José
Antunes de Carvalho

Alferes Mil.º de Infantaria, n.º
00316962
Comandante do Grupo de
Combate «BOINAS VERDES» da Companhia de Comando e
Serviços
Batalhão de Artilharia 1914
«SEM TEMOR»
Guiné: 13Abr1967 a
04Set1968 (data do falecimento)
Em
Memória
(CCS/BArt 1914 – RAL 1 | Guiné 1967–1968)
Condecorado com a Cruz de Guerra de 3.ª Classe (Título
Póstumo)
1. O
Chamamento, o Embarque e a Partida para o Ultramar
A história
do Alferes Miliciano de Infantaria José Antunes de
Carvalho é o retrato vivo do patriotismo, da bravura e
da abnegação de uma geração colocada à prova no teatro
de operações do Ultramar. Natural de Salto, no concelho
de Montalegre, filho de Luciano Fernandes de Carvalho e
de Joana da Conceição Antunes, trouxe do
Barroso
transmontano a têmpera, o caráter nobre e a coragem
moral que viriam a pautar cada dia da sua vida militar.
Casado
com D. Sara Maria Ramires Paulo de Carvalho, deixou para
trás a família e o aconchego do lar para cumprir o dever
militar. Mobilizado pelo Regimento de Artilharia Ligeira
n.º 1 (RAL 1), em Lisboa, foi integrado na Companhia de
Comando e Serviços (CCS) do Batalhão de Artilharia n.º
1914.
No
dia 8 de Abril de 1967, na Gare Marítima da Rocha do
Conde de Óbidos, em Lisboa, embarcou a bordo do Navio
Transporte de Tropas (NTT) ‘Uíge’. Ao som dos
apitos do navio e dos acenos de despedida no cais,
partiu rumo à Guiné Portuguesa, desembarcando a 13 de
Abril de 1967 no estuário do Geba, em Bissau.
2. O
Exemplo em Combate: Ações de Bravura na Guiné
Em
terras da Guiné, o Alferes Antunes de Carvalho
destacou-se desde muito cedo pelas suas excecionais
qualidades humanas, militares e de liderança sob fogo.
Em princípios de Março de 1968, impulsionado por um
incontornável espírito de missão, ofereceu-se
voluntariamente para comandar o Grupo de Combate tipo
comandos ("boinas verdes"), assumindo a vanguarda dos
cenários de maior risco.
A sua
passagem pelo teatro de operações ficou marcada por
feitos de invulgar determinação:
-
Defesa do Aquartelamento (2 de
Março de 1968): Durante uma intensa
flagelação inimiga ao aquartelamento, e mesmo
debaixo de pesado fogo de metralhadora e morteiros,
correu sem hesitar por todas as tabancas em redor do
quartel para reorganizar o seu grupo de combate e
sair em perseguição do inimigo.
-
Operação "Quitina" (30 de
Abril de 1968): Na zona de Galamã, Bila e
Louvado, seguindo à testa da coluna com o seu Grupo
de Combate, foi invariavelmente o primeiro a reagir
com firmeza a todos os contactos com o inimigo,
batendo-o pelo fogo e pondo-o em debandada.
-
Operação "Corsário Negro" (18
a 19 de Junho de 1968): Nas regiões de Nova
Sintra, Serra Leoa e Baduco, demonstrou um empenho
incansável. Mesmo gravemente doente, aguentou
corajosamente quase todo o decorrer da operação.
Apenas aceitou ser evacuado quando totalmente
exausto, deixando bem patente o seu desgosto e
amargura por não poder ir até ao fim ao lado dos
seus homens.
-
Operação "Novilhada":
Na zona de Jufá, voltou a demonstrar uma
agressividade tática e determinação ímpares,
acorrendo sempre aos pontos mais críticos sob
intenso fogo adversário.
Por todos
estes atos de bravura e liderança em campanha,
conquistou a profunda admiração e o respeito dos seus
camaradas,
dos
seus superiores e da própria população nativa.
3. A
Tragédia e o Reconhecimento Póstumo
Tragicamente, a 4 de Setembro de 1968, no aquartelamento
em Tite, a vida do Alferes Carvalho foi abreviada por um
fatal acidente com arma de fogo durante uma sessão de
instrução com dilagramas. Tombava aos 20 e poucos anos
um jovem promissor, um oficial brilhante e um homem de
honra. Os seus restos mortais repousam hoje na sua terra
natal, no Cemitério Paroquial de Salto (Montalegre).
A Pátria
não esqueceu o seu sacrifício.
Por
Portaria de 31 de Janeiro de 1970 (publicada na Ordem do
Exército n.º 4 – 2.ª série, de 1970), ser-lhe-ia
atribuída, a título póstumo, a Cruz de Guerra de 3.ª
Classe, louvando as suas excecionais virtudes e
considerando os seus serviços em campanha como
extraordinários, relevantes e distintos.
4.
Perpetuação da Memória: A Lápide de 15 de Agosto de 1992
Vinte e
quatro anos após a sua morte,
no dia 15 de Agosto de 1992, a comunidade de Salto
prestou uma sentida homenagem pública aos ex-combatentes
mortos na Guerra do Ultramar. Num ato solene marcado
pelo desfile da Fanfarra da Região Militar Norte e por
Honras Militares junto ao cemitério, foi descerrada na
sua terra natal uma lápide comemorativa em granito
gravada a ouro.

Nela ficou
para sempre imortalizada a memória do Alferes José
Antunes de Carvalho, acompanhada da promessa solene que
une toda a comunidade e a Nação:
"Honorável
na conduta, destemido no combate e leal aos seus
camaradas, o Alferes Miliciano José Antunes de Carvalho
permanece vivo na memória de Salto, do Barroso e da
História de Portugal."
