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Angola

ANGOLA - IMAGENS - Cedidas por ex-Combatentes ou em sites próprios

 

                             

 

 

Camões Flores, ex- Furriel Mil.º de Artilharia

Companhia de Artilharia 784

Batalhão de Artilharia 786

Angola

1965 /1967

 

 

 

 

Angola, uma guerra perdida

 

No principio de  Junho de 1965 chegava a Luanda, Angola, vinda do "Puto" a bordo do navio "Vera Cruz" o Batalhão de Artilharia 786, pertencente á unidade mobilizadora "RAP 2", na Serra do Pilar, em Vila Nova de Gaia e comandada pelo então Ten. Coronel Dagoberto do Coito Graça e com as companhias 783,784,785 comandadas  pelos respectivos Capitães do quadro.

 

O Grafanil foi o rumo que nos deram, e por lá passamos cinco dias, todos mordidos por mosquitos, mas isto, era para provar a nossa resistência de maçaricos depois de uns enjoositos a bordo durante 7 dias.

 

Finalmente começou a guerra para nós, pois, pelo caminho entre a cidade ou vila do "Úcua" e a cidade da "Vista Alegre" começámos a ter de nos apear dos camiões que nos levavam por causa de uns tiritos que deveriam ser para matar algum pobre porco que lá se atravessou á frente de alguém.

 

Passados os primeiros momentos de alguma agitação, lá fomos sem mais percalços, indo a companhia de comando para a sua pousada na Vila de QUITEXE e as companhias para as suas pensões de 3ª classe, a 783 inicialmente foi para Zalala, a 784, á qual eu pertencia como Furriel Mil.º para a "Fazenda de café Sta. Isabel" ficando esta, a cerca de 40 k. da Vila de Aldeia Viçosa e uns 60 de Quitexe numa "estrada de terra batida " que de inverno as "Mercedes" quando lá passavam, e quando passavam, pois, muitas vezes nem as árvores resistiam aos guinchos  dos camiões nos atolamentos quando se iam fazer os reabastecimentos á cidade de Carmona, ou a transporte de militares para as diversas operações que estavam destinadas. Quanto á companhia 785 foi parar à "melhor" das estadias das 4, Suites em madeira e telhados de zinco como o turismo daquela altura conseguia e o próprio nome do local assim o exigia "LIBERATO" o nome da estancia balnear no vale do Loge. No primeiro ano foi esta companhia  que se manteve lá ,pois, como era costume ao fim de um ano de zona de intervenção irmos então realmente para uma zona de descanso. Na realidade, isso não aconteceu pois, o grande "Chefe" resolveu, decerto, para ser promovido mais rapidamente, oferecer aos altos comandos o Batalhão para ficar  27 meses na mesma zona, e de grande perigo, diga-se,  senão, vejam-se os cenários de guerra em que este Batalhão esteve:

 

Serra da Vamba,  Serra do Uige,  Serra do Pingano, Serra da Quimbinda, Vale do Loge e outras nas redondezas da Cidade de Carmona, Camabatela, Negage não falando das vezes que tínhamos de ir para outras zonas em apoio de outras guarnições.

 

No ano seguinte, tocou-nos ir parar a esta estância mais cerca de 14 meses. O comandante de minha companhia, José Paulo Pestana,  nem "pestanejou" tal era o inconformismo do momento, pois, sabia que mais tempo naquele lugar era sinónimo de mais mortes na companhia. Felizmente, tal não aconteceu, e isso, traduziu-se em mais união entre todos os camaradas de luta. 

 

Já lá vão 45 anos da partida e 43 da chegada, foi reconfortante voltar, e ver a família que um dia deixámos na incerteza de nos tornar a ver. Com alguns isso aconteceu, e o reconhecimento por essas mortes não aconteceu!!!, enfim,!!! valeu pelos que conseguiram  e conseguem dizer "ufa" do que me livrei.

 

 

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