Celebrações do 10 de
Junho - Encontro Nacional de Combatentes


Dia de Portugal
10
de Junho - As cerimónias
10
de Junho de 1973 (Lisboa)
Imagens cedidas por um colaborador do portal UTW





O Dia de Portugal, comemorado
tradicionalmente em 10 de Junho, teve a sua nota mais
saliente na homenagem pública prestada pela Nação aos
componentes dos três ramos das Forças Armadas. Nas
cerimónias que decorreram em Lisboa, Porto, Coimbra,
Évora, Santarém, Ponta Delgada, Funchal, São Vicente,
Bissau, Luanda e Lourenço Marques, foram agraciados, por
feitos valorosos, os melhores de todos nós: os heróis de
Portugal.
Em Lisboa, onde a consagração dos combatentes foi
presidida pelo Chefe do Estado, o acto culminou com o
desfile das Forças em parada, no Terreiro do Paço, o
qual pela imponência do seu conjunto e pelo garbo das
tropas, constituiu um espectáculo de impressionante
beleza marcial a que o público lisboeta correspondeu com
o entusiasmo dos seus aplausos.

A
cerimónia realizada em Lisboa presidiu o Chefe do
Estado, que se encontrava acompanhado do Presidente do
Conselho, dos Presidentes da Assembleia Nacional, da
Câmara Corporativa e do Supremo Tribunal de Justiça, de
membros do Governo, do Bispo de Madarsuma, em
representação do Cardeal-Patriarca de Lisboa, e de
Oficiais Generais dos três ramos das Forças Armadas,
Adidos Militares e outras altas entidades militares e
civis.
O Terreiro do Paço encontrava-se engalanado com festões
de verdura, estando colocados, nos dois torreões dos
Ministérios, painéis com motivos alegóricos das Forças
Armadas.
Em parada, sob o comando do Brig Junqueira dos Reis, 2.°
Comandante da Região Militar de Lisboa, Companhias de
alunos do Colégio Militar, dos Pupilos da Exército, da
Escola Naval e da Academia Militar; várias Companhias de
Infantaria, de Artilharia, de Engenharia, e de
Administração Militar; duas Companhias de
pára-quedistas; três Companhias da Força Aérea; três
Companhias da Marinha; três Companhias de Forças
Militarizadas: Guarda Nacional Republicana, Policia de
Segurança Pública e Guarda Fiscal; e o Regimento de
Cavalaria da G. N. R., com fanfarra. Acompanharam as
cerimónias as bandas do RI 1, da Armada e da Força
Aérea, todas com fanfarra; a banda da G. N. R. e a
fanfarra do RAAF. Presentes, também, duas companhias do
Navio-Escola brasileira «Custódio de Mello», que, em
representação das Forças Armadas Brasileiras se
associaram à homenagem prestada pela Nação Portuguesa
aos seus combatentes.
A chegada do Presidente da República ao Terreiro do Paço
foi saudada com o Hino Nacional e com uma salva de 21
tiros, disparados por um dos navios de guerra surtos no
Tejo, enquanto uma esquadrilha de caças a jacto
sobrevoava as Forças em parada.
Hasteado, na tribuna de honra, o galhardete
presidencial, procedeu-se à transmissão, pelos
altifalantes, da alocução dirigida às Forças Armadas, a
qual foi lida, nas cerimónias de todo o Pais.
A ALOCUÇÃO DIRIGIDA AS FORÇAS ARMADAS
«Soldados e marinheiros: Em todo e Mundo Português,
seja nas terras da Mãe Pátria seja nas terras quentes do
Ultramar, festeja-se hoje o Dia de Portugal, de muito
grande significado para os militares. Foram eles que
fixaram as fronteiras do País Português e são eles ainda
quem as defende corajosamente, apesar dos pesados
sacrifícios que lhes caem sobre os ombros. Cada ano que
passa é, pois, uma vitória, especialmente se pensarmos
que na nossa época gente estrangeira tenta há vários
anos espoliar-nos do que é dos portugueses, do que lhes
levou centos de anos a construir e a aperfeiçoar, e que
consumiu dezenas, de gerações a sacrificarem-se para
transmitirem a Nação Portuguesa intacta de pais para
filhos.
Razão têm, assim, os militares para neste dia lembrar
todos aqueles que deram a vida pela defesa da Pátria,
recordando todos os que em qualquer ponto do nosso
território aguentam no cimo dos mastros a bandeira
portuguesa, e saudando os heróis que pelos seus méritos,
pela sua valentia ou pelo seu arrojo, são apontados
especialmente à consideração e ao respeito público; são
eles que dão lustre à família militar.
Por tudo isto vestimos galas, seja nas praças mais
Importantes das mais importantes cidades seja nos mais
modestos e até por vezes inconfortáveis quartéis do mato
africano. Pode ser mais rica ou mais pobre a festa. Será
