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NOTÍCIA

 

Enviado por António Coutinho Basto, Presidente da Direcção da Associação Portuguesa dos Veteranos de Guerra, no dia 12 de Junho de 2006

 

XIII Encontro de Nacional de Combatentes

 

-----Mensagem original-----
De: eu mesmo [mailto:cabinda6524@hotmail.com]
Enviada: segunda-feira, 12 de Junho de 2006 21:07
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: XIII Encontro de Nacional de Combatentes

 

Caros companheiros:

 

Não podia deixar de passar em claro este encontro nacional de combatentes (subentendo eu de antigos combatentes), especialmente depois de ler o artigo "O Dia dos Combatentes do Ultramar" da autoria de Pedro A. Luís.

 

Não está em causa o referido artigo, que nem sequer vou comentar, a democracia tem uma grande vantagem que é a de cada um poder defender os seus ideais e "como não há machado que corte a raiz ao pensamento..."

 

Mas o artigo, foi decerto o catalizador,  para eu escrever estas duas linhas, pois duas referências do paragrafo inicial do artigo de Pedro A. Luís coincidem com dois pensamentos que ainda ontem depois do meu regresso de Lisboa, me assolaram a mente : Também eu fui Alferes Miliciano em Angola, e como ele não podia deixar de estar no passado dia 10 junto ao memorial daqueles que tudo deram (que mais se poderá dar que a própria vida) sem nada regatear e a segunda coincidência, o facto de referir que não éramos algumas centenas (já li trezentos antigos combatentes)mas alguns milhares.

 

E o que tenho para dizer é o seguinte:

 

Fez no passado dia 10 de Junho 43 anos que Salazar celebrou pela primeira vez o "Dia da Raça", para homenagear as Forças Armadas. Sabemos que esta instituição tinha outros fundamentos encapotados e um deles era através da magnitude de tal evento, motivar todo um povo para um determinado fim (a defesa da sua intransigente posição relativamente às Províncias Ultramarinas) e para isso utilizou os combatentes mutilados e estropiados e ainda as suas famílias no caso daqueles que no memorial têm o seu nome escrito com sangue.

 

Somos o único país do mundo civilizado com militares envolvidos em guerras, que não têm em legislação própria definido o DIA DO COMBATENTE, para já não falar do ESTATUTO DO COMBATENTE.

 

Muito respeito entre outros o General Almendra, Presidente da Comissão Executiva do Encontro Nacional dos Combatentes, militar de excepção, pioneiro do paraquedismo militar, agraciado com a Ordem Militar da Torres Espada, respeitado inter pares, de igual modo como outros membros da Comissão Executiva, de quem em particular sou amigo, no entanto, não posso aceitar que para os COMBATENTES e no seu ENCONTRO NACIONAL, seja um não combatente, que apesar de ser um português de reconhecido mérito, não conhece a linguagem e os sentimentos de um combatente, venha proferir a "oração de sapiência" sobre matéria que não estudou ou praticou.

 

Somos a única classe de cidadãos que se encontra em vias de extinção. Quem irá reinventar a solidariedade desta gente que aos 20 anos idade, foi roubada à família, ao trabalho, aos estudos e muitos até aos próprios filhos. Quantas vezes cada um de nós era o conselheiro, o pai e a mãe do companheiro e passados nem sequer 24 horas, éramos nós os carentes, os sós?

 

Quem poderá acreditar nas lágrimas que se choram quando lemos o nome da nossa sombra, naquele memorial? Quem poderá acreditar na mentira piedosa que contamos àquela mãe ou aquele pai, que nunca soube que seu filho não passava de um monte de pedras acondicionado naquela urna?

 

Ouvimos alguma referência no discurso do orador?

 

Já nos vamos habituando a que os oradores empresários de sucesso, sejam os patrocinadores de tal evento, há que pagar tais honrarias, à custa do espírito do Combatente que sendo ingénuo como é nosso timbre, nem tem tempo para meditar.

 

Felizmente o Secretário de Estado da Defesa que detêm a tutela dos Antigos Combatentes, afirmou "Foi para manter a portugalidade que nos batemos e muitos de nós caíram".

 

Precisamos de dar tempo ao tempo para verificar se a sua intervenção que não estava prevista, era ou não um sinal de que o Encontro Nacional dos Combatentes vai ser entregue aos combatentes e ás Associações que os defendem e que por eles lutam.

 

Não queremos que este dia seja mais um dia das vaidades para uns e da tristeza que ainda moi para muitos, porque um dos seus entes não regressou.

 

Não queremos que nos aconteça o que acontecia no "Dia da Raça" de antanho, se bem que nesse pelo menos as altas individualidades do País, marcavam a sua presença.

 

Não queremos continuar a ser os coitadinhos do costume que um regime democrático escamoteou.

 

Nós somos Portugueses, os verdadeiros, somos os Camões, os Pedros Alvares Cabral, os Mouzinhos de Albuquerque, nós somos a Pátria, nós os que pintamos com o próprio sangue a Bandeira de Portugal, não queremos comiseração de quem quer que seja.

 

Nós sabemos os que valemos, nós saberemos responder presente sempre que por nós clamarem e a unica coisa que pedimos, é que sejamos dignificados, porque nós temos memória.

 

António Coutinho Basto

Ex-Alferes Milº

Presidente da Direcção da Associação Portuguesa dos Veteranos de Guerra

antonio.basto@apvg.pt 

www.apvg.pt

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