.

 

Início O Autor História A Viagem Moçambique Livros Notícias Procura Encontros Imagens Mailing List Ligações Mapa do Site

Share |

Brasões, Guiões e Crachás

Siga-nos

Fórum UTW

Pesquisar no portal UTW

 Angola

Angola - Trasladação dos Restos Mortais - 2.º SAR TMS Justino Teixeira da Mota

 

Trasladação dos Restos Mortais

 

2.º Sargento de Transmissões Justino Teixeira da Mota

 

10Ago1930 > 18Out1962

Angola

Companhia de Caçadores Especiais 266

Batalhão de Caçadores Especiais 262

Maquela do Zombo

 

 

Mensagens / Comentários

 

Para visualização do conteúdo clique em cada uma das palavras sublinhadas que se seguem:

 

Rui Silva

António Guerra

José Lessa

 

-----------------------------------------------------------------------

 

De: Rui Silva

De: Rui Silva [mailto:]
Enviada: sábado, 15 de Novembro de 2008 15:59
Para: António Teixeira da Mota
Assunto: Luta Incessante (comentário)

Caro António Teixeira da Mota
 
Levantei-me de propósito para ligar o portátil com o intuito de lhe enviar esta mensagem.
 
Hoje ao final do dia - quando cheguei a casa - abri a encomenda que me enviou (muito obrigado) e fiquei todo contente quando o seu livro me deslizou para as mãos. Ao desfolhar adorei de imediato o grafismo e fiquei a contemplar cada fotografia e os magníficos documentos que contém. No entanto como gosto de ir à essência das situações, detive-me de imediato a ler o seu livro. Não fiz qualquer leitura transversal. Comecei no Prefácio e só parei na página 82. Lio de fio a pavio, porque não consegui parar. Saboreei cada página e se não tinha quaisquer dúvidas que o livro que ia receber seria bom, permita-me que lhe diga que estou sem palavras. Aliás, palavras teria muitas para lhe dizer, mas não o quero maçar com uma mensagem que se revelaria infinita.
 
 Não quero cair na tentação de elogiar o carácter nobre e humano de todas as personagens que povoam as páginas do livro porque sei que ia cometer o erro crasso de falhar alguém com um papel vital em todo o processo.
 
No entanto, e por toda a leitura que fiz, não posso deixar de sublinhar algumas a negrito do mais carregado que possa existir ou que se venha a fabricar...
 
Justino Teixeira da Mota - Exemplo vivo de competência e camaradagem militar. Ser humano de excelência, amigo dedicado e atento. Homem nobre, pai zeloso e marido exemplar. Descanse em paz junto dos seus (o mais importante de todo o processo) e que um dia a nação acorde para a indignidade que perpétua.
 
Esposa de Justino Mota -  Símbolo eterno de amor incondicional à memória do jovem marido que fez questão de preservar pela vida fora. Uma SENHORA que merece o mais profundo respeito. Uma jovem mãe que se dedicou de corpo e alma à educação e bem estar dos filhos. Junto deles tentou manter viva a memória do pai sem exigir nada que não fosse o respeito que ele merece. Deveras assinalável.
 
Coronel Ramiro de Oliveira - Companheiro e amigo sincero. Homem de carácter que ao longo de décadas sofreu o pesadelo de reviver o acidente do amigo e camarada (acredito que na guerra as patentes "quase" se "diluem" no mato quando as dificuldades são partilhadas umbilicalmente). O motor de arranque de uma missão que desejou sempre ver cumprida.
 
Bento Barreiras - O descodificador - o elo de ligação de memórias de um passado sempre presente.
 
Oficial Búlgaro -  O estafeta que levou a carta a Garcia. Mais do que cumprir ordens, penso que teve a dignidade de relevar o enredo e importância vital que tinha esta missão que parecia perdida no tempo.
 
Coronel (Brigadeiro) Bento Soares - O Anjo da Guarda... tornou possível transformar o pesadelo de décadas num sonho realizado para o resto da vida. Homem íntegro, culto e de qualidades humanas únicas ( destrona por completo a imagem do oficial carrancudo e de coração empedrecido. Uma das personagens fascinantes desta "comissão humanitária").
 
