheiros de guerra – o
cabo Vieira, os furriéis Poejo, Amaral, Neves e
Rodrigues, os alferes Escoval e Medeiros, o capitão José
Lopes e tantos outros que se juntam anualmente.
Fiquei em Moçambique
até 17 Março de 1975. Fui condecorado, mas o que mais
ganhei foi a amizade dos meus companheiros de guerra – o
cabo Vieira, os furriéis Poejo, Amaral, Neves e
Rodrigues, os alferes Escoval e Medeiros, o capitão José
Lopes e tantos outros que se juntam anualmente.
Não choro por aqueles
quase 10 mil que morreram na guerra. Choro por aqueles
400 mil que hoje sofrem do trauma de guerra, dos quais
100 mil não têm dinheiro para pagar a medicação e 30 mil
estão deficientes. A América reconheceu os seus
combatentes no Vietname. A Inglaterra reconheceu os
combatentes que estiveram nas Malvinas. Portugal não
quer saber de nós.
'REGRESSEI DE
MOÇAMBIQUE COM STRESS DE GUERRA'
José Morgado Vieira
nunca sofreu um ferimento durante a comissão em
Moçambique – mas regressou doente: 'Sofro de stress de
guerra e ando a ser tratado' - diz. Nasceu em Tagarro,
nos arredores de Alcoentre. Saiu de casa aos 17 anos
para trabalhar em Lisboa como escriturário. Foi
mobilizado. Quando regressou, o escritório já tinha
fechado. Empregou-se numa fábrica de detergentes, em
Lisboa. Até que resolveu voltar à aldeia natal.
Casou-se, em 1976, e durante sete anos dedicou-se à
agricultura em terra dos sogros. Tem três filhos. Hoje,
é gerente do balcão da Caixa de Crédito Agrícola, em
A-dos-Francos, nas Caldas da Rainha.
in:
http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?contentid=
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2. -
09 Julho de 2008 (transcrição)
A-dos-Francos
Ex-combatente luta contra stress de
guerra
in "Jornal
das Caldas On-line"

A-dos-Francos
Ex-combatente luta
contra stress de guerra
Furriel
de artilharia destacado em
Moçambique entre 1973 e 1975, José
Morgado Vieira, 56 anos, natural e
residente em Tagarro, freguesia de
Alcoentre (Azambuja). Casado, tem
três filhos, de 13, 26 e 29 anos.
Saiu de casa aos 17 anos e foi
trabalhar para Lisboa como
escriturário. Quando regressou de
Moçambique, trabalhou numa fábrica
de detergentes, foi agricultor e
tornou-se bancário, profissão que
exerce desde 1984, sendo gerente do
balcão da Caixa de Crédito Agrícola
Mútuo de A-dos-Francos, nas Caldas
da Rainha.
Foi incorporado em Janeiro de 1973
em Vendas Novas, no curso de
sargentos milicianos. O comandante
do quartel era o coronel
“Oliveirinha”, dos Comandos. “Era a
tropa mais especial que havia e nós
também a tivemos”, conta José
Vieira.
“Para mim, o primeiro confronto de
“guerra” foi ainda cá em Portugal,
por causa da preparação. Tive uma
“guerra psicológica”, que
transformou o meu ego numa máquina
de combate, em que me tiraram todos
os valores, nos seis meses de
formação no curso”, sublinha.
“Prepararam-me para a guerra
colonial como uma máquina de matar e
destruir. O inimigo era para abater
sem contemplações, quase como o
Hitler quis fazer aos judeus. Fomos
completamente destroçados de todos
os nossos valores culturais,
sociais, familiares e de amizade.
Tudo isso nos roubaram através do
sofrimento e da dor, do passar fome
e sede, de não nos deixarem dormir.
Foi uma tortura psicológica. Foi a
principal “guerra” por que passei,
mais do que a “guerra balística”",
conta.
Durou seis meses. Como sargento
ministrou duas recrutas. Ao fim de
um ano, quem não era mobilizado para
as colónias já não ia e ficava.
Quando faltavam apenas onze dias
para passar à desmobilização, a 19
de Dezembro, é chamado para arrancar
para Moçambique.
“Estranhei a situação, mas
informaram-me de que eu ia em
rendição individual, isto é, ia
substituir alguém que tinha sido
morto”, comenta.
Na altura era furriel miliciano de
artilharia. Não tinha destacamento,
porque foi sozinho. Isso fez com que
tivesse uma entrada diferente em
Moçambique.
