Soldado Condutor Auto-Rodas, n.º
988/64
Companhia de
Caçadores 726
*Guiné: 14Out1964 a 29Ago1965
(data do falecimento)
Homenagem e Memória ao
Soldado Condutor Auto-Rodas José Luís Lopes Pereira
Esta é uma prestação de homenagem
e memória ao Soldado Condutor Auto-Rodas José Luís
Lopes Pereira, portador do número de matrícula
988/64, natural da freguesia de São Pedro da Torre,
no concelho de Valença, e filho de Guilhermino José
Bouços Pereira e de Dores Adelina Soares Lopes.
Mobilizado pelo Regimento de
Infantaria n.º 16 (RI 16 – Évora) para integrar a
Companhia de Caçadores n.º 726 (CCaç 726), faleceu
no dia 29 de Agosto de 1965 no Hospital Militar 241
em Bissau, em consequência dos ferimentos sofridos
em combate, repousando eternamente no Cemitério de
São Pedro da Torre, em Valença.
A
Partida e o Destino no Ultramar
Natural da freguesia de São Pedro
da Torre, no concelho de Valença, o jovem José Luís
Lopes Pereira respondeu ao apelo das armas para
cumprir o serviço militar na Guerra do Ultramar.
Incorporado
e preparado na unidade mobilizadora do Regimento de
Infantaria n.º 16 (RI 16), em Évora, integrou a
Companhia
de
Caçadores n.º 726 (CCaç 726) com a especialidade de
Soldado Condutor Auto Rodas.
No dia 8 de Outubro de 1964, na
Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, em
Lisboa, embarcou a bordo do Navio de Transporte de
Tropas (NTT) ‘Niassa’ rumo ao teatro de
operações da Guiné Portuguesa.

Após a travessia atlântica,
desembarcou no estuário do rio Geba, em Bissau, no
dia 14 de Outubro de 1964, onde deu início a uma
comissão marcada pelas exigências e perigos de um
dos palcos mais duros do conflito ultramarino.
A
Actividade Operacional e a Cadeia de Comando
Ao
chegar ao território, a CCaç 726 iniciou
a
sua comissão substituindo a CArt 676 no dispositivo
do Batalhão de Caçadores n.º 600 (BCaç 600),
efetuando simultaneamente a instrução de adaptação
operacional na região de Quinhámel sob orientação da
CCaç 508. Durante esta fase inicial, a companhia
esteve sob o comando direto do
Capitão de Infantaria Joaquim Manuel
Martins
Cavaleiro, que liderou os homens desde a
mobilização em Évora e ao longo dos primeiros meses
de permanência em
solo
guineense.
Em 28 de Outubro e 17 de Novembro
de 1964, a companhia começou a deslocar dois
pelotões para a exigente zona de Guileje. Em 25 de
Novembro de 1964, a subunidade foi colocada na
totalidade no recém-criado sector de Guileje,
ficando sucessivamente na
dependência
do BCaç 513, do BCaç 600 e
do
BCaç 1861. Naquela posição chave, anteriormente
ocupada por um pelotão da CArt 495, a CCaç 726
empenhou-se intensamente em diversas ações de
emboscadas, patrulhamentos e segurança no corredor
de Guileje, coordenando operações com outras
subunidades
e destacando pelotões para o reforço temporário das
guarnições de Gadamael e Cacine.
Em 30 de Março de 1965, na
sequência da operação “Arpão”, ocupou a povoação de
Mejo, onde foram instalados dois pelotões, ampliando
o raio de controlo operacional e de proteção na
região.
No decorrer destas duras operações
de manutenção do corredor estratégico e proteção de
colunas e guarnições, deu-se a transição no comando
da subunidade: em meados de 1965, assumiu a chefia
da companhia o Capitão de Infantaria Arménio Augusto
da Silva Teodósio, mantendo-se o empenhamento
operacional da subunidade na defesa e patrulhamento
daquele setor fustigado.
O
Derradeiro Sacrifício em Guileje
Em meados de 1965, a pressão
militar no setor de Guileje intensificou-se
consideravelmente. A 29 de Agosto de 1965, durante
um
violento ataque inimigo ao quartel de Guileje, o
Soldado Condutor Auto Rodas José Luís Lopes Pereira
foi mortalmente atingido. Transportado em emergência
para o Hospital Militar 241 (HM 241), em Bissau, não
resistiu à gravidade dos ferimentos colhidos em
combate, tombando no cumprimento do dever com apenas
21 anos de idade.
O seu corpo descansou para sempre
na sua terra natal, no Cemitério de São Pedro da
Torre, perto dos seus familiares e das suas raízes
alto-minhotas.
Memória e Homenagem Perpétua
Décadas após a sua partida, o
sacrifício e a bravura do Soldado José Luís Lopes
Pereira permanecem vivos na memória coletiva.
No dia 25 de Junho de 2022, o Município de Valença,
em conjunto com a Liga dos Combatentes e o Núcleo
dos Combatentes de Valença, perpetuou o seu nome
— a par dos restantes filhos do concelho caídos na
Guerra do Ultramar — numa placa comemorativa de
homenagem em bronze colocada no concelho.