António Teixeira da Mota - OBREIRO DE TODA A INICIATIVA....HOMEM DE GRANDE CARÁCTER, VERTICALIDADE, EXEMPLO DE ALTRUÍSMO E AMOR INCONDICIONAL A UM PAI FISICAMENTE AUSENTE, MAS QUE ESTEVE SEMPRE PRESENTE.... RECEBA O MEU FORTE ABRAÇO, AMIZADE, PROFUNDA ESTIMA E ADMIRAÇÃO!
 
Filha de Justino Mota - Pilar emocional para a mãe e irmão. Uma dor sentida e partilhada. Sofreu talvez um pouco mais o silêncio na garganta, abafando o próprio grito.
 
 
Igualmente de relevar as acções dos membros da Companhia de Caçadores Especiais 226 e dos "pilões" citados na obra (Dr David e o colega que tentou descobrir o seu número e lhe telefonou). De memória são estes que mais me fascinaram. De certo está a falhar alguém que não o omnipresente Deus que guiou toda a história.
 
Não queria escrever muito para não o maçar e acabei por fazê-lo. Mil perdões, mas prometo que a mensagem será finita. Tanto poderia dizer sobre a beleza do livro e o nobre carácter não só do seu pai como também o seu e das pessoas que se empenharam por fazer da trasladação uma realidade. Mas esse tipo de opiniões já deve estar saturado de as receber.
 
Obviamente que não posso terminar sem sublinhar que a poesia que li é deveras tocante, demasiado interessante para passar incólume e digo abertamente que adorei a forma como se apresenta no livro ( acredito piamente nessas mensagens directas do seu pai escritas pela sua pena). Estes poemas são um digno pilar de toda a história...
 
Ficou-me na retina também o "Pobres de Espírito". É espantoso que subscrevo TOTALMENTE o que está escrito. É muito triste quando determinado tipo de pessoas se enchem de "razão" (infelizmente mais do que seria desejável ou necessário) para dizer barbaridades, lugares comuns e afins e na realidade a maioria vive vidas completamente vazias pela total ausência de sonhos. Nunca chegam a perceber porquê tanto esforço, a razão de ser das coisas e o empenhamento em causas nobres, o sabor do mérito e satisfação pessoal em chegar à meta mesmo que a língua esteja a rastejar pelo chão. Quem não sabe o que é sonhar apenas pode aspirar ao vazio que noutras palavras se poderá traduzir no materialismo fútil como bóia de salvação para justificar a pobre existência. Quando assim é   "....chegámos à conclusão, Que a culpa não é deles, Pobres de Espírito ... É o que são" (Desculpe a apropriação das palavras. Pago os direitos de autor). Como diria outro poeta.... "O SONHO COMANDA A VIDA".  Portanto caro amigo, receba mais um grande abraço de alguém que também acredita em causas, luta por elas e se envergonha pela forma como o esforço das pessoas dificilmente é devidamente reconhecido e compensado ( neste caso a entrega da própria vida, o bem mais precioso de todos).  
 
Como nota final, e desculpe a extensão da mensagem, fico contente por constatar que para além de sermos filhos de veteranos da mesma guerra (apenas em comissões e frentes distintas) pensamos de forma muito igual quanto à situação de injustiça pátria para com todos eles (principalmente os falecidos e estropiados). Sonhamos e colocámos em marcha o sonho, independentemente das barreiras que se apresentam e que são naturais quando as empreitadas são enormes. O meu caso não reveste este dramatismo que respeito profundamente, mas tem contornos de dificuldades e muitas vezes senti uma mão divina a encaminhar-me pelos trilhos certos.
 
Meu amigo! O que pensava resumir em poucas palavras, já vai quase em duas horas de escrita. Teria tanto para dizer, mas o que escrevi já é tanto que espero não lhe cansar a vista. Ser telegráfico não é o meu estilo quando os assuntos e as pessoas me tocam profundamente.
 
