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NOTÍCIA - "Agentes
Secretos em Cabo Delgado"
enviado por
Manuel Ferreira
De:
Manuel Ferreira [mailto:manuelferreira@eject.co.za]
Enviada: sábado, 1 de Setembro de 2007 14:47
Para: Ultramar
Assunto: Agentes Secretos em Cabo Delgado», de
Pinto Monteiro
in "Canal de
Moçambique"
«AGENTES SECRETOS EM CABO DELGADO», é o nome que Pinto
Monteiro deu ao livro de sua autoria e será lançado em
Setembro próximo.
O próprio autor anunciou este fim-de-semana ao «Canal de
Moçambique» que no próximo dia 05 de Setembro em Maputo
irá proceder ao lançamento da obra que versa o “1.º Ano
da Luta Armada de Libertação Nacional desenvolvida pelas
FPLM-FRELIMO, nos anos de 1964 e 1965”.
O lançamento deverá ocorrer pelas 17 horas no Clube dos
Empresários.
Pinto Monteiro dá a saber que “o presente livro é uma
continuação do anterior, editado a 15 de Fevereiro de
2002, com o título «Gabinete de Propaganda e
Contra-Propaganda, do mesmo autor”.
Diz Monteiro que “quando chefe da 2.ª Brigada de
Informações da Polícia de Segurança Pública de
Moçambique” (nome por que se designava a Polícia aquando
da administração portuguesa do território que é hoje a
República de Moçambique) “teve acesso a vários
relatórios dos SCCI, especialmente os relacionados com a
ofensiva militar da FRELIMO e parte dos documentos que
publica” no livro hoje aqui anunciado e presentemente a
ser imprimido no CEGRAF.
Monteiro refere que “junto da Administração Civil” teve
“oportunidade de identificar os nomes de todos os
administradores, em serviço nas zonas onde havia mais
incidência da Luta Armada” isto é, “nas áreas
administrativas de Macomia, Macondes, Mocímboa da Praia
e Palma, bem como de todas as suas regedorias, com
estatísticas da totalidade dos seus habitantes, por
etnias”.
O autor afirma a dado passo da introdução à obra que “os
factos que…são referidos…situam-se numa época de grande
intensidade dos guerrilheiros (FPLM da FRELIMO) que não
davam tréguas ao governo português, logo após o início
da Luta Armada de Libertação Nacional, em 25 de Setembro
de 1964, com uma poderosa ofensiva militar, política,
económica e social, onde as chefias de defesa e
segurança do Governo Português, especialmente as de Cabo
Delgado, já reconheciam o avanço qualitativo e
quantitativo que a FRELIMO desenvolvia, com grande êxito
nas suas áreas, ao mesmo tempo que admitiam e
reconheciam o seu fracasso, na segurança, na protecção e
defesa das populações, bem como territorial”.
“Consequentemente”, prossegue o autor, “foi preocupação
do Governo Português, mandar formar AGENTES ESPECIAIS
COMO forma de travar essas ofensivas e criar
contra-ofensivas”.
“Após a formação desses «agentes especiais» portugueses,
pelos serviços militares da África do Sul, estes agentes
foram integrados nos Serviços de Centralização e
Coordenação de Informações (SCCI), em cada província (NR.:
então distritos), onde alguns já eram funcionários”.
Escreve ainda Pinto Monteiro, que os “agentes especiais”
trabalhavam sob orientação do governador-geral e
deveriam por em pratica, em coordenação com os
administradores, da Administração Civil, a formação de
redes de pesquisa de informações, internas e externas,
efectivas”.
Segundo o autor “a coordenação e orientação seria de
cada Administrador, enquanto que a centralização ficaria
à responsabilidade do GABINFO” – gabinete do SCCI na
então cidade de Porto Amélia, hoje Pemba, que por sua
vez “ficava subordinado ao gabinete provincial em
Lourenço Marques (actual Maputo”.
“Ao darem início à formação de redes de pesquisa de
informações, mais profissionalizadas, na Guiné-Bissau,
Angola e Moçambique foi preocupação do governo português
a intensificação de redes externas como forma de
infiltrar «agentes secretos» nos movimentos de
libertação” – PAIGC (Guiné) MPLA (Angola) e FRELIMO, com
especial relevância, a infiltração de agentes nos países
vizinhos que lhes davam protecção e apoio”.
“A obrigatoriedade e a responsabilidade” de “prepararem
órgãos de pesquisa de informações dando prioridade sobre
quaisquer outros assuntos administrativos” ficara a
cargo “dos Administradores dos Concelhos, Circunscrições
e Postos ou dos seus adjuntos”. “Prioritariamente”,
afirma Pinto Monteiro, competia-lhes a “formação de
agentes para a rede e sua infiltração na FRELIMO (Frente
de Libertação de Moçambique) e na República Unida da
Tanzania que havia adquirido a sua independência a 26 de
Abril de 1964”.
“Os factos narrados referem-se ao período já citado e
dos contactos efectuados, cujos nomes dos contactados
são mencionados, em cada área administrativa da actual
província de Cabo Delgado, por aquele «agente
especial»”, escreve também o autor.
Pinto Monteiro cita, entretanto, o general Alberto
Chipande a afirmar que “Há factos que são narrados (no
livro) tal e qual como eu os vivi, assim como as
atitudes dos administradores, que não deixam de ser, a
realidade daquilo que eram e do que pensavam”.
E já a concluir a introdução a “AGENTES SECRETOS EM CABO
DELGADO” que foi “elaborado e coordenado em 12
capítulos” o autor diz que o livro “mais não deixa de
ser” que não “o pensamento do Governo Português, em
relação à Luta Armada de Libertação Nacional de
Moçambique, pela FRELIMO”.
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