Manuel Maria Rodrigues Geraldes faleceu na Guerra Colonial, na Guiné Bissau
O
corpo de um militar português,
natural da aldeia de Vale de Algoso,
concelho de Vimioso, que faleceu na
Guerra, na Guiné Bissau, em Maio de
1973, foi só agora transladado para
a sua terra natal e o seu país.
Manuel Geraldes tinha 22 anos quando
morreu em combate, em Guidage, na
Guiné, juntamente com outros solados
do Exército e do corpo de
pára-quedistas. Na altura, os mortos
desse combate ficaram sepultados no
mesmo local, até que a União de
Pára-quedistas de Portugal (UPP)
mobilizou uma acção que permitiu o
resgate dos corpos, não só dos
pára-quedistas, mas também dos
outros militares, desde que famílias
mostrassem intenção de os reaver. Na
região, além do soldado de Vale de
Algoso, foi ainda resgatado o corpo
de um militar de Valpaços. “A União
de Pára-quedistas foi à Guiné
resgatar os corpos e entendemos que
deveríamos trazer também os restos
mortais dos homens do Exército que
se encontravam sepultados em campas
paralelas às dos pára-quedistas”,
explicou Avelar de Sousa, presidente
da UPP, presente nas cerimónias
fúnebres que tiveram lugar na aldeia
natal de Manuel Geraldes. Na aldeia,
os restos mortais do jovem soldado
foram recebidos com emoção.
“Sensibilizou-me muito. Recordo o
Manuel Geraldes com muita saudade.
Era um rapaz trabalhador, honesto,
alegre e divertido. Estava sempre a
puxar-nos para jogar futebol ou
fazer bailaricos. Tinha um
gira-discos que trouxe de França”,
contou-nos Domingos Pimentel, um
popular de Vale de Algoso. Luís
Geraldes, irmão de Manuel Geraldes,
referiu que para a família o facto
de o corpo ter permanecido longe da
terra, durante tantos anos,
significou muito sofrimento, mas a
família não tinha condições para
fazer a transladação. O familiar
criticou ainda o desinteresse do
Estado português perante estas
situações. Também Domingos Pimental
sublinhou que “Governo deveria ter
um nível elevado de patriotismo,
como tiveram eles, que largaram tudo
quanto gostavam para atender aos
pedidos do país”, até porque “a
história faz-se com os que eram da
altura, não se faz só com os de
agora. Esconder a história antiga
acho que é mau, porque é
recusarmo-nos a reconhecer o que os
nossos pais fizeram”, disse.
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