Com a mais profunda sinceridade lhe digo que ADOREI a "Luta Incessante" e vai figurar não só na minha estante de livros favoritos como também me vai acompanhar sempre que fale com veteranos de guerra, no próximo convívio da Companhia de Engenharia 2393, nas conferências que pretendo ir sobre o tema "Guerra Colonial" e vou com toda a certeza recomendar o livro ao comandante da companhia do meu pai que é uma pessoa extraordinária e um grande interessado no tema (tenho a certeza que ia adorar ler esta obra).
 
Hoje vou dormir muito menos que o costume, mas isso é irrelevante. Não conseguiria dormir sem  lhe enviar esta mensagem. Acima de tudo é o meu muito obrigado pela sua atenção para comigo e muito mais do que isso é o meu muito obrigado por literalmente lembrar os oito mil e tal militares falecidos através da pessoa do seu pai. Lembrar os que ficaram lá sepultados em cemitérios em estado de abandono. Todos eles são injustamente esquecidos num país que tem uma dívida muito grande a saldar, não só com esses do sacrifício derradeiro, mas também com aqueles que cegaram, ficaram surdos, amputados, a sofrer de stress pós traumático severo (um drama familiar de norte a sul e ilhas), etc. Não se pedem ou esperam heróis ou ícones para idolatrar, apenas JUSTIÇA. HUMANIDADE, RECONHECIMENTO E RIGOR HISTÓRICO.
 
Grande abraço
 
Rui
 
PS: Afinal ainda vai a nota derradeira.... lembrei-me dos louvores que o seu pai teve (o que confirma ainda mais o grande homem que foi).... aqui existe mais um momento interessante nas nossas existências.... o pai da minha companheira esteve em várias comissões em África e penso que Timor e desconheço se esteve na Índia ( a filha e mãe não têm muitas certezas, mas ele teria hoje uma idade aproximada ao seu pai). Faleceu muito depois de acabar a guerra e até morrer era militar de carreira. Era 1º cabo de Artilharia e ao ler os louvores do seu pai lembrei-me dele porque é com grande orgulho que a filha mandou emoldurar alguns deles e de certa forma são uma memória viva da conduta dele espelhada numa das paredes da casa. Esta vida é cheia de "coincidências" e pela aproximação de idades e embora ele tenha sido de Artilharia quem sabe até se conheceram em Angola ou noutro cenário. Ele tem fotografias muito antigas, mas Infelizmente nenhum dos dois estão cá para confirmar. Descanso eterno para eles e todos os outros que dignificaram a bandeira do país como os soldados lusos que lutaram na I Guerra Mundial (como o avô do meu pai que tal como o neto lutou em Moçambique 50 anos antes e desgraçadamente é outra vergonha de quase ocultação). PARABÉNS MAIS UMA VEZ!!!! 

Voltar ao topo

 

 

---------------------------------------------------------

 

 

 

De: António Guerra

 

De: António Guerra [mailto:]
Enviada: domingo, 13 de Janeiro de 2008 0:51
Para: UTW
Cc: Antonio T Mota
Assunto: Envio de mensagem sobre livro "LUTA INCESSANTE"

 

Meu Caro António Mota (o 21):

 

O teu livro “Luta Incessante” que acabo de ler não pode levar a ums simples nota em que te diga – gostei muito, és fantástico, muito obrigado.  Nem pensar !

 

O teu livro é verdadeiro, genuíno e relata uma aventura.  É épico !

 

Por isso alinho (sem qualquer ordem especial) um conjunto de factos e emoções que registei da leitura que me preencheu no total cerca de 1 dia, para que saibas e que conste.

 

  • A escolha da tua mãe ter ficado viúva e tratar dos 2 filhos

 

  • Os poemas e a razão de eles virem a público neste livro

 

  • O facto do corpo estar encerrado em urna de chumbo que foi a tua tábua de salvação que te alimentou a esperança de um dia concretizares a trasladação

 

  • O facto de acreditares que nesta passagem pela Terra todos temos um destino e uma missão a cumprir e como tal esta ser uma parte da tua missão.  Eu acho que tendo a acreditar também (mas não tenho obviamente a certeza a não ser por certos indícios)

 

  • A tua maneira de redigir e prender o leitor (é quase tu cá tu lá), facilidade de expressão escrita, com frequentes chamadas de atenção e parêntesis para que o leitor não se perca