“Deram-me um bilhete de avião e não
sabia qual era a minha missão. Tinha
21 anos e os meus familiares ficaram
apreensivos. Apesar de trabalhar em
Lisboa eu era um moço da aldeia e
também não sabia o que me esperava
nem para onde é que ia. Era tudo
sigiloso”, recorda José Vieira.
“Fui num avião civil. Era a primeira
vez que andava avião. Não conhecia
ninguém. Quando cheguei a
Moçambique, à cidade da Beira, não
sabia o que havia de fazer.
Encontrei paraquedistas portugueses
que estavam de serviço no aeroporto
e disseram-me para apresentar nos
Adidos. Mandaram-me para a messe de
sargentos e aguardar por novas
ordens. Ali aguentei oito dias, à
espera. Recebo então a informação
para ir apanhar o avião para Tete, a
27 de Dezembro”, relata.
Passou-se o mesmo em Tete, que era
conhecido como o “cemitério dos
brancos”. Foi para os Adidos à
espera da colocação definitiva.
Passaram-se dez dias até lhe dizerem
que ia de boleia, numa aeronave
uni-motor de distribuição de
correio, para o quartel de Gago
Coutinho, no norte do distrito de
Tete, a três quilómetros da Zâmbia.
“Tive então a minha prova de fogo,
numa povoação só com palhotas e um
quartel feito de zinco. Tinha uma
companhia de 120 homens à minha
espera. Quando aterrámos, numa pista
de terra batida, os homens – que já
tinham um ano de guerra e muitos
deles já estavam loucos por aquilo
que tinham passado - abeiraram-se de
mim e massacraram-me com perguntas:
“O que é que vieste para aqui fazer?
Não tiveste coragem de fugir? Vens
para aqui morrer como nós?”, lembra
o ex-militar.
“O que eu vi na cara deles foi
pessoas já desumanas. Houve um cabo
que me agarrou no braço, levou-me à
enfermaria e disse-me: “Tu vens
substituir aquele que está no
caixão. Vens fazer a vez do furriel
Leal, que está à espera de embarque
para Portugal, onde será o funeral”.
Fiquei abaladíssimo e disse para mim
que já não voltava mais ao meu
país”, refere.
O furriel Leal era atirador de
artilharia e morreu num combate que
a Frelimo fez ao quartel. “A Frelimo
atacava-nos desde o território
zambiano e nós não podíamos
ripostar, porque não podíamos estar
a atacar outro país”, sustenta.
“Fui chamado à secretaria pelo
capitão José Lopes, comandante da
companhia de artilharia (CART 7251),
que pôs-me ao corrente do que eu ia
fazer e disse-me que eu tentasse
pelo menos salvar a minha vida. Tive
o alferes Escoval como meu
comandante de pelotão e como colega
o furriel Poejo, que me deu apoio
psicológico”, descreve.
Segundo José Vieira, “estávamos num
ponto estratégico”. Era o único
quartel junto à fronteira com a
Zâmbia. A principal missão era não
deixar a Frelimo entrar em
Moçambique. Junto ao quartel havia
três povoações de nativos – Gago
Coutinho, Nhassaula e M’peua - com
cerca de 700 habitantes, que se
consideravam portugueses. “Estávamos
ali a guardar as povoações dos
ataques”, indica.
O ex-combatente conta que “estivemos
debaixo de fogo várias vezes.
Tínhamos um indiano, que passava a
palavra da Frelimo para nós. Era o
intermediário que nos avisava que
íamos ser atacados”.
No dia 1 de Março de 1974 houve um
ataque enorme ao quartel de Gago
Coutinho, com 250 homens da Frelimo.
Os canhões sem recuo, com morteiros
de 122 mm, foram colocados no morro
da fronteira com a Zâmbia e eram
manejados por chineses. “A sorte do
nosso quartel foi que só duas
granadas é que caíram dentro do
quartel, as outras passaram por
cima, senão teria sido um morticínio
total. Nós, como tínhamos sido
avisados, também já estávamos nos
abrigos subterrâneos”, afirma José
Vieira.
Um elemento da Frelimo, que era
fotógrafo e tinha uma máquina Zenit
russa, foi a cerca de um quilómetro
da unidade para tirar fotos do
quartel intacto e depois com o
quartel destruído e com a bandeira
da guerrilha. Só que entregou-se aos
portugueses e avisou-os do que ia
acontecer. E os militares lusos
prepararam-se. Quando começou o
ataque, deixaram o inimigo
aproximar-se do quartel, até ao
primeiro arame farpado e ao
anoitecer começaram a disparar.
“Ficaram lá uns quantos agarrados ao
arame farpado. Da nossa companhia
ainda houve sete feridos”, garante
José Vieira.
