[...]
«O que é que teria passado pela cabeça
daquela gente para se expôr daquela maneira? O PAIGC e
os seus mentores cubanos vinham seguindo à risca a
cartilha da guerra de guerrilha mantendo-se sempre
encobertos e só atacando quando estavam em vantagem.
Quando se
sentiam em desvantagem furtavam-se ao
contacto. No entanto, desta vez, estavam a fazer tudo ao
contrário, de tal maneira que os dois pilotos dos G-91
tiveram dificuldade em assimilar a imagem que a vista
lhes oferecia com toda a nitidez. Seria mesmo real o que
estavam a ver? O ex-tenente Balacó Moreira confessa que
da sua experiência em operações quase diárias no teatro
de operações da Guiné nunca tinha dado de caras com o
inimigo numa situação tão vulnerável. »
[...]
«A razão para o suicídio do PAIGC em
Sangonhá.
Depois do reconhecimento a Sangonhá ficou
por decifrar o que teria levado o PAIGC a efectuar
aquela acção suicida. A prática normal da guerrilha não
se ajustava, de modo nenhum, ao que acontecera no dia 6
de Janeiro de 1969. Não tinha sido apenas a hora a que
foi desencadeada a flagelação, de manhã em plena luz do
dia, mas também o facto do armamento e o pessoal estarem
em campo aberto e serem facilmente detectáveis pelos
aviões. Era ainda o recurso às peças anti-carro na
flagelação como se fossem obuses ou morteiros27.
Havia
certamente uma justificação para este comportamento
anómalo mas nenhum de nós imaginava qual poderia ser.»
[...]
«Para mim foi uma espécie de relâmpago
que tudo iluminou e desvendou, num instante, a lógica
daquele comportamento estranho do PAIGC. Não consegui
agora encontrar nenhum registo desse documento mas o
facto é que me marcou tanto que nunca mais esqueci o
essencial do que li.»
[...]
«O PAIGC e
o governo sueco, em escrupulosa obediência às regras da
propaganda nunca revelaram, nem durante a guerra, nem
depois, este desastroso embate…»
[...]

Canhão Zis 2 AC57mm
pronto a ser atrelado a viatura de reboque

Situação geral no
terreno manhã do dia 06 de Janeiro de 1969

Furriel Mil.º Luís
Guerreiro operando morteiro em Ganturé

Bilhete Sansau na Isna
«A
título de curiosidade não devo terminar sem mencionar o
único documento conhecido do PAIGC referente a este
ataque. Trata-se de um bilhete enviado em 6 de Janeiro
de 1969 por um dos mais celebrados comandantes do PAIGC,
Pansau na Isna, e dirigido a Aristides Pereira que
estava na base mais próxima, Boké, na Guiné-Conacri.
»

À direita munição que
veio de Sangonhá

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Autor do
Texto:
"Madina
do Boé, 'o Algarve na Guiné'"
Guiné: Madina do Boé - o alvo para a
estreia dos cubanos em combate
Livro:
«A
BATALHA DO QUITAFINE»
A contraguerrilha antiaérea na Guiné e
a fantasia das áreas libertadas