 

  • Não te escondo que houve partes que me comoveram ... em particular quando chegas a Lagoa e te encontras com o Capitão Ramos e a seguir com o Coronel Ramiro de Oliveira e no dia em que te “reencontras” com os restos mortais do teu pai em Linda-a-Velha

 

  • O sentimento de paz interior que sentes, o fardo que deixaste de carregar e o saberes agora onde estão os restos mortais do teu pai, ausentes desde 1962 mas agora bem perto de ti em Amarante

 

  • Gostava ainda de te dizer uma coisa; é que eu faço anos no dia de Nª Srª de Fátima e no dia 13 de Maio de 1995 em que em Girabolhos vês pela primeira vez as fotos do túmulo do teu pai eu fazia 46 anos !   É apenas uma curiosidade !

 

  • António a minha opinião é que mesmo 34 anos depois, VALEU A PENA ou como tu dizes foi feita a Justiça Divina !

 

  • Foi impossível começar o teu livro sem o ler de imediato até ao fim. Foi o que aconteceu, tendo começado pelos teus magníficos (e sentidos) poemas.  Por tudo isto, por toda esta rica leitura que me proporcionaste, documento Humano, uma parte importante da tua vida, tão diferente de tudo quanto tenho lido desde o Eça ao Saramago passando pelo Comandante Cousteau, podes contar sempre com a minha compreensão e claro, amizade.

 

  • Fiquei-te a conhecer melhor, o teu lado humano, a tua nobreza interior como escreve o Major General Bento Soares.

 

Bem hajas e bem hajam também o Capitão, o Coronel e o Major General. 

 

Um grande abraço do

 

António Guerra

 

Voltar ao topo

 

 

---------------------------------------------------------

 

 

De: José Lessa

 

Obrigado António Teixeira da Mota

 

-----Mensagem original-----
De: José Lessa [mailto:]
Enviada: sábado, 15 de Dezembro de 2007 14:44
Para: Ultramar Terraweb
Cc: teixeira.mota
Assunto: LUTA INCESSANTE / António Teixeira da Mota

 

No passado dia 5 do corrente, adquiri o livro.

Tomei conhecimento do mesmo e de parte da história nele contida no vosso site.

Contactei o António Mota e combinamos o local de encontro.

Se já tinha por este Homem uma grande estima, passei ter orgulho neste amigo que agora tive o privilégio de conhecer.

A sua história comoveu-me mesmo antes de a ler.

Lendo o prefácio do livro e chegando aos poemas, concordo em absoluto no que Rolando Ferreira escreve;

"Alguns dos poemas são verdadeiras obras de arte".

Também acredito na vida para alem da morte e o António Mota tinha uma missão a cumprir, e cumpriu na perfeição a vontade de seu Pai.

Obrigado António Mota por ter publicado este livro, o seu Pai, onde quer que esteja, está feliz por ter deixado um filho como você e feliz também por ter tido amigos verdadeiros como;

Bento Soares

Ramiro Oliveira

Brito Ramos

A todos eles que fiquei a conhecer pelo que me falou deles, aqui expresso a minha gratidão de Pai e de antigo combatente, também eu pisei aquelas terras de Maquela do Zombo.

Os militares tem fama de "mauzões" mas também tem sentimentos e estes que atrás refiro são um bom exemplo.

Termino, não sem antes aqui deixar um dos poemas do livro:

 

QUANDO FOSTE A SEPULTAR

BEIJEI A TUA URNA.

 

DEPOIS FUI AO TEU TÚMULO

E COLOQUEI UMA FLOR:

 

AGORA VIVO NA FANTASIA

DA NOSSA POESIA

IMAGINANDO A REALIDADE

DOS POEMAS QUE ESCREVI;

EM TUDO O QUE FAÇO

TENTO ENCONTRAR MANEIRA

DE CONTINUAR A VIDA INTEIRA

A DESPEDIRME DE TI.

 

Obrigado António Teixeira da Mota

 

José Lessa

 

© UTW online desde 30Mar2006

Traffic Rank

Portal do UTW: Criado e mantido por um grupo de Antigos Combatentes da Guerra do Ultramar

Voltar ao Topo