Deu-se o 25 de Abril em Portugal,
mas a Moçambique “nunca chegou o
cravo vermelho, pelo contrário, a
situação tornou-se um inferno”,
desabafa o militar, apontando que
“na altura estava numa operação com
23 soldados e recebemos uma mensagem
via rádio a dizer que havia um golpe
de Estado em Portugal. Atirámos as
armas ao ar, porque pensávamos que a
guerra tinha acabado. Mas não”.
“Foram ataques e mortos todos os
dias a seguir, porque era a pressão
total da Frelimo para com o Estado
Português, de forma a conseguirem
mais rapidamente a independência”,
faz notar José Vieira, frisando que
“enquanto em Portugal se vivia uma
euforia tremenda, em Moçambique os
militares portugueses foram
completamente abandonados pelo
Estado”.
“Fomos nós, em cada quartel,
individualmente, que fizemos as
tréguas com os chefes ou comandantes
das bases da Frelimo, porque senão
ainda hoje lá estaríamos”, alega o
ex-combatente.
A base da Frelimo mais próxima era
comandada por José Moiane, destacado
guerrilheiro. “Enviámos cartas,
através dos nativos, para acabarmos
com a guerra. Não havia quaisquer
imposições. Queríamos era que nos
deixassem de chatear, para ficarmos
lá até o Estado Português nos
chamar”, refere José Vieira.
Não foi fácil. O comandante Moiane
não aceitou logo, só passados alguns
dias. As tréguas só aconteceram na
primeira semana de Maio.
No dia 17 de Maio, a companhia
recebeu ordens para sair de Gago
Coutinho e ir para a cidade de Tete.
Em Julho, a companhia veio para
Portugal, mas José Vieira ficou lá,
porque não tinha ido com os
restantes militares.
“Fui para outra companhia, na ZOT –
Zona Operacional de Tete, como
adido. A Frelimo ocupou quartéis
portugueses e eu comecei a ajudá-la
a desenvolver campanhas de
alfabetização na cidade, junto de
miúdos e idosos. Ajudei também na
organização administrativa nos
quartéis e em serviços de patrulha”,
revela.
“Nos piquetes juntavam-se soldados
portugueses e da Frelimo, o que era
uma guerra. Os portugueses não
queriam estar ao lado de quem tinham
combatido. Mas quem mandava era a
Frelimo”, argumenta.
“Viveu-se um período a que posso
chamar de “guerra das minas”, porque
a Frelimo não teve tempo para
retirar as minas que tinha colocado
nas estradas e de vez em quando a
tropa portuguesa era atingida quando
passava de carro por cima de alguma.
Para não se entrar na barragem de
Cabora Bassa, foi toda armadilhada à
volta. Ainda hoje não se sabe onde
está o “croquis” desse
armadilhamento e muita gente morre”,
manifesta.
Ficou em Moçambique até 17 Março de
1975, altura em que veio para
Portugal, após ter recebido ordens
para regressar.
Recebeu uma Cruz de Guerra
(medalha), mas o que mais ganhou foi
a amizade dos seus companheiros de
guerra – o cabo Vieira, os furriéis
Poejo, Amaral, Neves e Rodrigues, os
alferes Escoval e Medeiros, o
capitão José Lopes e tantos outros,
que se juntam anualmente.
“Nunca fui atingido, mas o ferimento
que trouxe foi a claustrofobia e o
stress de guerra, de que sou tratado
desde a minha vinda para Portugal”,
afirma.
“Não choro por aqueles 10 mil que
morreram há trinta e tal anos. Choro
por aqueles 400 mil que hoje sofrem
do trauma de guerra, dos quais 100
mil não têm dinheiro para pagar a
medicação e 30 mil estão em cadeira
de rodas. A América reconheceu os
seus combatentes no Vietname. A
Inglaterra reconheceu os combatentes
que estiveram nas Malvinas. Nós até
hoje somos abandonados pelo Estado
Português”, desabafa.
Francisco Gomes (texto)
Carlos Barroso (fotos)
in:
http://www.jornaldascaldas.com/index.php/2008/07/09/a-dos-francos-2/3544/
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3. -
Nota da
equipa do Terraweb:
José Morgado Vieira,
ex- Furriel Mil.º de Artilharia, foi substituir
Fernando Ferreira da Fonseca Leal,
ex- Furriel Mil.º de Artilharia, da Companhia de
Artilharia 7251/72, natural da freguesia de Freches,
concelho de Trancoso, que tombou em combate em 25 de
Julho de 1973.