sempre uma festa sentida com coração militar, aberto às
causas justas, generoso nas obras boas e inflexível
contra as acções de cobardia ou de mesquinhez.
Olhai, soldados e marinheiros, a bandeira de Portugal.
Ela precisa mais do que nunca de que se forme quadrado
em sua defesa, sem temor nem desânimo, indiferentes às
tentativas de intimidação e aos ataques à disciplina e à
ordem que por vários lados nos assaltam. Teremos de
responder «não» a tudo o que possa diminuir ou
enfraquecer a coesão das Forças Armadas, desfazer a sã
camaradagem entre os militares de todos os escalões, ou
semear a discórdia e a confusão nas fileiras. Teremos de
dizer «não» a tudo o que de qualquer forma venha
diminuir a capacidade do Exército, da Armada e da Força
Aérea, que em tantas operações militares, ou em batalhas
têm mostrado bem o que podem e o que valem.
Bem quer o inimigo que os nossos Oficiais, Sargentos e
Praças fiquem pelo meio do caminho que conduz à vitória.
Bem se esforça o inimigo para destruir na juventude o
ânimo forte que tantos heróis têm gerado. Tudo tem sido
em vão, porque o fogo sagrado vive inapagável no fundo
da alma dos verdadeiros portugueses, dispostos a
constituir fachos brilhantes de fé e de amor pátrio onde
quer que seja, preciso, na Guiné, em Angola ou em
Moçambique.
São luzes que iluminam a História e a vida da Nação
através dos séculos, os que já passaram e os que estão
para vir. Cada dia que chega é uma alvorada nacional na
qual se juntam ao mesmo tempo os trabalhos dos operários
e dos engenheiros, dos estudantes e dos doutores, dos
militares e dos civis, todos irmanados no mesmo voto de
refazer e de renovar o nosso País, constantemente,
eternamente.
O tempo que passou, passou. O presente e o futuro devem
ser agora a preocupação de todos. Mas sabendo honrar os
antigos, louvar e festejar os heróis e dar ao Mundo
Português as perspectivas modernas de acordo com o nosso
tempo.
Por isso nos juntamos aqui hoje, no meio da bandeira e
de hinos, para saudar e louvar a nossa gente e a nossa
terra, para honrar e louvar os portugueses e Portugal.»
IMPOSIÇÃO DE CONDECORAÇÕES
Decorreu, seguidamente, o momento mais solene das
celebrações: a entrega de medalhas aos militares que
mais se têm distinguido em actividade operacional no
Ultramar.
Subiram à tribuna, em primeiro lugar, os Oficiais
distinguidos com a Ordem da Torre e Espada, Maj João
Almeida Bruno, Caps Fernando Lobato de Faria e António
Joaquim Ribeiro da Fonseca e Alf António do Casal
Martins. As respectivas insígnias foram-lhes impostas
pelo Chefe do Estado. Depois, o Presidente do Conselho
entregou a Medalha de Ouro de Valor Militar com Palma ao
Gen José Manuel Bettencourt Rodrigues e, a Medalha de
Prata de Valor Militar com Palma que distinguiu, a
título póstumo, o Alf Mil José Miranda Esteves, à viúva
do condecorado.
Após a entrega pelo Ministro da Defesa Nacional e do
Exército, das medalhas de Cruz de Guerra, de 1.' Classe,
a cerimónia prosseguiu com a distribuição das de 2.ª,
3.ª e 4.ª Classes e das de Serviços Distintos, em Ouro,
Prata e Cobre, acto que foi confiado às mais altas
individualidades presentes. Seguiu-se a homenagem aos
mortos em combate: toque de «silêncio», seguido de toque
de «militares mortos em combate», uma salva de tiros de
Artilharia e, finalmente, o toque de «alvorada».
Por fim efectuou-se o desfile das Forças em parada, que
passaram em continência Junto à tribuna de honra,
subindo, depois, a Rua Augusta.
Fotos do Arquivo
Histórico Militar do Exército Português,
e trabalhadas pela equipa do UTW:









Capitão Fernando Gil
Almeida Lobato de Faria









Capitão António Joaquim Alves Ribeiro da Fonseca



Alferes António do Casal Martins









Major
João de Almeida Bruno
Capitão António Joaquim Alves Ribeiro da Fonseca







































































Clique em cada uma das
imagens que se seguem para ampliação:




António Joaquim Alves
Ribeiro da Fonseca,
Capitão miliciano de
Infantaria 'Comando', comandante da 35ªCCmds (Guiné)
agraciado com a Medalha de Prata de Valor Militar, com
palma, e
agraciado com o Oficialato da Ordem Militar da Torre e
Espada, do Valor, Lealdade e Mérito
(em 1969 alferes miliciano comandante de pelotão da
CCac1671 em Moçambique, agraciado com a Cruz de Guerra
de 1ª classe)


