Monumentos aos Combatentes,
Memoriais e Campas
Monumentos aos Combatentes e Campas
Em
memória daqueles que tombaram em defesa
de
Portugal na Guerra do Ultramar
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cada um dos sublinhados que se seguem
Listagem dos mortos naturais do concelho
de
Matosinhos

Matosinhos
Avelino Joaquim Gomes Tavares
Elementos enviados por
Pedro Castanheira
Outros elementos
extraídos do sítio do facebook do veterano
Isidro Moreira Esteves
Contributos dos veteranos
Licínio Lopes e de Manuel Maria Figueiredo
Silva
Avelino
Joaquim Gomes Tavares, Soldado Pára-
Quedista,
titular do brevet n.º 8850, natural da freguesia e
concelho de Matosinhos, distrito do Porto.
Mobilizado para servir
Portugal na Província Ultramarina da Guiné, onde chegou
no dia 27 de Janeiro de 1971 e
ficou
integrado no 4.º Pelotão «ÁGUIAS NEGRAS» da Companhia de
Caçadores Pára-Quedistas 123 (CCP123) do Batalhão de
Caçadores Pára-Quedistas 12 «UNIDADE E LUTA».
Faleceu no dia 15 de
Abril de 1971 em Ganguirô, na região de Liporo /
Canjadude, vítima de ferimentos em combate, devido a
emboscada montada e levada a efeito pelo PAIGC (nota).
Está inumado no cemitério
de Sendim, na freguesia e concelho de Matosinhos,
distrito do Porto.
Paz à sua Alma
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(nota):
in livro do BCP12 (Batalhão de Caçadores Pára-Quedista
12), pág. 179
«2º período da operação “Águia Negra “ , desenrolou
se entre 08 de Março e 8 de Junho. A CCP123
(Companhia de Caçadores Pára-Quedistas 123) continuou
empenhada no CAOP 2 (Comando de Agrupamento
Operacional 2) , actuando através de emboscadas,
patrulhamentos e batidas na região de Piche, Canjadude,
Siai , Ganhagina , Cassembel, Ganguirô, etc.

No dia 15 de Abril , quando os militares da CCP 123 (Companhia de Caçadores Pára-Quedistas 123) se
encontravam próximo de Ganguirô , sofreram um violento
ataque lançado por um grupo inimigo estimado em cerca de
80 elementos. Avançando em linha , com três vagas de
assalto de 20 a 30 homens cada e apoiados por intenso
fogo de morteiro, RPG2
*
e RPG7*, os guerrilheiros do
PAIGC causaram dois mortos e seis feridos ás tropas
Paraquedistas»
O comandante da Companhia de Caçadores Pára-Quedistas
123: Capitão Pára-Quedista Cristóvão Manuel Furtado
Avelar de Sousa, hoje, Major-General na situação de
reforma
*RPG: (Rocket-propelled grenade, em
português: granada lançada por foguete)
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Contributos:
Texto de Licínio Lopes:
Dia 15 de Abril de
1971 deram a vida pela Pátria, na operação «Águia Negra»
(2.° período), na acção Império Valente/A, os nossos
camaradas soldados Pára-quedistas:
AVELINO JOAQUIM GOMES TAVARES
(do 4° Pelotão), natural de Matosinhos, e
CARLOS ALBERTO FERREIRA MARTINS
(do 2° Pelotão), natural de Toledo, freguesia de
Vimeiro, concelho da Lourinhã,
mortos em combate em
Ganguirô, na região de Liporo/Canjadude.
Nesta mesma operação a C.C.P. 123 sofreu mais 5 feridos:
Jacinto Cunha (já falecido), Manuel Rosa. Miguel, Veiga
Lopes e Licínio Lopes).»
Texto de Manuel Maria
Figueiredo Silva:
«Jamais esquecerei
aquele fatídico dia, marcou-me para sempre, fui também
um dos que veio para a retaguarda para partir alguns
arbustos para o Heli ali descer e levar o homem ferido
que vinha a bater a picada.
Recordo-me daquele apito de comando inimigo, os
projecteis inimigos a baterem-me a um palmo da minha
cabeça quando estava deitado, vi as linhas do inimigo
recuarem e de seguida outra linha avançar para nós,
debaixo daquele infernal tiroteio deixei de ver os
camaradas das laterais, fiquei apenas com três ou quatro
munições no carregador da G-3 ao meu lado apenas se
encontrava o FRITZ com o morteiro 60 e julgo sem
qualquer granada apenas com a pistola.
Recordo-me de tentarmos recuar mas não podíamos pelo
facto de á nossa retaguarda o capim estar arder,
lembro-me de uma bazuca a trabalhar á minha retaguarda,
presumo eu, que fosse um homem da milícia que a
manuseava.
Na minha ótica não morremos mais porque o inimigo ouviu
o heli que vinha buscar o homem ferido e pensando que
seria o heli canhão, em debandada, recuaram.
Perdemos dois HOMENS e julgo uns cinco feridos, mas
muitos mais poderiam ter morrido se o intuito do inimigo
fosse concretizado que seria quando estivéssemos a subir
para os veículos que nos haviam de transportar.
Não me sai da memória deparar com o TAVARES morto o qual
levou uma roquetada debaixo das pernas, MARTINS que era
do meu pelotão também ele morto por vários projécteis.
RESTA-ME PEDIR A DEUS QUE OS TENHA EM DESCANSO.
Peço desculpa se com este texto feri suscetibilidades,
mas fiquei um pouco aliviado narrando este historial que
sempre há-de me acompanhar.
Um abraço a todos os Combatentes.
Nota: o Soldado Paraquedista Carlos Martins, era o
barista da companhia, ao ver o seu pelotão desfalcado
ofereceu-se prontamente para esta missão onde iria
perder a vida.»