Elementos extraídos
da listagem "Mortos
na Guerra do Ultramar",
concelho de Trancoso,
de LC123278
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4. -
Comentários de
Abreu dos Santos:
   
-----Mensagem
original-----
Enviada: quinta-feira, 10 de Julho de 2008 16:47
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Triagem anti-stress
1. comentário postado
em 16:05 10Jul08 no CM-online (que, devido à restrição
editorial, foi assim resumido –
– «triagem anti-PTSD...
O "Oliveirinha" nunca
comandou a EPA; Vila Coutinho (actual Ulongué) fazia (e
faz) fonteira com o Malawi; um 1ºCabo a tratar
tu-cá-tu-lá um recém-chegado Furriel Miliciano? Um
militar morto há mais de 5 meses, ainda num "caixão"
numa "enfermaria" de um aquartelamento inóspito em clima
tropical? A "alfabetização" frelimista, sabe-se o que
foi. Quanto ao resto, "no comments"... ».
[Comentário: O seu
comentário foi enviado com sucesso. Após a validação por
parte da nossa redacção, ficará disponivel online.
Obrigado pela sua participação.]
2. O mesmo
comentário, logo a seguir integralmente postado no
"Jornal das Caldas" on-line –
– «triagem anti-PTSD…
No passado domingo
06Jul08, ao ler, na revista “Domingo” do jornal diário
“Correio da Manhã”, mais uma estória-stressada, de
pronto coloquei a mim mesmo algumas dúvidas: “o coronel
Oliveira, militar dos Comandos”, não comandou a EPA
(Vendas Novas); o nome da referida povoação no norte
distrital de Tete, não seria “Gago Coutinho”; e a mesma
não fazia (faz) fronteira com a Zâmbia. Regressado a
casa, pouco depois confirmei:
1. Júlio Faria
Ribeiro de Oliveira, oficial oriundo da arma de
Artilharia (e com a especialidade “comando”), nunca
comandou a EPA; (os comandantes da EPA em 1972/73 e
1973/74 foram, respectivamente, o coronel de artilharia
Aldemar Dias da Costa e o coronel de artilharia José
Luís A. Ferreira Machado).
2. Vila Coutinho,
junto à nascente do Revuboé e perto da fronteira
nor-nordeste do istmo de Tete, pós-25Jun75 renomeada
Ulongué, não fazia (faz) fronteira com a Zâmbia, mas com
o Malawi.
Hoje 10Jul08, ao ler
o “Jornal das Caldas Online”, cujo endereço
http://www.jornaldascaldas.com/index.php/2008/07/09/a-dos-francos-2/3544/
reproduz quase ‘ipsis
verbis’ o texto publicado pelo CM, persistem algumas
perplexidades:
1. O protagonista
teria chegado ao aquartelamento da CArt7251/72 no dia
06Jan74, momento em que «houve um cabo que me agarrou no
braço, levou-me à enfermaria e disse-me: “Tu vens
substituir aquele que está no caixão. Vens fazer a vez
do furriel Leal, que está à espera de embarque para
Portugal, onde será o funeral”». Um 1ºCabo a
tratar tu-cá-tu-lá um
Furriel Miliciano, recém-chegado ?!; e um militar
falecido em 25Jul73, permanecia num “caixão” numa
“enfermaria” de um aquartelamento em local inóspito e em
clima tropical, decorridos mais de 5 meses?!
2. Adiante, o
deponente afirma que pós-25Abr74 «foram ataques e mortos
todos os dias a seguir»; mas não há registo de quaisquer
“mortos todos os dias”, no distrito de Tete, decorrentes
de combates, minas, emboscadas ou flagelações inimigas.
3. Depois, que aquela
CArt7251 teria em 17Mai74 recebido ordens de «marchar
para Tete» e que «em Julho a companhia regressou a
Portugal»; no entanto, há notícia da mesma só ter
retirado de Vila Coutinho para Tete, durante a 2ª semana
de Ago74.
4. Além disso, o
mesmo «ficou em Moçambique até 17 Março de 1975» «a
ajudar ex-guerrilheiros em campanhas de alfabetização»,
«na cidade [de Tete], junto de miúdos e idosos» e na
Metrópole «recebeu uma Cruz de Guerra (medalha)»; a
“alfabetização” frelimista, sabe-se o que foi; e no que
respeita a ter sido «condecorado», tal “agraciamento”
não consta em edição alguma do Estado-Maior do Exército.
Isto, quanto aos
factos.
Quanto ao resto do
depoimento, “no comments”… ».
[O Seu comentário
está a aguardar aprovação do moderador.]
Melhores
cumprimentos,
do
Abreu dos Santos
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5. -
Mais comentários na notícia publicada no Jornal das
Caldas, com o título:
A-dos-Francos
Ex-combatente luta
contra stress de guerra
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